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A humildade de rainhas e princesas

Publicada em 16/10/2014, por Wilson Czerski

Se a primeira imagem que lhe vem à mente é de um trono e muito luxo ou da rainha Elizabeth e da pompa com que os britânicos costumam cercá-la, esqueça. Os novos modelos reais hoje são ditados pela postura de figuras da nobreza como a rainha Letizia da Espanha, esposa do recém-entronado Felipe VI, que é fotografada de jeans rasgado, camiseta e tênis. Ou a princesa Victoria da Suécia, também fotografada de tênis de skatista levando a filha para a escola com o marido, todos vestidos esportivamente. Outro exemplo pode ser a duquesa de Cambridge, Kate Middleton, esposa do príncipe William.

A rainha Sílvia da Suécia e mãe de Victória, nascida na Alemanha, filha de alemão e brasileira, em 1996 fundou o Lar da Sílvia que atende pacientes idosos com demência – sua mãe foi vitimada pelo Alzmeiher - e também a Childhood para assistência de crianças que sofreram abusos sexuais.

À época de sua visita ao Brasil, em 2005, essa ONG atuava em 60 projetos de 16 estados brasileiros e cobria 670 mil beneficiados, entre crianças, familiares e capacitação profissional. Ela atribui a modernização da monarquia sueca à atuação do marido, rei Carlos Gustavo e ter sido tradutora cerimonial Olimpíada Munique 1976 e afirma que a vantagem de ser rainha é poder chamar a atenção para os problemas sociais importantes e a desvantagem a impossibilidade de fazer as coisas de improviso.

Até recentemente deslocava-se de bicicleta para ajudar pessoalmente no atendimento dos idosos na instituição criada por ela e disse que no início enfrentou algumas resistências para desenvolver suas tarefas. Mas entende que o assunto é uma questão humanitária e não política e confidenciou que o rei gosta de cozinhar e o lazer preferido é as refeições em família.

Na questão 785 de O Livro dos Espíritos, os Mensageiros Espirituais afirmam que o maior obstáculo ao progresso moral são o orgulho e o egoísmo. E não falamos aqui da satisfação pessoal por uma realização difícil, pelo sucesso dos filhos ou pelo nascimento de um neto. Há muita gente que se orgulha sem motivos. São presunçosos e arrogantes contra aqueles sobre os quais possuem o mínimo grau de ascendência real ou suposta ou para com os que não os conhecem “por fora”, muito menos “por dentro”. São tolos, vaidosos e iludidos, sujeitos a tropeçar a qualquer momento nas próprias mentiras e castelos de areia construídos para mostrar fachadas, impressionar e amedrontar.

Outro é o grupo dos capazes de estabelecer um justo valor sobre si mesmos, reconhecendo sua condição social e econômica, física, principalmente a beleza – ou a falta dela – e a intelectual em seus verdadeiros limites e aceitando-as como naturais sem sentir-se oprimidos por elas, embora com direito e desejo de melhorá-las. São realistas e humildes quase por imposição das circunstâncias.

No outro extremo há os que possuem orgulho por coisas que realmente são ou possuem. Beleza de modelo ou força atlética, títulos acadêmicos, prêmios e brilho intelectual, poder e fama. Esnobes, jamais pararam para refletir sobre a transitoriedade destas posses. Ainda que construam suntuosos mausoléus para receber seus despojos, não se conscientizam de que mesmo assim eles apodrecerão. 

Um busto em praça pública só terá razão de ser se evocar à posteridade seus feitos reais para o bem social. Apesar de não ser incomum faltar o próprio juízo da História, atribuindo méritos indevidos a uns e o completo esquecimento de outros tantos milhares de anônimos que realizaram muito mais. Outras vezes a força de coerção é tanta que só o tempo e a evolução dos acontecimentos são capazes de corrigir injustiças como o Vaticano com Galileu ou a derrubada das estátuas de Sadam Hussein e Stalin.

Finalmente há o grupo rarefeito dos que têm motivos para sentir orgulho e preferem a conduta moderada, de hábitos simples e até de genuína humildade. Francisco de Assis e Sidarta Gautma, o Buda, abandonaram a riqueza para se dedicar ao semelhante por ideias e exemplos. Cristo, espírito de escol no campo moral, investido de missão superior, portador de poderosos dons curadores, além do próprio exemplo, conclamava a que os homens se comportassem como as criancinhas. 

Chico Xavier psicografou 412 livros que venderam de 25 a 30 milhões de exemplares e não só não se serviu de nenhum centavo da renda deles como jamais aceitou o mérito de sua elaboração. Nosso contemporâneo temos o exemplo do empresário Antonio Ermírio de Morais, falecido há poucos meses, que sempre alimentou hábitos simples, sem ostentação no vestir e andava sem segurança, apesar de ser o dono de um dos maiores impérios industriais do país, além de presidir o Hospital da Beneficência Portuguesa por 37 anos.

A rainha Silvia, guardadas as devidas proporções, pode se enquadrar neste rol.

No Evangelho Segundo o Espiritismo há uma comunicação espiritual assinada por “Uma Rainha de França”. Então já perfeitamente consciente de sua situação no plano espiritual, ela principia a mensagem recordando palavras de Jesus: “meu reino não é deste mundo... O orgulho me perdeu sobre a Terra... O que carreguei comigo da minha realeza terrestre? Nada, absolutamente nada... rainha eu acreditava entrar no reino dos céus. Que desilusão! Que humilhação quando em lugar de ali ser recebida como soberana, vi muito acima de mim... homens que eu acreditava bem pequenos e que desprezei porque não eram de um sangue nobre... compreendi a esterilidade das honras e grandezas...”.

Na segunda parte de outra obra de Allan Kardec, O Céu e o Inferno, consta a comunicação de um espírito chamado Lisbeth que vivera na Prússia há cinquenta anos e a certa altura esclarece: “Fui de elevada condição social. Possuía tudo o que os homens acham que é a felicidade. Rica, fui egoísta; bela, fui vaidosa, indiferente, desleal; nobre, fui ambiciosa. Esmagava com meu prestígio... pisava os que se achassem sob meus pés... O orgulho enlaça com cadeias de bronze... essa hidra de cem cabeças... esse demônio que se oculta no coração, penetra em nossas veias, absorve-nos... só vejo sofrimento”.

Mais à frente, na mesma obra, outra mensagem de uma rainha, a de Ude (antigo reino da Índia, entre o Ganges e o Himalaia). Morrera na França em 1858. Por ser recente a sua desencarnação, não dá mostras de arrependimento e seus vícios de caráter permanecem inalterados. Trechos: “Era uma rainha e nem todos dobraram os joelhos diante de mim (em seus funerais)... Meu sangue reinará... não pode confundir-se na multidão... Eu tenho direito a elas (honrarias). Continuo a ser rainha... que me mandem escravos para me servir... parece que não se preocupam comigo aqui... Devo ter sido (em outras existências) sempre rainha... forçaram-me a vir. Pensas que eu me teria dignado a responder? O que és (dirige-se a Kardec) comparado comigo? Fica sabendo que se fala de outro modo às rainhas... continuo a ser bela quanto era”. 

E segue com sua indignação convicta que ainda merece por obrigação ser tratada com a deferência real. Aturdida, quase insana, mergulhada nas trevas construídas pelo próprio orgulho, deve ter levado ainda bom tempo neste estado até se dar conta de que para Deus sempre e diante da realidade maior, nenhuma das ilusões terrenas sobrevive. Desconhecemos as crenças da rainha Silvia, mas independente delas, age com muito mais sabedoria.

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