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A pílula do dia seguinte

Publicada em 16/10/2014, por Wilson Czerski

O fato motivador do texto ocorreu em 2008, mas permanece atual: a pílula do dia seguinte. Durante o Carnaval daquele ano o sistema de saúde de Pernambuco promoveu a sua distribuição gratuita. A arquidiocese de Recife e Olinda tentou impedir, mas o Ministério Público manteve a decisão. O centro da polêmica é saber se a tal pílula é ou não abortiva, prática que, como se sabe, pela atual legislação brasileira, constitui crime, exceto em dos casos: risco de vida para a gestante e estupro.

Os próprios especialistas não cerram unanimidade. Para muitos deles a pílula contém substâncias capazes de destruir o zigoto – célula formada a partir da união dos gametas masculino e feminino. Para outros, incluindo a OMS – Organização Mundial da Saúde – que recomenda o seu uso, a pílula ingerida até 72 horas após o ato sexual, pode inibir a gravidez, mas se esta já estiver iniciada pela concepção, torna-se inócua, não fazendo efeito algum.

A Igreja Católica que, tal como o Espiritismo, entende que a vida principia no momento da concepção, prefere o argumento do primeiro grupo. Já o órgão pernambucano responsável pela distribuição da pílula no Carnaval, incentivado pela própria postura do então Ministro da Saúde, que declaradamente era favorável à descriminalização do aborto no país sem qualquer restrição, ignorou este detalhe. Para seus dirigentes, tudo se resume em oferecer condições de evitar centenas ou milhares talvez de gravidezes indesejadas.

Literalmente, já são de outros Carnavais as campanhas do governo na mídia alertando para a necessidade do uso de preservativos masculinos durante a Folia de Momo, atestando a sua limitada capacidade de ação, até porque não lhe cabe ir mais além, adentrando a conduta moral das pessoas.

Quer as campanhas visem o esclarecimento da população com objetivos de prevenir as doenças sexualmente transmissíveis, quer como na situação citada, com este perigoso passo a mais, a nosso ver, a discussão está situada fora do foco principal. Não nos cabe opinar sobre apontamentos científicos se a pílula é abortiva ou não nem em saber se a religião pode ou deve interferir na ordenação jurídica de um estado laico como o Brasil.

O que a sociedade como um todo, mas principalmente pais e educadores, deveria estar debatendo é como evitar que o Carnaval e outras festas ou formas de divertimentos populares tornem-se sinônimo de orgias com o tal do “ficar” descompromissado, com as trocas constantes de parceiros às vezes numa mesma noite, enfim, com os abusos agora cada vez mais consentidos como se a promiscuidade fosse a regra a ser seguida e perseguida na busca desenfreada do sexo irresponsável.

A sexualidade é uma energia da alma com expressão periférica nos órgãos do corpo físico e serve para atender fins elevados como a preservação da espécie e a permuta de energias entre dois seres que se doam e se complementam não só por força do instinto, mas também na esfera da afetividade profunda. A ignorância sobre quem realmente somos – espíritos imortais vestidos temporariamente de corpo carnal transitando pelos caminhos do aperfeiçoamento moral e intelectual – é que nos faz perder a perspectiva da verdadeira felicidade.

Pela lei de causa e efeito, todo pensamento, palavra, emoção ou ato altera o meio em que vivemos o que, por consequência, nos inclui. O cultivo dos valores morais, o equilíbrio da vida digna, o respeito à integridade do ser humano bio-psico-socio-espiritual não são caretices. Sexo não é pecado, não é errado. É fonte de prazer e expansão da consciência criativa. É necessidade fisiológica e mesmo psicológica e emocional, porém requer bom sendo no seu uso. O indivíduo não pode se rebaixar ao nível dos irracionais. A banalização do sexo é demonstração de falta de amor por si mesmo e pelos outros, pois que representa uma comercialização barata do próprio ser.

Com um pouco mais de educação, aquela abrangente que vê homens e mulheres como seres multifacetados, mas sempre com visão de conjunto, serviria para discutir mais as causas do mal e como debelá-las do que os efeitos. Como se já não bastassem os abusos com álcool, os furtos, a violência urbana e no trânsito das estradas, agora temos que por na conta do Carnaval mais o peso da dúvida moral se nossas autoridades não estariam endossando práticas criminosas do aborto.

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