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Transplantes de órgãos – Encontro de almas

Publicada em 17/11/2014, por Wilson Czerski

Em mundos mais evoluídos a alma dispensa o uso de corpos densos como o nosso. Mas são necessários aqui na Terra como bem o sabemos. A volta – não à vida porque sempre estamos vivos -, mas ao palco terrestre, dá-se por novos corpos e não pela ressurreição daquele que já devolveu à natureza os elementos materiais de que se compunha. Portanto, com a morte biológica, o corpo carnal perde totalmente a serventia. Exceto se partes dele forem, caridosamente, remanejados para outros indivíduos que, em geral, à falta deste gesto de desprendimento e solidariedade, terão o mesmo destino a curto ou médio prazo, isto é, a morte.

A doação de órgãos e a efetivação dos transplantes costumam produzir grandes transformações na vida das pessoas envolvidas, aproximando famílias, estreitando amizades e principalmente abrindo horizontes muitas vezes até então desconhecidos, especialmente aos receptores. Mudam de estilo de vida, tornam-se mais equilibrados, tranquilos, melhores pais, mais amigos, agradecidos a Deus. Há uma aproximação com o sentido mais profundo da vida. E suas preces de gratidão alcançam os familiares e o espírito do doador, revertendo-se em benefícios inestimáveis tanto para seu estágio no mundo espiritual como se prolongará para a próxima reencarnação quando ela ocorrer. Voltaremos ao assunto.

Mas ser ou não doador de órgãos é questão de foro íntimo e ninguém, espírita ou não, pode ser apontado como egoísta caso opte pela negativa. O razoável é promover o esclarecimento sobre a importância do ato para os receptores, mas também aos doadores.

Um único doador pode salvar a vida ou amenizar o sofrimento de quase uma dezena de pessoas. Isso além das doações inter-vivos como as de sangue, medula, fígado e rins. Um beneficiado jamais esquecerá daquele que lhe proporcionou “uma segunda vida”, transformando o corredor da morte em cordão da esperança ou retirando-o, por exemplo, do drama das dolorosas sessões semanais nas máquinas de hemodiálise.

Passam a supervalorizar a vida com todas as suas experiências, desde as mais insignificantes, os momentos mais simples. Desprendem-se das coisas materiais, dão mais atenção à própria saúde e à família, aos amigos. Tornam-se pessoas mais solidárias e fraternas. Não raro, estreitam os laços com sua religião e com Deus para agradecer pela segunda chance de estar vivos neste mundo. É um renascimento.

E os doadores sempre serão lembrados pelos beneficiados e seus familiares através de orações e sentimentos de gratidão emanados por todos eles. 

A rejeição do órgão transplantado deve-se a causas orgânicas e espirituais. Drogas médicas neutralizam com sucesso esta reação natural do sistema imunológico. Mas há a componente espiritual devido às diferenças vibratórias entre os corpos energéticos envolvidos. Tal qual o físico, o corpo sutil tem sua fisiologia própria, constituída de energias eletromagnéticas, fluido ou energia vital, comandadas pelo espírito. Por ele transitam as sensações, sentimentos e pensamentos tanto em direção ao corpo material para expressão exterior como deste para aquele, recolhendo as impressões pelos sentidos. O perispírito, como é denominado este corpo especial, de constituição semi-material ou de matérias em estados mais sutis, está impregnado da própria essência espiritual. Mas não há experiências que comprovem, por exemplo, que um órgão retirado de um assassino, cause maiores problemas de rejeição no transplantado do que se fosse de uma pessoa de conduta moral equilibrada.

Outro aspecto relevante do lado do receptor são os possíveis processos obsessivos desencadeados principalmente por doadores involuntários. Pode ocorrer que o falecido nunca tenha se manifestado em relação ao assunto ou mesmo assumido posição contrária e, ao morrer, os familiares decidam pela doação. Revoltado contra a usurpação de algo que ainda julga lhe pertencer, tentará prejudicar o receptor, frustrando o sucesso da cirurgia. Seria um fator a mais a conspirar em favor da rejeição do órgão devido a intensa energia negativa emitida pelo doador. Até que seja isolado e esclarecido na dimensão espiritual, o risco de comprometimento continuará, em sonhos, pensamentos vingativos, mal-estar físico e psíquico.

Solicitar a todos os familiares que, em vida, expressem sua vontade sobre o assunto, deixando livre a opção, pode evitar o problema.  Trabalha-se no sentido de convencer uma pessoa a se tornar doadora, mas não obrigá-la a isso.

No caso do espírita doador, obviamente não se imagina tal tipo de problema. Somente pessoas muito materialistas, com apego exagerado às coisas terrenas, incluindo uma demasiada importância à vida física, em resumo, ignorantes da realidade da vida espiritual e de suas finalidades mais elevadas, poderá incorrer no equívoco de desejar, após a morte, prejudicar alguém que tenha recebido parte de se corpo carnal na forma de transplante. A alma é imortal, sobrevive à morte do corpo que, descartado, tal qual uma roupa desgastada, torna-se inútil. Porém, ainda se valendo da analogia, pode ser recortada, ter partes retalhadas para uso em remendos imprescindíveis a pessoas mais carentes.

Do ponto de vista do doador, as duas maiores preocupações são a possibilidade do perispírito se ressentir de dores na hora ou depois, decorrentes da remoção dos órgãos, e possíveis lesões causadas ao mesmo veículo energético. O processo desencarnatório não é abrupto e difere da morte propriamente dita. Raramente coincidem. Mesmo esta dá-se aos poucos. Após a cessação do funcionamento cerebral, órgãos, tecidos e células morrem em etapas. Se assim não fosse, os transplantes não seriam possíveis. A libertação espiritual é gradual, variando de quase instantânea até de muitos meses ou anos, sem significar a menor possibilidade de retorno à vida. Trata-se apenas de ligação fluídica, afinidade que ainda permanece entre o espírito e os restos corpóreos.

O perispírito pode experimentar sensações descritas como frio, calor, sede, dores etc. São reminiscências provenientes do condicionamento gerado durante o tempo, no caso de uma enfermidade prolongada, ou pelo impacto emocional, no caso de morte violenta. O espírito localiza a sensação na contraparte energética na região correspondente à que sentia quando no corpo físico, apesar de que a tem, na verdade, de forma difusa, como uma onda sensória a atingir o corpo sutil como um todo.

Algumas comunicações de espíritos doadores acusam certo desconforto no momento da retirada dos órgãos. Mas contando com o apoio de seu Espírito Protetor particular e de outros que acorrem no amparo de todos os envolvidos no processo, somado às preces de familiares de ambos os protagonistas, qualquer sensação residual tende a desaparecer completamente em pouco tempo. Com certeza, outros atos inadequados da vida repercutem negativamente com muito mais intensidade do que aquilo que estamos fazendo por amor.

O ato de doar órgãos, para os mais esclarecidos, portanto, deve ser não apenas um favor, mas um dever. Estamos devolvendo parte daquilo que Deus nos concedeu por empréstimo a alguém que poderá desfrutar com grande proveito físico e espiritual. Amanhã pode ser um filho nosso que esteja na mesma angustiosa fila de espera e se não surgir ninguém disposto a este gesto de amor, estará condenado a se submeter para o resto da vida a tratamentos traumatizantes como a hemodiálise. Ou privado de ver as belezas do mundo pela falta de uma córnea. 

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