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Eutanásia II: de Hipócrates a Terri Schiavo

Publicada em 17/11/2014, por Wilson Czerski

Se a discussão da “era moderna” sobre a eutanásia iniciou há pouco mais de um século, nem por isso deixou de existir antes disso. O juramento de Hipócrates, 400 a . C parece ter sido uma reação em defesa da vida devido à procura aos médicos da época por enfermos desejosos de morrer ou por parentes destes, para a administração de drogas que lhes abreviassem o sofrimento. Francis Bacon, em 1605, propunha que cabia aos médicos não só curar, mas proporcionar “uma morte doce e aprazível” quando já não houvesse mais esperança de cura.

Há várias classificações de eutanásia como a eugênica, econômica, criminal, experimental, profilática, solidária, todas em termos de coletividade. Nas individuais, há a consentida, a por compaixão, a ativa e a passiva. Esta, às vezes, é denominada de ortotanásia quando há a omissão ou suspensão do tratamento, incluindo medicamentos, nutrição ou desligamento de aparelhos. Esgotadas todas as possibilidades de cura, busca-se apenas proporcionar conforto e poupar sofrimento ao paciente, dando-se livre curso à natureza.

Foi o que aconteceu com Terri Schiavo que teve a sonda que lhe fornecia água e nutrientes, retirada pela terceira e definitiva vez até que morresse 13 dias mais tarde. Aspecto jurídico importante foi o marido ter insistido durante 12 anos que a esposa tivesse verbalmente expressado o desejo de não continuar vivendo caso lhe sucedesse um acidente desta natureza. Nomeado seu guardião legal, tomou todas as decisões sobre ela, alijando os pais do processo. Falava-se de um seguro de vida no valor de um milhão de dólares em seu nome. Já do ponto de vista médico, o detalhe mais polêmico foi que Terri não podia ser considerada com morte encefálica. Só parte do cérebro, o córtex, responsável pelas atividades conscientes - pensamento, emoções, memória - havia sido destruído após a falta de oxigenação, decorrente de uma parada cardíaca, consequente a um tratamento exagerado de emagrecimento, 15 anos antes.

O estado vegetativo de Terri não atingia o tronco encefálico que controla as funções básicas como respiração e atividade cardíaca. E mais: ela movia a cabeça, os olhos, reagia à presença das pessoas. Vídeos mostraram sensibilidade às palavras da mãe ao ouvido, esboçando um sorriso. Para os médicos que cuidaram dela, eram movimentos puramente reflexos. Segundo eles, Terri não podia sentir dor, nem fome ou sede. Mas especialistas brasileiros consultados pela revista Veja (nº 1899 – 06/04/05) afirmaram que ela poderia, sim, sentir um beliscão, por exemplo, porque o tálamo continuava funcionando.

E a alma ou espírito de Terri onde estava durante todos estes anos? Escrevemos no artigo anterior que “... o prolongamento indefinido da vida biológica... era até contraproducente para o espírito... forçado a manter-se atado a ele (o corpo) pelos laços do perispírito...” e que “o Espiritismo opõe-se firmemente à forma de eutanásia ativa e sempre que houver a menor possibilidade do paciente recuperar a consciência...”. Embora tecnicamente fale-se em eutanásia passiva ou ortotanásia, a nosso ver, por mais sofisticados sejam os aparelhos atuais no diagnóstico da atividade mental de um ser humano, não se pode assegurar categoricamente que Terri não tivesse um grau mínimo de consciência. E mesmo que não a possuísse, nem por isso seu espírito estava ausente. Nos estados comatosos reversíveis ou não, durante este estado o paciente, como se sabe, mantém-se inconsciente. Para este mundo. Na verdade, mesmo em meio à perturbação deste estado peculiar, parcialmente desligado do corpo físico, impedido de se manifestar por ele e ao mesmo tempo não totalmente livre na dimensão espiritual, muitas vezes, tem algo de consciência do que lhe ocorre como provam as Experiências de Quase-Morte, bastante pesquisadas principalmente nos Estados Unidos.

Se a analogia com o termo vegetativo é válido, lembre-se que outras pesquisas demonstraram que muitas plantas são sensíveis à dor e apresentam alterações em polígrafos e galvanômetros à presença de ameaças como se pressentissem a intenção de agressão partida dos humanos. Os reinos da natureza encadeiam-se no processo evolutivo do princípio inteligente que sonha nos vegetais, agita-se nos animais e desperta no homem, no dizer de Léon Denis ou que é sensação nos primeiros, instinto nos segundos e razão nos últimos, segundo expressão do autor espiritual André Luiz.

Terri Schiavo não era somente um aglomerado aleatório de células, tecidos e órgãos. Se o “penso, logo existo”, de Descartes, é um conceito filosófico importante para caracterizar a consciência do próprio ser, que ninguém duvide que o espírito da americana não havia perdido, como não perdeu ainda e nem perderá nunca a capacidade de pensar e de reconhecer-se única e viva para sempre.

Quanto às razões espirituais, esta difícil experiência, certamente tem conotações provacionais ou expiatórias que desconhecemos, para ela e os envolvidos mais diretos. De qualquer modo a justiça terrena pode ser cega, a presunção humana conduz a equívocos, mas as leis divinas não falham em hipótese alguma. Nestas circunstâncias, matar pela fome e sede pode ter libertado Terri, mas aprisionado, pela lei de causa e efeito, todos os que deliberaram pela sua partida compulsória e precipitada. Talvez contem com os atenuantes de boas intenções, mas os reajustes aguardarão numa esquina próxima da vida imortal.

 

 

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