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Sábios da filosofia e da ciência e ignorantes de Deus

Publicada em 04/09/2015, por Wilson Czerski

Compare as frases. No item 8 do capítulo I do Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec coloca que “A Ciência e a Religião são as duas alavancas da inteligência humana”; em 2003, o então papa João Paulo II afirmou que “A fé e a razão constituem como que as duas asas pelas quais o espírito humano se eleva para a contemplação da verdade”.

Agora nossa análise de três matérias da revista Veja, uma de 25/05/05, outra de 26/12/07 e a última de 08/07/15. Dado contido na edição mais antiga estimava que havia 2% de ateus no Brasil, 4% no mundo e 93% dos membros da Academia Nacional de Ciências dos USA não aceitavam a ideia de Deus; em 1997,  segundo a revista  Nature, 60% dos cientistas não criam em Deus.

O filósofo Sam Harris afirmou que “A fé até pode ser benigna no nível pessoal, mas no coletivo é um desastre absoluto... nossa compreensão do universo é incompleta e desconhecemos a extensão de nossa ignorância... o que sabemos com absoluta certeza, aqui e agora, é que nem a Bíblia nem o Corão trazem melhor compreensão do universo... esses livros não são sequer um guia sobre moralidade que possamos considerar adequado... pois aceitam a escravidão, por exemplo, e não são autoridade em astronomia e economia... Se há verdades espirituais ou éticas a ser descobertas, e tenho certeza de que há, elas vão transcender os acidentes culturais e as localizações geográficas.”

Para Tomás de Aquino “Para quem tem fé, nenhuma explicação é necessária. Para quem não tem, nenhuma explicação é possível”. A frase é interessante, mas não corresponde à verdade, pois é não só possível como desejável que ciência e religião se aproximem e trabalhem juntas para a iluminação e felicidade do ser humano. À afirmação acima podemos contrapor a opinião de Einstein para quem a ciência sem a religião é manca e a religião sem a ciência é cega.

Na Veja de 25/05/05, o filósofo ateu Michel Onfray dá o seu parecer sobre o assunto: “As religiões fazem promoção permanente da fé em detrimento da razão, da crença diante da inteligência, da submissão ao clero contra a liberdade do pensamento autônomo, da treva contra a luz; por trás do discurso pacifista e amoroso, o cristianismo, o islamismo e o judaísmo pregam a destruição de tudo que represente a liberdade e prazer; odeiam o corpo, desejos, sexualidade, mulheres, inteligência e todos os livros, exceto um; exaltam a submissão, a castidade, a fé cega e conformista em nome de um paraíso fictício depois da morte”.

Por aí se vê o quanto de estrago é provocado na mente de pessoas inteligentes e cultas. Mas o Espiritismo apregoa ou faz praticamente tudo ao contrário do que ele diz: exalta o livre-arbítrio individual e consequente responsabilidade moral; orienta a zelar pelo corpo por ser imprescindível e valiosíssimo instrumento de trabalho do espírito encarnado; estimula a busca do desenvolvimento intelectual, reconhece o papel fundamental desempenhado no mundo pelas mulheres juntamente com a alternância de sexos no ciclo reencarnatório; estimula a busca do conhecimento e não promove o sectarismo, o dogmatismo e o isolamento; conscientiza e incentiva a participação do homem no mundo sem se escravizar ao mundo e ainda não ilude muito menos fanatiza com promessas de paraísos conquistados sem obras. É a lógica da razão que ilumina a fé enquanto a fé, vigorosa e lúcida, fortalece a razão.

Voltando ao Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XIX, itens 6 e 7, encontramos que “a fé não se prescreve, não se impõe... As provas se multiplicam, por que, pois, se recusam em vê-las?Nuns é negligência; em outros, medo de serem forçados a mudar seus hábitos; na maioria é orgulho que recusa reconhecer uma potência superior... Para crer, não basta ver, é preciso compreender. O dogma da fé cega que faz hoje o maior número de incrédulos, porque quer se impor e exige a abdicação... do raciocínio e do livre-arbítrio... A fé raciocinada, a que se apoia sobre os fatos e a lógica, não deixa atrás de si nenhuma obscuridade; crê-se porque se está certo... eis porque ela não se dobra; porque não há fé inabalável senão aquela que pode encarar a razão face a face, em todas as épocas da humanidade”.

Agora vejamos o que nos diz o astrofísico Neil deGrasse Tayson à mesma revista Veja em sua edição de 08 de julho deste ano. Para quem não sabe de quem se trata, Neil Tayson é o apresentador nova série Cosmos, pela Tv cabo, numa linguagem de fácil compreensão pelas pessoas comuns.

O entrevistador perguntou se os religiosos veem a aparente ordem do universo, regida pelas leis da Física, como prova de que há lógica superior organizando tudo. E ele respondeu que “Sim, a natureza se repete... definimos regras como a gravidade... Deus fez as leis da física como já definia Spinosa no séc. XVII. Só que isso quer dizer que Ele ouve suas preces? Ou que ajuda religiosos a vencer guerras contra outros religiosos? Ou que ele usa barba? Foi esse Deus que falou a Moisés? Se tudo isso for verdade, podemos dizer que Deus deixa pessoas inocentes ser atropeladas na rua.... permite que uma criança morra de leucemia. Ou faz vista grossa diante de furacões e vulcões que matam milhões, incluindo jovens e humanitários. Para acreditar em Deus é preciso levar tudo em conta. Se Ele está por trás de tudo, é muito bom em matanças... mais de 99,99% das espécies de seres vivos que passaram pela Terra foram extintas. Isso é o acaso da natureza? Ou é Deus? Seja qual for a resposta escolhida, é preciso assumi-la tanto para o lado belo como para o terrível”.

Note-se que as dúvidas do eminente homem de ciência é a mesma que ainda visita imenso número de pessoas, levando-as, senão ao ateísmo declarado, ao menos na prática, visto que sua conduta diária, familiar, social, moral e religiosa, demonstra a ausência de fé autêntica. Encontram-se totalmente indiferentes aos porquês da vida, desorientados, inseguros e sem perspectivas futuras, focados tão somente na vida presente.

“O senhor acredita em Deus?”, foi outra pergunta, ao que ele respondeu: “Dediquei tempo para pesquisar listas de deuses na internet. Demora muitos minutos só para passar com o mouse, sem ler, por um compilado de divindades... são milhares. Quer dizer que a escolha de um desses pressupõe a ilegitimidade dos outros?... debrucei-me sobre o Deus mais popular do Ocidente, o judaico-cristão. Quais são suas propriedades? Bondade, poder absoluto e onisciência. Visto o quanto a natureza mata, quer dizer que Ele é assassino? Se sim, não é bondoso. Se não, Ele não é onisciente ou todo-poderoso... Não vejo evidências que corroborem a existência de Deus. Se há um terremoto, não é fúria divina. Geólogos avisaram que a área era vulnerável. Não adiantava rezar pelo Haiti .O terremoto... ocorreria de qualquer jeito. Não me importo se acredita em deuses. Só acho que quem segue essa linha cega não pode distribuir culpas por aí.”

Estamos diante, portanto, de uma pessoa de vasta cultura e respeitável formação acadêmica que expõe as razões de não acreditar na existência de Deus. Quem os culpados pela sua descrença? As religiões em geral, sectárias, dogmáticas, orgulhosas e só preocupadas em manter os seus rebanhos de olhos vendados à verdade que ilumina e liberta. Tivessem a oportunidade, tanto ele como os filósofos Sam Harris e Michael Onfray, de conhecer o Espiritismo, se deparariam com informações que fariam abalar suas convicções por esclarecer racionalmente os atributos divinos, as razões para os desastres naturais, para as tragédias pessoais e existência do próprio universo.

Talvez o embate entre a teoria do Creacionismo e a do Evolucionismo possa ser considerado como um exemplo típico desse divórcio existente entre ciência e religião. Mas contribui decisivamente a insistência das próprias religiões de se digladiarem, cada uma ambicionando exercer domínio sobre as demais. Faz muito mal à sociedade humana quando cada um ergue-se para esfregar na face do irmão um livro que ele julga o único sagrado porque teria sido escrito diretamente por Deus ou sob sua inspiração, possuidor de toda a verdade. Provoca atraso humano todo aquele que entende que só a sua religião é que presta e pode salvar. Salvar de quê? E do radicalismo cuja versão mais moderna está no Estado Islâmico que faz guerra, oprime e degola inimigos, dispensa comentários.

Portanto, se o ceticismo científico faz muito mal à Humanidade, o mesmo se poderia dizer da indústria da fé que usa inescrupulosamente do mecanismo da crença cega para atingir seus objetivos nada, nada “espirituais”.

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