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Marca de nascença no menino Ian é evidência a favor da reencarnação. Assista o vídeo clicando aqui.

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Uma opinião espírita sobre o acidente da Chapecoense

Publicada em 08/12/2016, por Wilson Czerski

A vida moral ou espiritual, se preferirmos, é regida por princípios divinos e humanos. Há um determinismo superior do qual não podemos fugir. A lei do progresso ou evolução é uma delas. Todos os espíritos foram criados simples e ignorantes e caminham ao longo dos milênios, desde o indivíduo mais rudimentar, biologicamente falando, até a angelitude ou perfeição relativa, impulsionados ao cumprimento da destinação que nos foi dada por Deus.

Para atendermos a essa mesma necessidade somos obrigados a nos submeter a um longo processo reencarnatório. Ninguém pode se eximir a isso. Podemos até, em certas circunstâncias, adiarmos o momento de retornar ao palco da vida terrestre, mas não adiarmos indefinidamente. E quando aqui, o determinismo divino nos adaptou com as características próprias do ser humano. Se nascemos ou renascemos, também temos que morrer; não podemos voar sem o auxílio de apoios externos, etc.

Não somos joguetes da vida. Não há acaso, sorte ou azar e este mesmo determinismo divino coexiste com algo muito especial que é o livre-arbítrio. Ao reencarnarmos já temos traçado uma espécie de destino, uma carta de intenções das principais experiências e metas que iremos desenvolver por aqui. Se um pouco mais conscientes, leia-se evoluídos, ao menos medianamente, já conseguimos participar ativamente das escolhas do nosso futuro. Mas há muitos que ou não sabem fazer estas escolhas ou não podem fazê-lo devido ao seu alto grau de perturbação espiritual.

Em chegando aqui sempre teremos o livre-arbítrio para alterar aquela carta de intenções, seja porque tomamos alguns desvios, para o bem ou para o mal, ou por fracassarmos na empreitada proposta e que se fazia necessária ao nosso progresso.

Portanto, não há fatalidade. Agimos, em parte, por um determinismo divino que nos guia sempre para cima e para o bem, outro tanto pelas escolhas realizadas antes de reencarnar por força do livre-arbítrio e, depois, reconstruindo nosso destino a cada passo, novamente pela vontade inviolável de que somos dotados.

Outra observação importante. É muito diferente Deus querer fazer cumprir uma determinação, deste mesmo Deus apenas permitir que certas coisas aconteçam. Portanto, é errado afirmar que isso ou aquilo foi vontade de Deus, por alguma imposição de justiça ligada necessariamente à lei de Causa e Efeito. Errado generalizar que é carma, punição, expiação. Mas é certo dizer que ele permitiu porque a vontade humana também está presente em nossos atos na forma de concessão do livre-arbítrio, gerando as consequentes responsabilidades por eles.

De modo prático agora, por que morreram 71 pessoas das 77 que estavam a bordo do avião da Lamia na Colômbia? Já vimos que não foi por acaso, ao menos quando tomado na acepção de acontecimento completamente fortuito, aleatório, pois que, segundo o dicionário, ele pode também representar um “conjunto de pequenas causas independentes entre si, que se prendem a leis ignoradas ou mal conhecidas, e que determinam um acontecimento qualquer”.

Na questão 862 de O Livro dos Espíritos, Allan Kardec pergunta sobre a existência ou não da fatalidade e os Instrutores Espirituais respondem com um exemplo. Se um indivíduo tenta atravessar um rio sem saber nadar e morre afogado, não se trata de fatalidade. E acrescentaríamos nem de destino ou expiação por algo de errado feito em vida passada. Vamos mais longe. Até mesmo se esta pessoa avaliar mal sua força física em relação às dificuldades a serem enfrentadas como a força da correnteza ou a distância para atingir a outra margem, nada disto configura predeterminação de qualquer natureza. Perece por própria e exclusiva culpa, imprudência, irresponsabilidade.

Pois foi exatamente isso que fez o piloto da Lamia. Foi imprudente, deixou-se levar pela soberba em julgar que poderia controlar uma situação de claro risco. Já se sabe pelas investigações que ele empreendeu uma viagem com combustível muito aquém do recomendado pelas normas internacionais de aviação. E isto parece ter sido uma prática reiterada de sua parte, negando-se, inclusive, a fazer escala com tal finalidade que o oneraria – haja vista que era também um dos proprietários da empresa – também com as taxas aeroportuárias.

E aí vêm aqui as “coincidências”, causas que denomino no meu livro “Destino: determinismo ou livre-arbítrio?” de indiretas ou secundárias como, por exemplo, o fato de outra aeronave solicitar prioridade de pouso por estar em emergência pelo mesmo motivo, suspeita de perda de combustível. O sobrevoo de espera de uma para a aterrissagem de outra contribuiu para a queda da primeira.

No livro Obras Póstumas, contendo complementos às chamadas Obras Básicas de Allan Kardec, temos explicações sobre as expiações coletivas. Grupos de pessoas, agentes ativos de determinados eventos infelizes em uma reencarnação, podem se reencontrar em outra futura para resgatar, perante a lei de justiça divina, as consequências desses equívocos morais. Podem também reunir-se ainda que tenham cometido crimes separadamente, mas com semelhança na natureza dos atos.

Porém, nem tudo o que nos acontece tem suas causas no passado, mas sim no presente. Vimos, linhas acima, que estamos continuamente reescrevendo a nossa história pessoal, seja em ações individuais ou dentro da sociedade. E se eu tenho a liberdade para agir, o outro também tem. É possível que no caso em exame, o acidente só se consumou por causa da atitude – uso do livre-arbítrio – do piloto, sem qualquer outra conotação de ordem moral, cármica, de destino das demais vítimas. Literalmente a vida delas estava nas mãos do comandante da aeronave que fez o que fez.

Passa-nos pela cabeça também a sensacional defesa do goleiro Danilo no último lance do jogo anterior do time pela competição. Sem ela, não haveria classificação, não fariam a viagem e todos estariam vivos. Uma grande ironia que o feito tão festejado, momento de glória, de certa forma tenha sido a causa também de toda a tragédia.

Mas aí vem a pergunta: diante dessas explicações, todos morreram de graça? Praticamente foram assassinadas? De certa forma, sim. É bem possível que elas não precisassem passar por isso. Que não estava em seus destinos traçados lá atrás quando de seus planejamentos reencarnatórios. Quanto ao termo ‘assassinados’ pode ser pesado, mas é assim que denomina a lei. Naturalmente que o piloto não teve a intenção, até porque desencarnou junto. Mas a atitude deliberada de ‘forçar a barra’ caracteriza um ato criminoso.

Um vidente previu em março que um time de futebol morreria com a queda de uma aeronave. Não parece ‘um chute’ qualquer, embora não soubesse precisar se seria brasileiro ou não. Fácil dizer que no ano vai morrer um famoso de tal ou qual área, pois isso acontece sempre. Entretanto, um time de futebol é bem diferente.

Como ela sabia? ‘Viu’ ou teve um pressentimento, premonição, uma percepção do fato em si, mas não a causa. Se fosse por falha mecânica ou condições meteorológicas, saberia também porque o evento estava se construindo no horizonte. Um sexto sentido anímico ou uma revelação mediúnica pode antever algo que ainda não se concretizou. Poderia errar porque não passa de uma previsão e que, portanto, poderia ter o curso alterado. Sempre o livre-arbítrio! Se o piloto não tivesse teimado... Se a Chapecoense optasse por outra companhia aérea... Se o órgão fiscalizador na Bolívia tivesse impedido o voo. Se... se...

Contudo, contraria a lógica pensar que os passageiros tivessem que atender a uma imposição cármica ou da lei de causa e efeito, cumprir um destino inexorável e para tanto, o piloto teria sido apenas um instrumento, um executor da vontade divina.

Claro que há as particularidades individuais como as que levaram a ter seis sobreviventes. Milagre? Proteção especial de Deus? Nada disso. Talvez estes tenham outras tarefas ainda a realizar por aqui. Os outros já teriam concluído as suas? Quem sabe? Tudo o que foi falado até aqui são conjecturas, baseadas no lado visível dos fatos e nos ensinamentos trazidos pela filosofia espírita.

O ideal é que contássemos com médiuns extremamente confiáveis que pudessem ser inquiridos, ou melhor, capazes de sondar o mundo espiritual em busca de informações definitivas. E falamos no plural para atender ao requisito do Consenso Universal dos Ensinamento Espíritas, adotado por Kardec: vários médiuns, desconhecidos ou distantes entre si.

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