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Menina de dez anos e o aborto

Publicada em 08/09/2020, por Wilson Czerski

Nem tudo que é legal do ponto de vista humano pode ser considerado moral.

Com o avanço civilizatório, se compararmos as leis que regiam a vida em sociedade há

séculos ou milênios atrás com as de hoje, muitas daquelas que nos parecem estranhas e

erradas, à sua época, eram consideradas aceitáveis e justas.

Com o progresso vem também a necessidade de reformulação da legislação

humana, porém, ainda hoje, é fácil nos depararmos com leis antiquadas, incompletas

ou omissas.

Sem falarmos que muitos segmentos sociais frequentemente têm trabalhado, por

ignorância ou interesses, pessoais ou corporativos escusos, por regulamentações que

colidem com os princípios de justiça. Como exemplos, temos o foro privilegiado dos

políticos brasileiros, mordomias e extravagâncias do Supremo Tribunal Federal e o

não cumprimento de pena após condenação em segunda instância.

Mas fiquemos com o exemplo da questão do aborto sobre a qual a Doutrina

Espírita é bastante clara ao defender o direito de nascer. Não só a ideia da interrupção

voluntária da gravidez repugna à razão, à dignidade e agride a natureza de seres

humanos que somos, mas também e, principalmente, porque Deus estabeleceu – para

ficarmos com uma das sínteses mosaicas – a determinação “Não matarás”.

Contudo, também em respeito à racionalidade humana, é preciso que

estendamos o olhar para além da bitola estreita da letra que fanatiza e emburrece. E

então vem a pergunta: será que essa proibição da prática do aborto serve para todas as

situações ou haveria exceções?

Uma criança de 10 anos, violentada desde os seis, e que acaba grávida pode

receber o beneplácito da lei ou deve ir às últimas consequências para dar à luz?

Após uma introdução ao tema, analisaremos especificamente o caso da menina de

10 anos violentada pelo tio no Espírito Santo e cuja gravidez foi interrompida com

autorização judicial. Fato semelhante aconteceu no início de 2009 em Pernambuco,

com outra criança de nove anos e grávida de gêmeos, vítima do padrasto.

Quando se trata de uma mulher adulta, entendemos que por mais dolorosa que

seja tal experiência cuja violência atinge não só o físico como o psicológico ou

emocional da mulher, afetando sua vida familiar, social, sexual e espiritual, ainda

assim, o aborto não nos parece ser a melhor solução.

Se em qualquer caso para o qual o aborto é aventado (medo dos pais, vergonha,

razões econômicas, profissionais e até estéticas por puro egoísmo), a mulher merece e

necessita de esclarecimento sobre os fundamentos da vida e consequências espirituais

de seus atos, no caso de estupro ela precisa de muito mais apoio.

 

Então, qual a solução? Se julgar que realmente não deseja ficar com o filho, que

aceite a provação da gravidez e entregue a criança para adoção.

Em 2009, naquele caso de Pernambuco, causou grande polêmica a posição

manifestada da Igreja Católica, pois o arcebispo de Olinda e Recife, condenou

veementemente a decisão da mãe da menina e dos médicos em interromper a gravidez

de gêmeos e que estava no quarto mês.

Na época, o Vaticano aprovou a atitude do religioso, porém muita gente

discordou, inclusive, outros membros eclesiásticos que trataram de amenizar as

declarações do colega.

O que se viu agora foram manifestações do Pró-Vida, de um grupo católico e até

alguns políticos evangélicos em frente ao hospital de Recife para onde a menina foi

levada depois da recusa dos médicos de Vitória em adotar o procedimento ao constatar

que se tratava de uma gestação já de seis meses.

Então, nós espíritas, podemos e devemos desaprovar o ato - sem condenar os

atores– da interrupção de gravidez subsequente a um estupro, porém, neste caso em

especial, qual seria a nossa posição?

De antemão, parece-nos totalmente absurdo imaginar que uma criança de 10 anos

tenha condições orgânicas e psicológicas para levar até o fim uma gravidez. O fato

enquadra-se perfeitamente no enunciado da Q. 359 de “O livro dos Espíritos” que abre

a possibilidade (aliás, ali única) da prática do aborto devido ao risco de vida à mãe.

Agora vejamos quais poderiam ser as explicações espirituais, no caso da vítima, a

menina. Temos lido e ouvido que as vítimas de estupro sempre têm algum tipo de

ligação infeliz com seus algozes. Tais vínculos seriam provenientes de vidas passadas

e, na atual, o agressor seria atraído pela a vítima por força de vibrações de idêntica

frequência de pensamento e emoções, mesmo que inconscientes. Com isso fecham

questão para dizer que nada é por acaso.

Sinceramente, sem pretendermos saber mais do que ninguém e respeitando a

opinião alheia, mas pelo império da razão, somos obrigados a discordar desta

explicação. Ela pode até servir para alguns casos, mas não como regra geral.

Como justificar que um único indivíduo esteja associado, por prejuízos sofridos

no passado, e seja atraído para atacar não uma ou duas, mas às vezes dezenas de

mulheres? Todas elas estariam pagando a ele o quê?

Na época daquele caso citado de 2009, na Inglaterra, a polícia investigava um

taxista que teria cometido este delito contra cerca de 500 mulheres!

Nada é por acaso. De fato. A causa é o livre-arbítrio de seres moralmente

primitivos, enfermos da alma, que ainda convivem em nossa sociedade e dão vazão

aos instintos mais abjetos, atacando, agredindo e violentando pessoas vulneráveis.

 

Estabelecer automaticamente uma conexão entre vítima e dívida cármica ou como

resultado da lei de Causa e Efeito ou Ação e Reação, é temerário, leviano e

descaridoso. O estupro é sempre um crime abominável aos olhos da justiça terrena e de

Deus e muitas das vítimas apenas sucumbem diante de uma força física superior.

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