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Marca de nascença no menino Ian é evidência a favor da reencarnação. Assista o vídeo clicando aqui.

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Os Jovens não sabem namorar

Publicada em 16/10/2014, por Wilson Czerski

Caracterizado pelo suave encantamento e por um doce mistério, dois seres descobrem um no outro, de modo imprevisto, motivos e apelos para a permuta de emoções e entrega recíproca, desencadeando a partir daí o processo de atração física. Esta poderia ser uma definição de namoro de algumas décadas atrás. Se preferirmos o dicionário, diz-nos o Aurelião que namorar é “procurar inspirar amor... cativar, atrair, desejar ardentemente, cobiçar, empregar todos os esforços para obter... com vontade de possuí-la... paquerar... apaixonar-se... encantar-se...”. Atualmente está tudo diferente. “Não se emprega esforços”; está tudo fácil, disponível, praticamente em qualquer barzinho de esquina, na praia, no carnaval. E ninguém fica com vontade de possuir; se satisfaz imediatamente. Pessoas de idade que se relacionam regularmente pelo sexo, diz-se que estão namorando só porque não estão morando juntos. E nos programas de televisão até os animais namoram. É bem verdade que os românticos tentam manter a aura, afirmando que mesmo casados de muitos anos, são eternos namorados. Mas é de se perguntar, então, aonde é que ficou o encantamento, a inspiração do amor para todos os demais.

O Dia dos Namorados é uma data especial, de troca de presentes, de se dar flores. Hoje, dão-se peças íntimas para serem usadas na transa de logo mais à noite. Não se trata de saudosismo, anacronismo ou moralismo. Vivemos uma perigosa inversão, desvinculando-se a prática sexual da existência do amor e queimam-se, sem-cerimônias, as etapas do namoro e do noivado que eram as fases destinadas à sedimentação das primeiras experiências afetivas e de parceria entre os futuros cônjuges. Não deve admirar, pois, que aumente assustadoramente e ocorram cada vez mais cedo as gravidezes de adolescentes, os casamentos durem cada vez menos e mais e mais filhos sofram prejuízos afetivos e na sua educação geral por força de os pais viverem separados.

A justificativa para este estado de coisas é que os tempos mudaram, o mundo já não é mais o mesmo. Os padrões morais afrouxaram-se e as leis procuraram acompanhar aquilo que para muitos é uma aquisição da evolução humana, com mais liberdade, permitindo a busca constante da felicidade. Ninguém discute se esta busca é justa, se ocorre no lugar e formas corretas. O império dos sentidos, o marketing do sexo arrasta e gera um círculo vicioso. As pessoas mudam por consequência do bombardeio de sensualidade nas novelas, no cinema, nas revistas, nas ruas e ao mesmo tempo investe-se na moda e nas propagandas maliciosas, nas revistas eróticas e nas novelas que se justificam pelo desejo de retratar a realidade, tudo isto porque as pessoas se lançam ao seu consumismo.

Entretanto, se pudéssemos ver as almas humanas munidas de suas respectivas bagagens espirituais ou cármicas, entenderíamos com mais clareza o que se passa. O encontro de dois seres não é um fato fortuito. Ou não deveria ser. Laços invisíveis de energia magnética os atraem mutuamente em graus diversos e, arrancados à multidão anônima, subitamente têm seus caminhos cruzados para a redescoberta íntima. Naturalmente não podemos desconhecer outros fatores bio-psicossociais como a educação, o nível cultural e mesmo o econômico que facilita ou dificulta a interação, mas, frequentemente, vemos estas barreiras serem demolidas quando se interpõem no caminho de dois seres que verdadeiramente se reencontram do passado e revivem os sonhos acalentados e as emoções registradas em seu inconsciente. Há ainda o fator do livre-arbítrio capaz de controlar certas situações pela razão que prevalece sobre o sentimento e mesmo sobre o instinto.

Mas há também as aproximações de antagônicos para promover os reajustes de processos mal resolvidos em vidas passadas, às vezes, de imensa gravidade. Ondas de rancor mal disfarçado, ódios que precisam ser esmerilhados, algemas de tirania física, psicológica e moral, impostas ao cônjuge de outras experiências que o reencontro propiciará a oportunidade de apaziguar, corrigir, libertar e, quem sabe, pela renúncia, pelo impositivo do amor universal, pelo apoio do compromisso assumido diante de outros seres na qualidade de filhos, poderão conduzir ao êxito e algo muito próximo a uma felicidade afetiva total.

É na escola do lar que somos submetidos com as lições mais difíceis e mais belas também e é por isso que tantos fracassam. Avalizados pelos novos costumes, pelo abrandamento das leis e pela flexibilidade até das exigências daqueles que têm no ato do matrimônio um sacramento religioso, ao esbarrar com a menor dificuldade, vem a separação. Para logo mais adiante, cada um, livre, assumir novo relacionamento que, por sua vez, pode durar semanas, meses ou, mais raramente, alguns anos. E a experiência se repete.

O ressurgimento no palco da vida pelas portas da reencarnação não tem por finalidade tornar a experiência terrena num parque de diversões leviano e irresponsável onde se coloca o gozo material acima de qualquer coisa. Visa nosso amadurecimento espiritual pelo crescimento em termos de intelecto e de moralidade. Inúteis as privações fanáticas, masoquistas e, pior ainda, a hipocrisia que oculta atitudes dissolutas. O homem encarnado possui necessidades fisiológicas que lhe são próprias, incluindo o sexo. Este visa a procriação, mas serve também e mais comumente para promover a troca de energias afetivas e de ordem magnética entre os parceiros, desde que a relação tenha a sustentá-la o amor, a compreensão, o respeito.

A decisão de se tomar este ou aquele para esposa ou esposo é influenciada pelos espíritos desencarnados de alguma forma interessados na sua consumação, ligações de parentesco, amizade ou dívidas morais. A mais poderosa destas influências é a exercida por aqueles que aguardam uma nova oportunidade para reencarnar. Por isso o namoro e depois o noivado deveriam ser consideradas como fases de inestimável valor para a estabilidade dos futuros cônjuges. Principalmente para a descoberta mútua não só das virtudes, mas também dos defeitos que ordinariamente todos possuímos.

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