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Especial

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Jornal Comunica Ação Espírita | 140ª edição | 07 de 2020.

Entrevista

 

O jornalista Carlos Antônio de Barros é natural de Campina Grande-PB, tem 69 anos e aposentou-se como microempresário. Casado com Carmem Paiva de Barros, tem quatro filhos – da primeira união dela -, três netos e uma bisneta.

No Movimento Espírita iniciou-se na década de 1970, em São Paulo Na área da Comunicação Social Espírita, a partir de 1980, já em João Pessoa-PB onde reside. 

Foi diretor regional de vários periódicos espíritas brasileiros, como Jornal Espírita, Revista Internacional de Espiritismo, em Matão, Correio Fraterno, A Voz do Espírito, de Ribeirão Preto, todos do estado de São Paulo; revista Harmonia, de Santa Catarina. Idealizador da ANESPB – Agência de Notícias Espíritas da Paraíba, substituída há pouco tempo, depois de quase dez anos, pela CEI – Central Espírita de Notícias. 

Fundador, editor e redator de periódicos digitais como o Kardec Ponto Com, Gente Espírita e Pensador, Carlos é um grande incentivador de escritores, companheiros de profissão na área espírita, artistas e divulgadores em geral.

Carlos Antônio Barros é o nosso entrevistado desta edição.

 

  

CAE - Fale-nos da sua militância no Movimento Espírita: como e quando começou, que atividades já desenvolveu e, especificamente, como tem sido a sua experiência na área da Comunicação Social Espírita?

Carlos Barros - Meu envolvimento com o Espiritismo começou em São Paulo, quando morei por lá entre os anos 1975 a 1980. Foi quando conheci o “Centro de Estudo e Desenvolvimento Espiritual Os Caminheiros”, com sede localizada no bairro Ipiranga. A instituição era administrada pela Família Gasparetto, tendo como dirigentes dona Zíbia e seu filho Antônio Gasparetto. Fui tratar-me de uma incômoda obsessão e acabei ficando com eles durante quatro anos. Aprendi muito em todas as áreas por onde passei, atuando como voluntário em trabalhos de assistência social (em núcleos da instituição, fora e dentro de favela) e como médium de psicofonia em trabalho de desobsessão. Em conversa reservada com a saudosa e estimada dona Zíbia, fiquei sabendo que voltaria a ser jornalista, mas, dessa vez, atuando na divulgação do Espiritismo, sempre defendendo e exaltando os valores das minorias sociais. A minha primeira experiência com a comunicação social espírita começou em 1980 – já morando na capital paraibana – quando comecei com um informativo vinculado ao Clube do Livro Espírita de João Pessoa, fundado com apoio de minha esposa e alguns amigos que atuavam como “agenciadores” – entregando os pacotes de literatura (mensalmente) nas Casas Espíritas frequentadas pelos associados.

Depois do informativo do CLE-João Pessoa, distribuído via Correios para simpatizantes do nosso trabalho pelo Brasil afora, surgiram os convites para correspondente e editor regional em João Pessoa dos seguintes impressos: jornal “Nova Luz” (Florianópolis, SC); revista “Harmonia” (São José, SC); “Jornal Espírita” (da FEESP, São Paulo); jornal “Correio Fraterno” (São Bernardo do Campo, SP); jornal “A Voz do Espírito” (São José do Rio Preto, SP); revista “Tribuna Espírita” (João Pessoa, PB); e a “Revista Internacional de Espiritismo” (Matão, SP). Depois dessas proveitosas experiências, com o fim do vínculo com cada um desses impressos, decidi editar o jornal “Pensador” e criar a primeira agência noticiosa espírita do Nordeste – Agência de Notícias Espíritas da Paraíba. O jornal durou pouco menos de cinco anos. A ANESPB teve suas atividades encerradas antes de completar dez anos. 

 

CAE - Você, através da CEI – Central Espírita de Informações – é responsável por diversos periódicos no formato digital. Quais as principais diferenças para os periódicos impressos?

Carlos Barros – A CEI foi criada para substituir a ANESPB. A produção e distribuição dos seus impressos digitais – Kardec Ponto Com, Kardec Já, Gente Espírita e, agora, Pensador – é online e gratuita. Esses impressos são diagramados pela Oficina CABarros de Editoração Digital, criada para minimizar custos operacionais e de distribuição que, no caso dos impressos em papel, é bem “salgado” sobretudo no custo final de cada edição. O impresso em papel – jornal e revista – está com seus dias contados. 

CAE - Algumas pessoas não concordam com a linha editorial adotada pelos órgãos noticiosos de sua responsabilidade, vendo neles, algumas vezes, um tom muito crítico em relação a posturas e mesmo pessoas. Como você responde a isso?

Carlos Barros – A linha editorial adotada por todos os impressos digitais nos quais sou editor e jornalista responsável é plural, alteritária, democrática e sem nenhuma censura prévia à liberdade de expressão. Obviamente, sem ofensas morais a quem quer que seja. O jornalismo espírita não deve se apresentar como “coluna social”, agradando “gregos e troianos” em busca de mimos e afagos de lideranças e leitores espíritas melindrosos. Tem quem goste dessa linha editorial de bajulação pessoal para obter reconhecimento daqueles que nenhum valor dá ao seu trabalho. O valor é sempre depreciado pelo interesse de quem quer usar o jornalismo espírita apenas para “aparecer” como bom moço.

CAE - Por falar em crítica, a CEI proporciona uma grande oportunidade de intercâmbio com dezenas, talvez centenas de trabalhadores espíritas como jornalistas, escritores, palestrantes, lideranças diversas, presidentes de Centros e órgãos federativos. De tudo o que você lê, vê e ouve, como está o nosso Movimento?

Carlos Barros – Na Paraíba, está excelente. Bem orientado e unificado pela Federação Espírita Paraibana e por suas eficientes coordenadorias regionais. Tudo conforme a política determinada pela Federação Espírita Brasileira. O que não inibe o surgimento de algumas diferenças e controvérsias entre dirigentes de Casas Espíritas que entendem o Espiritismo mais filosófico e científico legado por Kardec, do que aquele que os religiosos místicos – estudiosos de Roustaing e da Bíblia – ensinam como complementado e acabado.

CAE - Muita gente não alinhada à forma como as federativas conduzem o Movimento Espírita dito oficial, queixa-se de sofrer boicotes para palestrar em eventos ou na divulgação e disponibilização de livros de sua autoria, por exemplo. Já as federativas respondem que precisam exercer o controle para evitar conflitos de interpretação doutrinária e unificar pensamentos e ações. Quem está certo?

Carlos Barros – As Federações Espíritas têm uma política social e doutrinária explicitamente definida. Ou seja, trabalhadores, voluntários, associados e cola- boradores são obrigados, por força do seu Estatuto, a manter uma conduta pessoal que não comprometa sua integridade histórica na condução do movimento. Tudo lá funciona na base do “faça o que eu digo...”. A hierarquia é rígida e não tolera questionamentos. Palestrantes e escritores convidados para ter acesso às suas dependências só aqueles que as Federativas Espíritas julgarem simpáticos à sua política doutrinária. Fora disso, não há como o palestrante falar e o escritor expor seu livro nessas instituições.

CAE - Qual é a posição atual dos espíritas em relação à política? A passividade é aparente e pode estar havendo algum tipo de ideologização em nosso Movimento?

Carlos Barros – Política e Espiritismo ainda não se misturam adequadamente. A questão não é ideológica, fisiológica ou maniqueísta. Parece ser de simples entendimento que a Política não se ajusta aos verdadeiros e elevados interesses que o Espiritismo deve despertar em seus adeptos. Uma nasceu para dividir o povo para melhor administrar interesses públicos e privados, quase sempre inescrupulosos. A outra, Doutrina Espírita, surgiu com propósito de educar, orientar, esclarecer e iluminar a consciência do ser humano (espírito encarnado) equivocado no trato de sua melhoria ética e moral. Quem está usando o nome do Espiritismo para criar segmento político-partidário no Movimento está perdendo seu precioso tempo. O Espiritismo não precisa da Política, como a que está sendo praticada, para oferecer uma perspectiva de futuro melhor aos seus adeptos e às minorias sociais.

CAE - Tema inevitável: o que os espíritas estão falando sobre a pandemia da Covid-19?

Carlos Barros – A origem e a causa do surgimento da doença ainda não foi investigada, nem devidamente esclarecida pelas autoridades médicas chinesas. Isso deu margem a controvérsias e especulações responsabilizando a China por todo esse caos epidêmico mundial. Espíritas religiosos e espiritualistas místicos dividiram as atenções dos seus interlocutores, nas redes sociais, com opiniões temerárias e catastróficas. A Covid-19 é um vírus que se tornou mutante de outros vírus da mesma família (Sars-Cov-2), segundo explicação dos cientistas que estão pesquisando-o para descobrir uma vacina capaz de imunizar a população mundial de sua rápida e agressiva letalidade. Fora desse contexto, tudo não passa de falácia dos “procuradores de Deus” para tudo explicar a seu modo de ver as coisas.

CAE - Você e sua esposa passaram há alguns anos por uma experiência muito difícil envolvendo um filho vítima da violência urbana. Considerando a condição de espíritas, como foi passar por tudo isso? O causador foi punido? Que tipo de sentimento prevaleceu em vocês?

Carlos Barros – A morte física do meu enteado Luiz Claudio, filho mais velho de dona Carmem, há cerca de 15 anos, deixou-nos chocados pela forma brutal e covarde do latrocínio que ele sofreu de “amigos” nos quais confiava. Se ele tivesse sobrevivido, teria ficado tetraplégico pelos danos que sofreu na cabeça e no pescoço quando foi agredido a pedradas, numa parada de ônibus próximo ao condomínio onde morava, no bairro dos Ipês, em João Pessoa. Dona Carmem não soube superar a “perda” do filho que mais amava. Daí veio a depressão do luto e, depois dos problemas cardíacos e vasculares, o pânico tomou conta de sua vida. Foram 15 anos de cuidados psicoterapêuticos com base em ensinamentos contidos em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, passes magnéticos e prática mediúnica para afastar espíritos que estavam por trás dos males psicossomáticos. Até mesmo o filho desencarnado aparecia em casa completamente fora de si, deixando dona Carmem mais perturbada, já que é portadora de mediunidade psicofônica e vidência. Quanto aos algozes do meu enteado, um deles apareceu para dona Carmem pedindo perdão pelo mal que fez. Ou seja, já havia desencarnado. O sentimento que prevalece em todos nós é de plena confiança na justiça divina, em face da fragilidade e inoperância da justiça terrena. Todos foram perdoados por nós (três criminosos) e, no tempo certo de Deus, eles serão julgados e punidos conforme a sentença determinada por suas consciências espirituais.  

CAE - JOGO RÁPIDO. Para que os nossos leitores possam conhecer um pouco mais da vida pessoal dos entrevistados, costumamos encerrar com algumas perguntas diretas e respostas esperadas também breves. 

- Um escritor espírita encarnado e outro desencarnado: Octávio Caúmo (encarnado) e Deolindo Amorim (desencarnado).

- Lazer: Ler bons livros, ouvir músicas de qualidade, interagir com familiares e amigos por intermédio das redes sociais. 

- Uma virtude e um defeito: Sou otimista por natureza. Fui implicante até os 50 anos de idade.

- Espiritismo: Está transformando-me em um renovado ser espiritual.

- Um sonho: Saber que ninguém mais “morrerá” de sede, fome, solidão e guerras.

- Uma lembrança: Da avó materna, dona Bia Conceição (desencarnada). Minha eterna gratidão por seu amor e sua proteção, como filho único de pais separados.

- Uma meta pessoal: Sair desta encarnação com “passaporte aprovado” para retornar ao planeta Terra depois de sua transição regenerativa.

- Uma música: “É preciso saber viver”, composição de Roberto Carlos.

- Uma esperança: Que nenhuma esperança morra definitivamente.

- Um livro (espírita ou não): Estou lendo “Os Procuradores de Deus”, de Hermínio Miranda, com selo da Editora Correio Fraterno.

- Brasil: Merece um destino melhor, sem a ingerência dos políticos desonestos e da elite gananciosa que, há 520 anos, manipulam a boa fé do seu povo.

- A vida: Com prova ou expiação, é a vida que pedimos para Deus. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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