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Jornal Comunica Ação Espírita | 140ª edição | 07 de 2020.

Palavra dos Espíritos e dos espíritas

 

Desdobramentos: distanciamentos entre a alma e o corpo

 

Emancipação da alma, desdobramento, projeções astrais, aparições, bilocação ou bicorporeidade, materialização, todas estas denominações estão interligadas e pode-se afirmar que compõem um conjunto de fenômenos anímicos e mediúnicos pertencentes a uma única classe. Isso tudo, sem falarmos, no sono fisiológico que é a mais comum situação de desdobramento que se conhece.

Alguém ofereceu o seguinte interessante quadro. Primeiro grau: sensação de integridade dos amputados; 2º: desdobramento incipiente nos hemiplégicos; 3º: desdobramento autoscópico com o paciente consciente vendo o seu próprio fantasma; 4º: desdobramento com a consciência fora; 5º: narcoses, delíquios, coma, sono natural ou provocado; 6º: no leito de morte.

Vejamos agora uma série de informações retiradas do livro “Perispírito”, de Zalmino Zimermann[1]. No tipo de desdobramento consciente, o sensitivo é capaz de, por exemplo, conversar com o experimentador, descrevendo sensações que muitas vezes podem se confundir entre o corpo físico e o períspirito à distância. Nestas condições, entre muitos outros fenômenos, pode ocorrer a chamada transposição dos sentidos.

É o caso descrito por Cesare Lombroso com C.S., de 14 anos, através de quem ocorria visão pela ponta do nariz e lóbulo da orelha e olfato pelo queixo e dorso do pé. Uma sensitiva cega fazia leituras pelo tato, na luz ou no escuro, e identificação de cores com os olhos vendados. 

A questão da terminologia, conforme já alertava Kardec não pode ser deixada de lado. Como, frisamos no início, alguns fenômenos algo distintos, às vezes, são tomados como sinônimos e, dependendo dos autores, algum deles pode  receber denominação diferenciada.

A “emancipação” da alma, termo utilizada pelo Codificador, Zalmino chama de desprendimento ao qual poderia seguir-se o desdobramento que para ele equivale à bicorporeidade.  Talvez considere que o primeiro possa até ser o primeiro estágio do segundo, porém, não se confunde com a bicorporeidade, pois que esta implica apresentar-se materialmente em dois locais diferentes. Por sua vez, o desdobramento simples ocorre somente com o corpo perispiritual ou mesmo mental.

Ernesto Bozzano, em “Fenômenos de Bilocação – Desdobramento”, narra a mediunidade psicográfica de William Stainton Moses de quem nos ocupamos na seção Traços Biográficos, na nossa edição passada. Moses desdobrou e via o fenômeno como ocorria consigo mesmo. Um espírito colocava uma mão sobre sua cabeça e a outra superposta à sua, mas esta servia só de apoio porque a pena foi tirada e continuou a escrever sozinha, mas era “muito difícil e com erros ortográficos”. Um raio de luz azul mantinha a pena.

Já o russo Alexander Aksakoff, em “Animismo e Espiritismo” conta que uma professora de nome Emilie Segée foi vista por 42 alunas, outras professoras e funcionários da escola várias vezes com seu duplo. A vitalidade deste diminuía a do corpo físico e vice-versa. Um mais nítido e outro mais lento. Em 16 anos, tivera 19 empregos perdidos pelos mesmos motivos. Duas alunas experimentaram certa consistência no duplo (como uma musselina ou crepe).

Casos bem conhecidos de bilocação são os de Afonso de Liguori que, adormecido em Arienzo, assistiu a morte do Papa Clemente XIV em Roma. E o de Antonio de Pádua que, enquanto orava numa igreja em sua cidade natal, ao mesmo tempo estava em Lisboa para provar a inocência do pai.

Um pouco diferente foi o que aconteceu com Andrew Jackson Davis cujo perfil biográfico também publicamos aqui na edição 129 de setembro-outubro de 2018. Em 06 de março de 1844[2], ele teria sido transportado, em desdobramento, de Poughkeepsie até Catskill (64 Km) aonde se encontrou com o espírito de Galeno que lhe revelou o compromisso com os enfermos do corpo e da alma. Galeno estava acompanhado pelo espírito de Emmanuel Swedenborg que prometeu instruir e guiar Davis. 

Hermínio C. de Miranda[3] conta que um espírito que se comunicou pela médium Mireille, na experiência de De Rochas, falou que o espírito da médium desdobrava-se do perispírito para que ele dele se apossasse e daí assumisse o corpo. 

A percepção maior do espírito desdobrado ou desencarnado[4] faria com que certas dores ou gozos fossem sentidos com mais intensidade. O corpo físico é um amortecedor. Não seriam sensações físicas, mas mais autênticas.

E por onde andaríamos quando estamos desdobrados pelo sono fisiológico, por exemplo? As informações trazidas por mentores e mesmo pelos próprios testemunhos dão conta de que isso, em geral, depende dos nossos desejos, preferências, hábitos e conduta diária.

Um espírito mediano, tal qual acontece com os desencarnados, vê-se interditado de penetrar em certas regiões espirituais. De ordinários, permanecemos por aqui mesmo, próximos à crosta, às vezes, sem condições sequer de se afastar poucos metros além do corpo.

Em muitas ocasiões conseguimos excursionar para o exterior do lar, vagamos pelas ruas, fazemos visitas a parentes, reunimo-nos com amigos, interagimos com outros espíritos nas mesmas condições que nós, parcialmente libertos do corpo físico ou com desencarnados, boas companhias ou não.

Quem muito bem descreve estas vivências é o espírito de André Luiz em suas diversas obras. Mas François Brune também traz em sua obra[5] uma narrativa, no mesmo sentido, de um “projetado” que esteve em um bar acusando a presença de marinheiros e muitos desencarnados. 

Um exemplo desses ensinamentos interessantes de André Luiz está em “Domínios da Mediunidade” e sintetizados por Isabel Scoqui na obra “Pessoas de André” [6], mas relacionando complexos processos do desdobramento mediúnico.

 

 

[1] ZIMERMANN, Zalmino. Perispírito. 2ª ed. Campinas-SP: Centro Espírita Allan Kardec, 2002.

[2] Revista Internacional de Espiritismo. Matão-SP: Clarim, janeiro/2006.

[3] MIRANDA, Hermínio de. A Memória e o tempo. 4ª ed. Rio de Janeiro-RJ: Publicações Lachâtre, 1993.

[4] KARDEC, Allan. Revista Espírita. Volume 1860, Março. 1ª ed. São Paulo-SP: EDICEL, 1985.

[5] BRUNE, François. Os mortos nos falam. 2ª ed. Sobradinho-DF: EDICEL, 1994

[6] Scoqui, Isabel. Pessoas de André. 1ª ed. Capivari-SP: EME, 2008.

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