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Jornal Comunica Ação Espírita | 142ª edição | 11 de 2020.

O discurso para o próprio umbigo

Por Carlos Augusto Parchen

 c_a_parchen@yahoo.com.br

 

Para contextualizar, começo reforçando que sou espírita e, por necessidade de comunicação, que sou Kardecista, ou seja, minha crença e fé na Doutrina Espírita é a da base trazida por Kardec no Pentateuco Espírita. Portanto, tenho a análise lógica e da razão como a única ferramenta da fé e do estabelecimento da verdade, pois o que não passar no crivo lógico e racional não pode ser aceito na nossa “verdade pessoal”.

Em adotando esse paradigma fundamental do Espiritismo, evidencia-se que o fundamentalismo, o dogmatismo e o que “...está escrito...” ou  que “... o  Fulano disse...” não cabe. Não é porque está escrito que se torna verdade. Não é porque um “sábio” (médium, escritor, etc.) disse, que é automaticamente verdadeiro.

Infelizmente, exatamente o fundamentalismo, o dogmatismo, o fanatismo, o valor descabido ao “... o que está escrito...” tem proliferado na comunicação espírita, abandonando-se, quase que completamente, o filtro kardequiano da análise à luz da lógica e da razão.

Em tempos da pandemia do Covid-19, essa situação agravou-se ainda mais, com mensagens, exortações, recomendações e orientações postadas nas redes sociais, com um discurso vazio, simplório, feito apenas para o próprio umbigo. Há exceções, é claro, honrosas e de qualidade, que só vem confirmar a regra vigente.

Na maior parte das vezes, essas “comunicações” são apenas repetições inócuas de “singelezas doutrinárias” (o discurso para o próprio umbigo) e o  péssimo hábito de pinçar frases soltas das Obras Básicas, sem a devida contextualização, para justificar pontos de vista que não suportam ou encontram amparo na análise lógica e da razão.

O discurso para o próprio umbigo de muitos espíritas das redes sociais é tão  vazio que não suporta nem mesmo a simples análise dos fatos atuais, como por exemplo: "... a pandemia está mostrando o melhor da humanidade...", quando na verdade está expondo e fortalecendo o que a sociedade tem de pior,  escancarando que esse é o pensamento dominante na nossa sociedade, ou ainda, "... a pandemia veio para acelerar o aperfeiçoamento societário...", quando os fatos expõem e demonstram, cabalmente, exatamente o contrário.

Recentemente, um conhecido escritor espírita paranaense "ousou" propor uma reflexão sobre o que deveria ser feito nesse momento de "regressão social". Os "espíritas de plantão" nas redes sociais queriam "crucificá-lo": "... como o espírito  não involui, não é possível; está nas Obras Básicas...".  E dá-lhe pinçar frases soltas sobre a “evolução” dos Espíritos.

 

Ora, vamos estudar Kardec, aprender a ler (ver, enxergar), contextualizar, compreender e, daí sim, formar opinião, antes desses "arroubos" infantis.

Num mundo  de  expiação e provas "... onde o mal ainda impera...", é claro que a sociedade pode "escolher"  regredir. Submeta-se, pois, à análise lógica e da razão: a) nunca tantas pessoas estiveram submetidas a tanto sofrimento; b) nunca tantos morreram de fome e de inanição; c) nunca houve tantas injustiças  sociais  sendo cometidas; d)  nunca se matou tanto (assassinatos, guerras, acidentes  e outras formas de violência);  e) nunca o meio ambiente foi tão brutalmente destruído, com tanto apoio popular (inclusive de “espíritas”);  f) nunca se teve tantos pobres e miseráveis;  g) nunca teve  tantos  crápulas e tiranos comandando nações, com tanto apoio popular, desde a Segunda Guerra Mundial.

É muito triste ver, nos meios de comunicação espírita, nas intervenções das redes sociais, nas mensagens repassadas, tão pouco conteúdo efetivo e contributivo a respeito da Doutrina Espírita e do que esta doutrina tem a oferecer e a propor à sociedade.

Na maior parte das vezes, o que é divulgado, o que é postado, o que é repassado,  constitui exatamente o que denominei de “discurso para o próprio umbigo”,  simples repetição de pensamentos que, embora aparentemente belos na forma, apresentam pouco conteúdo. Muitas vezes vãs mensagens de “... não percam a esperança...”, de “... mantenham o otimismo, amanhã vai ser melhor...”, de  que “... tudo vai passar...”, de que “... Deus está no comando...”.

Se a Doutrina Espírita for analisada à luz de seu discurso atual, de sua comunicação atual, será considerada um fracasso, considerada apenas como mais uma “linha espiritualista” pouco significativa, a ser apontada como “... mais do mesmo...”.

Será que não temos a oferecer propostas concretas? Propostas aplicáveis à sociedade atual nesse “novo normal”? Será que não somos capazes de discutir alternativas e passar a ter ações concretas nesse sentido? Será que toda a nossa comunicação espírita vai se manter na atual mediocridade do “discurso pelo discurso”, na “mensagem de consolação”? Vamos continuar a ter medo de discutir o que interessa, de enfrentar a realidade dos fatos da vida e da sociedade, de nos posicionarmos fortemente em prol do bem, da verdade, do combate ao mal estabelecido na sociedade? Vamos continuar amedrontados e acovardados na frente de nossos computadores, smartphones, auditórios e salas de passe?

O mundo, a sociedade, precisa do Espiritismo, por ter a melhor proposta filosófica para a vida societária. Mas o Espiritismo precisa das pessoas na CAUSA ESPÍRITA. Não sou o dono da verdade, expresso apenas uma reflexão pessoal. Discordem de minhas colocações, mas concedam a elas o benefício da análise, de ser antítese, de ser comparada à atual síntese pessoal. Quem sabe, assim, construamos novas teses.

 

(*) Expositor Espírita, apresentador do programa de TV “Diálogo Espírita”.

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