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Jornal Comunica Ação Espírita | 142ª edição | 11 de 2020.

Pesquisas apontam sinais de alerta para o Movimento Espírita

Por Ivan Rene Franzolin

 Ano após ano, desde 2015, as pesquisas vêm revelando entendimentos, práticas e tendências preocupantes sem merecerem nenhuma ação para esclarecer, corrigir ou mitigar.

 

A série de pesquisas anuais teve início em 2015 e vem se repetindo até 2020. Sempre obtendo respostas de todo o Brasil e de centenas de municípios. Nesse período, foram mais de 200 questões formuladas e 17 mil respostas obtidas para a difícil tarefa de identificar como pensam e se comportam os espíritas brasileiros.

Os resultados da pesquisa devem servir como indícios para análise e decisão quanto aos ajustes e correções necessários para evitar situações mais agravantes e de solução mais difícil. Da mesma forma, os aspectos positivos devem ser reforçados.

Alguns aspectos sobressaíram ao longo desses anos merecendo os destaques a seguir.

 

Liderança feminina

A participação das mulheres (65%) nas casas espíritas entre trabalhadores e dirigentes é maior que os homens, mas ainda não lideram na presidência (14,2% contra 25,1% masculino). Tudo indica, porém, que estejam próximas dessa conquista. Os estados RJ, RS, ES, DF possuem participação acima da média (70%) e, os estados CE, PB e PR apontam uma participação mais equilibrada (50%).

Centro Espírita

Possui um mentor conhecido (80,7%), costuma receber mensagens dele (74%) e também de espíritos de trabalhadores da casa desencarnados (57,1%).

É baixa a renovação dos espíritas 

As pesquisas indicam que a entrada de novos espíritas é reduzida, pouco mais que suficiente para cobrir as saídas. Os novos espíritas têm idade superior a 40 anos. Mudanças na comunicação interna das casas espíritas e ações na comunidade local poderiam contribuir para atrair mais e novos adeptos.

Baixa participação dos jovens

Todos os anos essa informação é confirmada nas pesquisas. Necessidade de trabalho e estudo na sociedade pode estar consumindo o tempo disponível ou as novas gerações estariam perdendo o interesse? Faltaria oportunidade de trabalho para esse público?

Evangelização ou Educação espírita infantil

É a maior atividade nos Centros Espíritas, após o passe. Pode não estar contando com parte significativa de filhos de espíritas. Pesquisa mostra que 57% dos filhos de espíritas entre três e 12 anos não participam da Evangelização e 20% dos filhos acima de 12 anos não se consideram espíritas.

O espírita é bom leitor de livros

Já leu mais de 20 livros espíritas (64%). Tem acesso ao livro espírita mais pela compra (60%). Preferem comprar no Centro Espírita (63%), oportunidade que não está sendo aproveitada por boa parte das Casas. Depois de ler, preferem guardar (48%) e emprestar (27%). De Kardec, o livro mais lido é “O Evangelho Segundo o Espiritismo” (93%). Estudam os livros da Codificação uma ou mais vezes ao mês (56%) e têm dificuldade para entender (55%).

Há demanda para novos cursos espíritas

Embora os espíritas gostem dos cursos, estes carecem de melhor metodologia e seguem padrões antigos exageradamente religiosos. O público participa dos cursos (84%), avalia positivamente e pede novos cursos (79%). A qualidade do conhecimento espírita ensinado é boa ou muito boa (81%). O grau de conhecimento dos dirigentes e instrutores é bom ou elevado (72%). Entendem que o Espiritismo está sendo mostrado conforme os livros da Codificação (63%).

Trabalhadores sobrecarregados

Gostam de seu trabalho. Fazem três ou quatro atividades diferentes (57%) e não querem mudar de atividade principal (63%). Vão ao Centro Espírita acima de oito vezes por mês (36%) e dedicam mais de 10 horas por mês ao Centro (58%). Fazem regularmente o Evangelho no Lar (52%). Aplicam passes no Centro Espírita (60%). Tomam passes por acreditarem que faz bem, independentemente da eficácia (56%). 

Baixo interesse pelas descobertas históricas do Espiritismo

Desconhecem a tese de Roustaing sobre o corpo fluídico de Jesus (57%). Ignoram que foram descobertas cartas de Kardec (71%). Não ouviram falar nas denúncias de Berthe Fropo sobre irregularidades na condução do Espiritismo na França após Kardec (80%) e não têm conhecimento sobre a possível adulteração de “A Gênese” (54%).

Sobre Jesus

Possuem uma visão de Jesus como uma divindade. Teve uma evolução reta, sem erros (42%). Foi médium de um espírito mais elevado ou de Deus (39%). Foi o "Espírito de Verdade" que auxiliou Kardec (40%).

A visão religiosa do Espiritismo prepondera

Entendem que o Espiritismo deve ser considerado como Religião, Filosofia e Ciência (78%). Que as casas espíritas são mais religiosas do que filosóficas ou científicas (63%) e o grau de intensidade dessa manifestação religiosa é alto ou muito alto (51%). Sua religião/doutrina anterior ou da sua família era a Católica (70,4%).

Sobre Mediunidade

Se consideram médiuns (57%), pois, aprenderam que “todos são médiuns” e entendem que a mediunidade está bem aproveitada (63%). Dizem possuir dois a cinco tipos de mediunidade (39%). O Centro Espírita de que participa mantém atividades voltadas para cura e saúde (62,3%).

Crenças dos espíritas

Concordam com a afirmação: Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho (37%). Acreditam que o Brasil pode se tornar nas próximas décadas um exemplo de conduta baseada na moral evangélica (59%). Creem corretos os relatos de André Luiz sobre as colônias espirituais, como o Nosso Lar (88%). 

Existe uma grande probabilidade de Chico Xavier ter sido Allan Kardec (19,9%) e “não sabem” (36,8%). A Transição Planetária deve acontecer entre 50 e 100 anos (47,2%).

Conhecimento doutrinário

Demonstra merecer mais atenção das instituições, pois, alguns conceitos básicos parecem que não foram assimilados. Acham que possuem um conhecimento básico (57%) e muitos não concordam com todas as explicações espíritas (37%), o que é positivo para dar lugar ao questionamento, mas pode também ser resultado de crenças equivocadas. 

Entendem que na lei de causa e efeito teremos necessariamente de sofrer a mesma dor que impusemos aos outros (56%). Sofrimentos e problemas mais graves na vida podem ser um tipo de castigo ou punição por erros do passado (61%).

O espírito desencarnado mantém todos os órgãos do corpo físico (27%). Continuam a ter necessidade de beber, comer e ir ao banheiro (52%). Acreditam que um objeto especialmente energizado ou fluidificado pode proteger ou prejudicar alguém (35%).

Conclusão

 

O Brasil é muito grande com diferentes realidades. Há espíritas e Centros Espíritas com níveis de conhecimento variados, inseridos em culturas distintas e sofrendo influências próprias que caracterizam o modo de pensar, o entendimento doutrinário e até a terminologia usada.

É importante conviver e respeitar as diferenças, mas é preciso também identificar os desvios e interpretações equivocadas que colaboram para o sincretismo religioso e o distanciamento da proposta original de Kardec. Pesquisas podem contribuir para a tomada de ações voltadas para um conhecimento menos superficial e fragmentado.

Acesso a todas as pesquisas no endereço:  http://franzolim.blogspot.com/

Ivan Franzolim é palestrante, escritor e pesquisador espírita.

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