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Jornal Comunica Ação Espírita | 144ª edição | 03 de 2021.

Perguntas & Respostas

Por Wilson Czerski

 

Temos sido perguntados seguidamente sobre a pandemia do coronavírus. Talvez as duas indagações mais frequentes sejam sobre se ela representa uma expiação ou provação coletiva e a segunda se o vírus é obra divina.

Vamos começar por esta última, lembrando que se muitas dúvidas ainda assaltam a ciência, com mais razão, devemos usar de total prudência ao tratar do assunto do ponto de vista filosófico ou mesmo religioso. 

Certamente só essa dúvida já comportaria muitas reflexões e discussões, demandando tempo e espaço não disponíveis no momento. Porém, alguns conceitos e suposições podem contribuir para sinalizar um caminho que equacione a questão. Senão, vejamos.

Entendemos que Deus é o criador de tudo o que existe, todavia, não podemos tomar essa concepção no sentido literal como forma absoluta da verdade. Deus criou os astros, os princípios material e espiritual e determinou leis que regem todas as elaborações originadas destes princípios, leis físicas e naturais, ou morais, conforme vemos em “O Livro dos Espíritos”.

Através de uma delas, a lei de progresso, surgem todos os tipos de vida biológica no topo da qual situa-se o ser humano e este, pela sua inteligência e livre-arbítrio, torna-se cocriador de muitas obras que temos diante dos olhos no planeta em que vivemos e, quiçá, em outros tantos mais.

Deus não cria edifícios, automóveis, produtos agrícolas transgênicos nem animais clonados. Isso se dá tão somente pela ação humana, embora com a permissão dele. Talvez seja o caso do coronavírus.

Até agora, passado um ano e meio dos primeiros casos no mundo, sua origem continua envolta em nebulosas especulações. Que começou na província de Hubei na cidade de Wuhan, na China, isso todos sabemos. Contudo, se o início de sua disseminação foi a partir de feiras livres de animais silvestres vivos destinados ao consumo humano, comuns na região, passando daí aos humanos, ou se foi “fabricado” em laboratório e com quais intenções, pensamos que tal jamais será sabido com certeza.

Uma inspeção constituída por especialistas da Organização Mundial da Saúde, foi, finalmente, autorizada a entrar no país no início de fevereiro deste ano e visitar hospitais onde se registraram os primeiros casos da doença e o instituto de virologia local. 

É de se perguntar que tipo de resultado poderia ser obtido nessas circunstâncias, mais de um ano depois do início do aparecimento do vírus e com a comitiva sempre vigiada pelas autoridades chinesas e com vários locais que foram interditados à visita.

Então, concluindo a primeira resposta, não faz sentido afirmar-se que Deus criou o coronavírus, responsável pela desencarnação de 2.725.000 pessoas até o dia 21 de março. Ele é fruto das forças da natureza, na hipótese mais palatável, ou da própria vontade humana, saindo dos laboratórios intencionalmente ou não, abrindo-se assim a possibilidade de acidente por negligência, ou com propósitos que seriam dos mais tenebrosos e que, segundo muitos, não passaria de teoria conspiratória e inadmissível.

Agora nos debrucemos sobre a primeira pergunta. Ainda que tenha contado somente com a permissão – mas não imposição – de Deus, a pandemia estaria atendendo algum propósito de cumprimento da lei de justiça divina? 

Em outras palavras, se não chega a ser um castigo, pois que a Doutrina Espírita não encampa tal possibilidade de ação por parte de um Ser absolutamente perfeito e bom, poderia caracterizar, ao menos, uma expiação coletiva?

Respondemos que, no nosso modesto modo de ver as coisas, a pandemia tem-se revelado como um poderoso instrumento não só expiatório, mas também provacional e, em certo grau, até mesmo com nuances missionárias.

Necessário compreender que quando falamos em expiação ou provação coletiva, não estamos falando da totalidade dos indivíduos e nem que isso signifique que todas as pessoas atingidas por um flagelo qualquer estejam na mesma situação. 

A lei de Causa e Efeito aciona seus mecanismos de diferentes maneiras e não de forma padronizada para todos os casos e todas as pessoas. Às vezes, pode alcançar grupos de pessoas que participaram juntas de uma infração grave à lei de Deus e, por conseguinte, também quitam seus débitos em um mesmo evento.

Porém, provavelmente, na maioria dos casos, não é isso o que sucede, especialmente quando nos deparamos com uma catástrofe de dimensões globais como essa pandemia. Cada um trilha seu próprio caminho individual de erros e acertos e constrói um conjunto de consequências que não guardam necessariamente semelhança alguma com o do vizinho ao lado.

As causas que podem levar uma pessoa a passar por algumas ou todas as fases da doença são diversas e bem particularizadas. Da infecção, aos sintomas leves e destes aos de maior gravidade e, por fim, para tantos, até o óbito – e estamos conjecturando aqui que todos estivessem em processo expiatório – seriam efeitos resultantes de atos eventualmente até similares, porém, mais lógico pensar-se em somatórios de experiências bem distintas.

Entretanto, dissemos que a pandemia também poderia caracterizar uma provação coletiva. E, pessoalmente, arrisco-me a dizer que, além de ser simultânea à expiação, esta deve prevalecer em relação ao número de pessoas atingidas. Mas, ainda que assim não fosse, difícil imaginar que todas as vítimas do coronavírus estejam pagando com a vida por terem tirado a vida de alguém em alguma reencarnação passada ou espalhado veneno no ar. Parece-nos franco exagero esse tipo de raciocínio.

Porém, que está sendo um teste dos mais difíceis para todos nós, disso não há nenhuma dúvida. Parece haver com esse vírus uma intenção que nos escapa à observação mais apressada. Primeiro ele era mais letal para os idosos e indivíduos com comorbidades. Aproveitava-se, pois, de vulnerabilidades já existentes. 

Mas, de repente, ele demonstrou ser “inteligente”, reinventou-se e agora passou a alcançar também os mais jovens e com força redobrada. Ele já não escolhe suas vítimas por idade ou condições gerais de saúde, mas ataca indiscriminadamente e todos estão ameaçados e sofrem. E muitos morrem.

Mais apropriado, então, falarmos em provação coletiva. Cabe-nos agir com prudência para tentar driblá-lo ou vencê-lo mediante a paciência, fé e coragem, além dos cuidados médicos preventivos, incluindo a vacinação quando disponível e aprendermos com as lições que ela, a Covid-19 está nos proporcionando.

Para fechar, como não admitir que para algumas pessoas, entre as quais despontam os profissionais da saúde, essa enfermidade não possua algum conteúdo missionário? Estão fazendo muito mais do que poderia deles se esperar e talvez tivessem programado ao escolher tais atividades como ramo de trabalho.

Constituem para eles uma provação? Sim, também, mas há um fundo especial de dedicação extra, de devotamento para cuidar do próximo. Outros exemplos têm surgido de todos os lados em que pessoas de diversas maneiras destacam-se ao buscar desenvolver ações em benefício alheio. 

Concluindo, na maioria das pessoas temos mescla de expiações e provações concomitantes. Para alguns outros talvez estejamos diante de provas e missões. Ou até as três situações juntas.

 

 

 

 

 

 

 

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