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Jornal Comunica Ação Espírita | 144ª edição | 03 de 2021.

Traços Biográficos

 

Hoje escreveremos a respeito de uma figura bastante citada em obras espíritas, sem, contudo, que ele em momento algum tivesse se considerado espírita. Foi, sim, um grande estudioso dos fenômenos espíritas, especialmente, os de efeitos físicos.

Faz parte daquela galeria composta por vultos eminentes que deram sua valiosa contribuição à ciência espírita como Ernesto Bozzano, Gabriel Delanne, Cesar Lombroso, Arthur Conan Doyle, Charles Richet, Myers e tantos outros.

 Estamos nos referindo ao russo Alexander Aksakoff, nascido a 27 de maio de 1832 e desencarnado em 04 de janeiro de 1903, em São Petersburgo. Foi diplomata, professor, jornalista, tradutor, editor. Foi conselheiro privado do imperador Alexandre III.

Lecionou na Academia de Leipzig, fundou e dirigiu a revista Revue du Médium, em 1873. No ano seguinte, fundou outra revista, a Psychische Studien, na Alemanha. Ainda nessa área, anos mais tarde, em 1891, lançou em Moscou a revista de estudos psíquicos Rebus, a primeira do seu gênero na Rússia.

Em 1955, Aksakof iniciou a tradução para o russo das obras de Allan Kardec. Formou em seu país a primeira comissão de cientistas para estudar exclusivamente os fenômenos espíritas. Para tanto, trouxe da França e da Inglaterra alguns médiuns famosos da época que ali foram experimentados em suas faculdades.

A conclusão da comissão foi desfavorável, mas Aksakof não se deixou abalar e prosseguiu em suas pesquisas. Colaborou com William Crookes nas experiências e observações das materializações de Katie King através da médium Florence Cook.

Da comissão constituída em Milão, em 1891, para estudar a mediunidade de Eusápia Paladino, resultou a sua obra mais conhecida, “Animismo e Espiritismo”, publicada em 1890. Da mesma forma, do estudo dos fenômenos produzidos pela médium Elizabeth D Esperance, a quem acompanhou por mais de 20 anos, por assim dizer, nasceu outra obra sua, “Um caso de Desmaterialização”. 

Sobre as sessões com Eusápía, encontramos[1] no suplemento do jornal L’Italia, de 18/11/1892, relatórios das 17 reuniões na casa do Dr. Finzi assinados por Lombroso, Richet, William Crookes e ele, Alexander Aksakof.

A parceria entre ele e D’Esperance, estudada em Gotemburgo, rendeu outro livro, desta vez assinado pela própria médium e prefaciado pelo estudioso russo. Trata-se de “No país das Sombras”. 

Ali consta o relato de que a médium certa vez recebeu uma carta de um homem que iria se suicidar, mas um artigo do espírito Stafford, psicografado por ela e publicado por Aksakof, impediu.

          De outra feita[2], Aksakoff testemunhou a desmaterialização parcial do corpo de D’ Esperance. Sempre atento a todos os detalhes, ele relatou que, às vezes, há desmaterialização total do médium para a materialização de um espírito, porém, também, o que poderia parecer um simples truque, o próprio médium aparecia fora do gabinete a despeito de cordas, etc. que o prendiam.

   Alberto De Rochas[3] conta que Aksakof, tendo D’ Esperance como vidente, esta descreveu o que ocorria com outra médium que exteriorizou o corpo astral por sua própria vontade.

Para Aksakof[4], durante os fenômenos de materialização, o corpo da médium se resumia, nestes momentos, a um simulacro, só faltando ele para completar a médium no corpo materializado. Mas, então, como explicar a outra personalidade? Na verdade, o duplo da médium (corpo vital e/ou perispírito) é que se desdobra, ainda que, às vezes, às expensas da desmaterialização parcial do corpo mediúnico. D Esperance sentia a exteriorização, mas não perdia a consciência do corpo.

O sábio russo classificou as comunicações em 1- anímicas (desdobramentos, clarividência, telecinesia, psicometria, telepatia, sonambulismo); 2- fenômenos anímico-mediúnicos (comunicação de pessoas vivas) e 3- espíritas.

Em “Animismo e Espiritismo”[5], ele narra o caso da professora Emilie Segée que foi vista por 42 alunas, outras professoras e funcionários da escola, várias vezes, com seu duplo. A vitalidade deste diminuía a do corpo físico e vice-versa. Um mais nítido e outro mais lento. Em 16 anos, tivera 19 empregos perdidos pelos mesmos motivos. Duas alunas experimentaram certa consistência no duplo (como uma musselina ou crepe).

    Aksakof fez pesquisas sobre telepatia na Sociedade de Pesquisas Psíquicas que não convenceram, à época, a massa. Em outra oportunidade, fotografou o espírito de Abdullah e John King (pai de Kate, sua filha).

    Em 1884, ele, então diretor do Psychische Studien, convidou Charles Richet para conhecer os fenômenos. Mais tarde, em Milão, estiveram juntos na comissão formada parta estudar Eusápia Paladino, junto com Lombroso.

Bom recordar aqui que os fenômenos de materializações foram estudados por diversos cientistas. Aksakof foi um deles. Paul Gibier, Richet, Ochorowcz, Notzing, Lombroso, Myers, De Rochas, Bozzano, Geley foram outros. No lado dos médiuns podemos citar Douglas Home, Eusápia, D Esperance, Willian Eglinton, Franek Kluski e Jean Guzin (poloneses), Eva Carriére (argelina), Rudi Scneider (austríaco) e Einar Nielsen (dinamarquês).

     Léon Denis [6] conta que certas visões eram materializações parciais que vinham antes das fotografias que as confirmavam. Os espíritos não eram conhecidos dos médiuns, mas reconhecidos por outros presentes (por detalhes de roupas, etc), mas com Aksakof ocorriam também na ausência de quaisquer conhecidos.

      O sábio russo obteve numa mesma fotografia a imagem do médium Eglinton e do espírito. Ele também teria comprovado que se podia fotografar no escuro.

      De outra vez, Aksakof[7], em companhia do Dr. Mouck, observou um só médium e quatro espíritos materializados (dois homens e duas mulheres); os cinco visíveis simultaneamente. 

 

Referências:

 

[1] O Imortal. Cambé-PR, julho/1999

[2] ZIMMERMANN. Zalmino. Perispírito. 2ª ed. Capinas-SP: Centro Espírita Allan Kardec, 2002.

[3] ROCHAS, Albert DE. As vidas sucessivas. 1ª ed. Rio de Janeiro-RJ: Lachâtre, 2002. 

[4] Revista Internacional de Espiritismo. Matão-SP: Clarim, janeiro/1999.

[5] MIRANDA. Hermínio C. Memória e o tempo. 4ª ed. Rio de Janeiro-RJ: Lachâtre, 1993.

[6] DENIS. Léon. No invisível. Rio de Janeiro-RJ: FEB.

[7] ZIMMERMANN. Zalmino. Perispírito. 2ª ed. Campinas-SP: Centro Espírita Allan Kardec, 2002.

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