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Jornal Comunica Ação Espírita | 73ª edição | 05 de 2009.

O Espiritismo é uma filosofia - II

Por Y. Shimizu

Quando se tem por objetivo um estudo amplo da Filosofia Espírita, o escritor Deolindo Amorim diz em seu livro “Doutrina Espírita”, que “antes de tratarmos da Filosofia Espírita, que é uma filosofia com princípios próprios, devemos, indispensavelmente, ter conhecimento da Filosofia Geral” (2002, p. 8).

Com esse fim, foi explanado no número precedente que o conhecimento humano, adquirido no decurso de sua vida, pode ser de três tipos (usual, explicativo e aplicativo e indagativo) e que o indagativo é adquirido ao interrogar a realidade global, e que o conhecimento filosófico enquadra-se no indagativo.

O conhecimento explicativo e aplicável, no qual se inserem as ciências, possui um objeto formal (perspectiva) bem distinto do indagativo. Como afirma Jolivet, “os problemas da Ciência não são os mesmos da Filosofia”... “A Ciência se aquartela na determinação das leis dos fenômenos. A Filosofia quer conhecer a natureza profunda das coisas, suas causas supremas e seus fins derradeiros”... Esta última se ocupa “da natureza profunda das coisas, seu valor e seu fim e o conhecimento das essências, dos valores e dos fins” (1963, p. 19). A Filosofia “é sempre perquirição de raízes ou indagação de pressupostos... de evidências universalmente válidas”. (REALE, 1988, p. 7).

Tendo em vista o fato de o conhecimento indagativo não ser acumulativo; com isto significando que o filósofo não parte, como o cientista ou o técnico, do ponto atingido pelo seu antecessor. As limitações humanas não permitem que ele abarque e domine toda a realidade global. Ele apenas consegue ter uma visão dessa realidade a partir de um determinado ponto, usando como alicerce de sua especulação o contexto social, cultural, econômico, científico, histórico e religioso em que está inserido. E, essa sua visão é a sua verdade, que procura vivenciar e disseminar entre os seus semelhantes.

Então, o conhecimento filosófico é verdadeiro, embora seja de teor individual, de um grupo, ou de uma comunidade que adota essa visão. E de acordo com o ponto pela qual ele vê a realidade e segundo o alicerce e o procedimento empregado, constituem-se as correntes, as escolas e as teorias filosóficas.

Contudo, como expõe Deolindo Amorim, na sua obra “Análise Espírita, “existe a filosofia em si, a filosofia livre, assim como existem filosofias diversas, segundo as escolas e as teorias pessoais. O que se pode chamar de filosofia livre é justamente a indagação natural, a reflexão profunda acerca das causas primárias, sem subordinação a qualquer esquema rígido” ... “É a Filosofia com visão global do Universo, preocupada com a razão última das coisas, como necessidade do espírito inquiridor, o espírito que tem sede de saber mais” .... “A Filosofia em si está no espírito: é a elaboração do conhecimento superior, através de mecanismos que permitem à criatura chegar à compreensão da vida e das coisas pela luz da razão bem trabalhada ou pela alta intuição”. (1993, p. 136 a 138).

Miguel Reale lembra que “a Filosofia, com efeito, procura sempre resposta a perguntas sucessivas, objetivando atingir, por vias diversas, certas verdades gerais, que põem a necessidade de outras; daí o impulso inelutável e nunca plenamente satisfeito de penetrar, de camada em camada, na órbita da realidade, numa busca constante do sentido, na qual se situem o homem e o cosmos” (1988, p.4).

O filósofo paranaense Ney Lobo demonstra que “a Doutrina [Espírita] assume, realmente, a configuração técnica e formal de verdadeira filosofia, objetivamente”... “Ao se definir a Filosofia encontramos frequentemente três elementos fundamentais: 1) universalidade ou visão de toda a realidade, de todos os entes, reais ou apenas de razão; 2) as causas mais fundamentais dos entes; 3) a razão humana, como instrumento ou meio de procura dessas causas” (1989, p. 43).

Com efeito, “a Doutrina Espírita traduz o primeiro requisito, pois o objeto material abrange toda a realidade em todas as suas dimensões” (1989, p. 43).

Ela “satisfaz ao segundo, ou seja, o seu objeto formal, porque procura atingir o seu amplíssimo objeto material pelo aspecto ou ponto de vista das últimas causas de todas as coisas” (1989, p. 45). Efetivamente, o Espiritismo busca as causas últimas dos fenômenos, porque ele transcende a linha de causalidade próxima do plano físico, para saltar a uma linha superior de causas” (1989, p. 45).

É, finalmente, compatível com o terceiro requisito, pois emprega como instrumento unicamente a razão, porquanto embora a Doutrina Espírita aceite uma revelação, ela não admite uma razão sobrenatural, porquanto se trata de revelações trazidas por seres humanos desencarnados, cujos conteúdos são ideias, informações e mensagens de teor racional, e não mistérios ou dogmas suprarracionais. (1989, p. 47 a 49).

Ney Lobo conclui sua tese afirmando que “existe a Filosofia Espírita, a qual, sem nenhum favor, se apresenta com alto grau de originalidade, sendo, ao mesmo tempo, mais abrangente e profunda do que qualquer outra. A Doutrina Espírita estadeia o seu elevado expoente metafísico, acima da areia movediça das opiniões, da ocorrência ondulante dos fenômenos e da marcha inexorável do tempo” (1989, p. 49).

Referências

AMORIM, Deolindo. Análises espíritas. Rio de Janeiro: FEB, 1993.
AMORIM, Deolindo. Doutrina espírita. 2.ed., Salvador: Círculus, 2002.
JOLIVET, Régis. Curso de filosofia. Rio de Janeiro: Agir, 1963.REALE, Miguel. Introdução à filosofia. São Paulo: Saraiva, 1988.
LOBO, Ney. Filosofia espírita da educação. v. 1. Brasília: FEB, 1989.

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