ADE-PR: Associação de Divulgadores do Espiritismo do Paraná

Especial

Marca de nascença no menino Ian é evidência a favor da reencarnação. Assista o vídeo clicando aqui.

Jornal Comunica Ação Espírita | 73ª edição | 05 de 2009.

Jornalismo Espírita - I

Por Wilson Czerski

Este jornal é o órgão oficial da Associação de Divulgadores do Espiritismo do Paraná e como tal tem o compromisso de manter uma linha editorial que reflita o pensamento e ações de sua diretoria. Uma das grandes preocupações da instituição é atuar no sentido de disseminar o conhecimento de métodos que auxiliem o trabalho de divulgação espírita pelos diversos meios como a mídia (rádio, Tv, jornal, internet), o livro, as artes, etc. E isso tem sido feito ao longo dos anos, mas principalmente no decorrer das vinte últimas edições quando abordamos aqui em “Divulgar com Eficiência” muitos destes temas. Agora chegou a vez justamente de tratarmos daquilo que estamos fazendo, ou seja, um jornal espírita.

Mas mesmo antes de iniciarmos esta seção em novembro-dezembro de 2006, uma outra, “Subsídios para a Melhoria da Imprensa Espírita” inaugurada no bimestre março-abril de 2000, de responsabilidade de Y. Shimizu, vem desde então contribuindo neste objetivo de aprimoramento na forma de escrever nos periódicos voltados para o segmento espírita. A diferença é que enquanto esta mantém o seu foco na forma, envolvendo o uso correto do idioma e suas regras gramaticais e ortográficas, o que traremos nesta edição e nas próximas, cuida do conteúdo a ser transmitido, embora sem negligenciar daquelas mesmas orientações de caráter geral quanto às formas de expressão do pensamento.

Muitos jornais e articulistas continuam alheios às reais necessidades da sociedade, escrevendo e publicando repetições em cima de repetições em linguagem arcaica, exaurindo a paciência do leitor ávido por informações novas e práticas, quando não, ao menos sob enfoques diferentes, enriquecidos, que fujam do lugar-comum, da mesmice que se vê com tanta frequência.

A primeira questão que devia se impor a quem pretende enviar uma colaboração para um periódico, espírita ou não, é “por que escreverei?” Não basta querer colaborar, nem mesmo saber - o ato de escrever e o assunto. É preciso ter um objetivo. Se não tivermos nada de novo para dizer, se for só para repetir aquilo que outros já disseram, sem nada acrescentar, é recomendável gastar o tempo com outra ocupação e deixar o espaço livre para quem possua conteúdo de interesse.

Há certos pontos que precisam ser reprisados com frequência, outros ocasionalmente como reforço, lembrete ou sob ótica particular de análise, mas daí ao que ainda se vê nos nossos periódicos torna-se até abusivo. Meras transcrições de mensagens, comentários sem criatividade sobre virtudes evangélicas ou destituídos de profundidade sobre reencarnação, aborto, etc. desestimulam o leitor.

Tais informações elementares só se justificariam para leitores não-espíritas, o que ocorre quando veiculadas em jornal leigo ou, sendo espírita, distribuído em bancas, porém, quase sempre o público-alvo é um ilustre desconhecido do editor. Jornais, revistas e boletins, constituem importantíssimo canal de comunicação espírita, que deve se completar com a compreensão, pelo receptor, da mensagem veiculada e a reação deste deve servir de aprimoramento ao meio e à própria mensagem subsequente. Recomenda-se haver interatividade entre o jornal - e jornalistas - e o público através da crítica, pesquisa, seção de cartas do leitor, da diversidade de opinião, etc.

Se não tivermos nada de novo para dizer, só repetições sem nada acrescentar, melhor gastar o tempo com outra ocupação e deixar espaço livre a quem possua conteúdo de interesse.

Forneceremos aqui diretrizes orientativas a quem escreve ou pretende escrever na imprensa espírita, sem a pretensão de esgotar o assunto. A corriqueira situação de trabalho não remunerado realizado por jornalistas não profissionais e direcionado a espíritas de quem se espera a caridade da tolerância não deve servir de justificativa para a acomodação. Os conceitos espíritas despertam mentes e corações com rapidez crescente e cabe-nos a responsabilidade por colocá-los ao alcance de todos com competência, clareza, correção, amor e, por que não, uma certa dose de elegância literária.

Listaremos a seguir uma série de tópicos que julgamos em momento algum possam ser negligenciados pelo jornalista espírita. O desenvolvimento dos mesmos não cabe neste trabalho e para tanto sugerimos recorrer à bibliografia apropriada.

Objetivo Primordial

Dividir com os leitores os conhecimentos e experiências que já possui do Espiritismo proporcionando condições de que os mesmos adquiram algo de bom e útil ao seu bem-estar presente e futuro.

Objetivos secundários

oferecer ao público leigo os princípios e conceitos básicos do Espiritismo a título de informação cultural, concorrendo para o gradual desaparecimento de equívocos em relação a outras práticas religiosas ou supersticiosas e a derrubada de preconceitos;

incentivar o engajamento do leitor espírita ao movimento, tornando-o mais consciente e participativo na realização de tarefas e busca de soluções para os problemas existentes;

contribuir com os outros meios de comunicação para a divulgação dos conhecimentos doutrinários, colocando-os ao alcance de toda a sociedade e não somente do segmento espírita;

promover pelo debate, autocrítica e diversidade de opiniões as condições para o revigoramento do movimento e a unificação em torno das linhas mestras estabelecidas pelo Codificador;

atualizar e dinamizar a informação espírita submetendo os fatos sociais à sua ótica de análise para que o leitor encontre respostas para as questões e problemas mais afligentes da atualidade;

a despeito do caráter amadorístico, buscar reciclagem e o uso de técnicas modernas da comunicação escrita, apresentando com equilíbrio o tríplice aspecto do Espiritismo e tornando a leitura agradável e enriquecedora para o destinatário da mensagem.

Orientações gerais

Formador de opinião, o jornalista serve de referência para o leitor, expositores, dirigentes e outros autores, implicando em alto grau de responsabilidade pelo papel que desempenha. Por escrever para o público e não para si, nem sempre o que sabe ou gosta dizer, interessa ao leitor. Deve-se ter em mente que este deve ser visto como um consumidor cujo nível de satisfação precisa ser conhecido e buscado sempre. Daí a necessidade da crítica e da autocrítica, do questionamento permanente.

Estes questionamentos e outros tópicos como o personalismo, imparcialidade, estilo, estrutura de texto, revisão, tipos de períodos, etc. serão comentados na próxima edição.

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