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Especial

Marca de nascença no menino Ian é evidência a favor da reencarnação. Assista o vídeo clicando aqui.

Jornal Comunica Ação Espírita | 74ª edição | 07 de 2009.

Reencarnação ou pluralidade das existências: Contribuição científica à teoria da reencarnação

Por Wilson Czerski

Na edição passada examinamos principalmente o aspecto filosófico que embasa a idéia da reencarnação. Passemos â ciência e à religião. Por ignorarem certas leis naturais ou por lhes faltar ainda meios mais contundentes de convencimento, muitas pessoas preferem simplesmente ignorar os fatos. Felizmente em nossos dias tais temas têm merecido o exame de alguns estudiosos sérios e sem ideias preconcebidas avalizando o pensamento espírita.

Ian Stevenson da Universidade de Virgínia nos EUA estudou cerca de 600 casos dos quais selecionou 200 e finalmente dos 20 mais significativos compôs o livro “Vinte Sugestivos Casos de Reencarnação”. Hamendras Nath Banerjee, na Índia e depois migrando para os Estados Unidos, em 25 anos de pesquisas, catalogou 1.100 casos dos quais muitos deles, mesmo as mais imaginosas tentativas de invalidá-los, não lograram êxito.

As experiências com Terapia de Vidas Passadas difundiram-se mais largamente a partir do trabalho do psicólogo americano Morris Netherton em 1967 e depois com a Dra. Edith Fiore. O físico Patrick Druot operou 3.000 sessões de regressão de memória e em seus retornos às vidas pretéritas nem um só dos pacientes manifestou o nome de alguma personalidade famosa como muitos acusam. No Brasil, entre outros, a comprovação da reencarnação foi alvo de pesquisas de Hernani Guimarães Andrade e Henrique Rodrigues, ambos agora desencarnados.

A reencarnação na religião

Várias religiões, principalmente as orientais, são assentadas na crença da possibilidade das almas voltarem à vida carnal. No Velho Testamento, Isaías, cap. XVI vs. 19, afirma: Aqueles do vosso povo que se tenham feito morrer, viverão de novo. Job, cap. XIV. vs. 10/14, afirma: Quando o homem está morto, ele vive sempre; terminando os dias de minha existência terrena, esperarei porque a ela voltarei de novo. Em São Mateus, cap. XVII, vs. 10/13 e também Marcos, cap. IX, vs. 9 a 12, temos Jesus respondendo aos discípulos sobre a vinda de Elias: É verdade que Elias deve vir e restabelecer todas as coisas, mas eu vos declaro que Elias já veio e não o conheceram. Então compreenderam que era de João Batista que lhes havia falado. Em Mateus, cap. XI, vs. 12 a 15: (...) desde o tempo de João Batista até o presente... e se quereis compreender o que vos disse, é ele mesmo, o Elias que deve vir. Ouça aquele que tem ouvidos para ouvir.

Mas a confirmação mais eloquente está no diálogo entre Cristo e o senador Nicodemus. – Ninguém pode ver o reino de Deus se não nascer de novo. – Como pode nascer um homem que já está velho? Acaso pode ele  entrar no ventre  de sua  mãe para nascer uma segunda vez? – Se um homem não renascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne e o que é nascido do espírito é Espírito. Sois mestre em Israel e ignorais essas coisas?

O que muito pouca gente sabe é que até o ano de 543 d.C. a própria Igreja Católica adotava a ideia da reencarnação como se pode ver em Orígenes (185 – 254 d.C.). Em 538 d.C. o Sínodo de Constantinopla publicou e cinco anos mais tarde foi aprovado o Edito que condenou o grande pensador religioso bem como a crença na pluralidade das existências.

Reencarnação e ressurreição

Confusão, desinformação, má vontade e má-fé, estes os motivos mais frequentes para se ignorar a lei da reencarnação. Alega-se que Jesus não usou este termo, mas ressurreição. Para início: é ressurreição (ressurgir) da carne ou na carne? As ideias dos judeus sobre o assunto eram indefinidas, pois possuíam somente vagas e incompletas noções sobre a alma e sua ligação com o corpo. Criam na possibilidade de o homem que já tivesse vivido uma vez, tornar a fazê-lo, mas ignoravam a forma como isso podia se dar. Designavam ao fenômeno de reviver pelo vocábulo ressurreição que lhes parecia mais prático e Jesus, diante da dificuldade de se fazer entender plenamente àqueles homens rudes e incultos, optou por servir-se da expressão que já tinha trânsito entre eles.

A Ciência ensina que a ressurreição do corpo que morre é impossível enquanto a reencarnação é o retorno de um espírito através de outro corpo novamente preparado para ele. Se nos reportarmos às passagens do evangelho referentes aos casos supostamente enquadrados de ressurreição, veremos que todos eles, não se excluindo nem mesmo o ocorrido com Jesus, dão margem a interpretações naturais sem o recurso da solução simplista de milagre. Assim foi com a filha de Jairo que Jesus declara que estava dormindo e não morta. Provavelmente estava em catalepsia ou, mais profundo ainda, em letargia.

Quando isso acontece, há exteriorização quase total do perispírito ou corpo astral, provocando a ausência de consciência e diminuição significativa dos sinais vitais. Jesus, pelos seus excelentes dotes fluídico-curativos, ao ordenar que ela se erguesse, direcionou um poderoso influxo energético suficiente para reanimá-la. Até algumas décadas atrás era mais ou menos comum, especialmente nas zonas rurais, o sepultamento de pessoas vivas. O que dizer daquela época em que os recursos médicos para o diagnóstico do óbito eram muito mais precários? Acrescente-se o hábito de então dos judeus de procederem a inumação imediatamente após o desencarne como se pode ver nos Atos dos Apóstolos, cap. V, vs. 5 e seguintes.

O caso mais controvertido de ressurreição é o de Lázaro. Argumenta-se que estava morto há quatro dias e cheirava mal. As letargias podem durar oito dias ou mais. Quanto à decomposição, note-se o fato de que em certos indivíduos a mesma pode ocorrer de modo parcial, principalmente nas extremidades e internamente, mesmo antes da morte se consumar. Esta só se dá quando atinge órgãos vitais. Pergunta-se ainda: quem afirmou que cheirava mal? Sua irmã Marta. Mas se ele estava sepultado há quatro dias, ela podia supor isso, mas de modo algum atestar.

Finalmente, em relação à pseudo-ressurreição de Jesus, examinemos o seguinte. Destaquemos alguns trechos que narram o seu aparecimento após a crucificação. À Madalena – primeira pessoa a revê-lo – ele pede para que não o toque. Depois caminha ao lado de dois de seus discípulos, mas estes “tinham os olhos tolhidos a fim de que não o reconhecessem”, situação que perdurou até o momento da ceia quando abençoou o pão e lhes deu de comer. Mais tarde à margem do Tiberíades, reaparece, porém os discípulos não o reconhecem.

O reaparecimento de Cristo foi em seu corpo fluídico ou energético, o perispírito. É graças às suas propriedades de condensação que tal fenômeno é possível, produzindo-se a visibilidade das aparições e a tangibilidade das materializações. Não há nada de milagroso ou inexplicável nisso. Jesus possuía poderes extraordinários, mas todos calcados em leis naturais. Se Jesus tivesse ressuscitado com o corpo físico, por que desapareceu definitivamente logo após? Teria ascendido ao céu para permanecer em eterna órbita da Terra?

Resta uma dúvida: o desaparecimento de seu corpo do sepulcro. A hipótese mais provável é a de uma remoção clandestina, mas também não se descarta a possibilidade de ter ocorrido a sua total desintegração para não confundir talvez o testemunho dos discípulos.

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