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Marca de nascença no menino Ian é evidência a favor da reencarnação. Assista o vídeo clicando aqui.

Jornal Comunica Ação Espírita | 76ª edição | 11 de 2009.

O cérebro de Einstein, a alma e o acaso

Por Wilson Czerski

  • Para muitos colegas cientistas, a genialidade de Albert Einstein era fruto do acaso Para muitos colegas cientistas, a genialidade de Albert Einstein era fruto do acaso

Três matérias recentemente publicadas na revista Veja e que guardam conexão entre si, chamaram-nos a atenção. Na edição de 21 de outubro, a matéria de capa trata dos estudos efetuados sobre a anatomia do cérebro do físico alemão Albert Einstein que foi fatiado em 240 pedaços e espalhados por laboratórios dos Estados Unidos, Canadá, Inglaterra, Japão, Alemanha, Argentina e Índia.

Além do volume, cerca de 4 centímetros cúbicos menor que a média masculina, e do peso, mais baixo em 70 gramas, algumas das principais diferenças observadas foram: uma saliência no córtex motor apontada como decorrência do estudo de violino desde a infância; alterações nos sulcos cerebrais encontrados em uma a cada 500 pessoas e o lobo parietal, área responsável pelo raciocínio visual e matemático, 15% maior; o córtex mais fino e denso com maior concentração de neurônios, fato relacionado à sua genialidade; grande concentração de células gliais no lobo parietal inferior que facilitam a comunicação entre vos neurônios, tornando o raciocínio mais rápido; e neurônios do lado esquerdo do hipocampo, área relacionada com a memória recente, mais longos que os lado oposto, facilitando sua associação com o córtex frontal.

À pergunta “Será possível que a genialidade de Einstein foi realmente o resultado de uma formação extravagante de seu cérebro?”, o neuroanatomista Jackson Bettencourt da USP responde: “O grande entrave para as pesquisas que tentam responder a essa questão é que até hoje não foi descoberta uma relação entre o formato e a composição do cérebro e os dotes intelectuais”.

Resposta prudente, por certo. Já no tempo de Allan Kardec (Revista Espírita julho de 1860, março de 1861 e abril de 1862) buscava-se relacionar características de personalidade, inclusive a propensão para atos criminosos ou tendências a certas doenças mentais, às configurações do crânio ou aos traços fisionômicos. Estes estudos de caráter científico eram chamados de Frenologia e Fisiognomia.

O corpo físico é modelado pelo perispírito ou corpo espiritual, o qual, por sua vez, obedece aos impulsos elaborados pelo corpo mental, além da interferência dos colaboradores espirituais quando dos preparativos para a reencarnação do indivíduo.

Por mais que se tente encontrar no corpo físico, notadamente no cérebro, a sede das faculdades intelectuais, emocionais e morais, estaremos nos deparando apenas com efeitos de causas que transcendem à matéria orgânica. Embora o encéfalo represente a cabine de comando, o comandante é a alma que antecedeu a organização dos elementos materiais e subsiste após a dissolução dos mesmos quando da morte biológica.

Se os cérebros humanos podem apresentar diferenças notáveis entre si, estas “anomalias” são consequências do arranjo das moléculas perispirituais que lhe serviu de matriz, expressando talentos ou deficiências potenciais à manifestação do espírito. Neste sentido, fácil entender o papel da hereditariedade onde, as combinações genéticas individuais não se dão aleatoriamente, ao capricho do acaso, mas fruto de criteriosa seleção por parte dos responsáveis pela futura reencarnação, incluindo o interessado quando dispõe de condições evolutivas para isso.

Isso a propósito de outra referência a Einstein contida na matéria “O fim do mundo em 2012” (edição de 04 de novembro) que trata das previsões ao longo da história a respeito da aniquilação parcial ou total da vida no planeta. Apesar do acerto da reportagem quanto aos infundados temores por estas profecias tantas vezes desmentidas pelo próprio tempo, de repente escorrega ao afirmar, ainda que ‘do ponto de vista científico’ que “... a humanidade é fruto do acaso. Por um acidente, um peixe pré-histórico desenvolveu barbatanas que, à imitação de pernas ou patas, lhe permitiram enfrentar a gravidade da Terra e, assim, por acaso, viabilizou o desenvolvimento de vertebrados fora da água”.

Para ratificar ‘A preponderância do aleatório sobre o determinado’, reduz o formulador da Teoria da Relatividade ao acaso: “O espermatozoide que fecundou o óvulo que gerou Einstein foi um produto do acaso, resultado de uma disputa entre espermatozoides resolvida por milésimos de segundo”. Esquecendo-se naturalmente que o próprio Einstein afirmou que “Deus não costuma jogar dados”.

Grave equívoco é considerar a ciência como fonte única do conhecimento. Embora os grandes filósofos tenham se dividido sobre o assunto, muitos deles defenderam a coexistência entre determinismo e livre-arbítrio. Pouquíssimos reservaram espaço para o acaso ou pura fatalidade. O universo e a vida não são casuais, mas causais.

John Locke (1632-1704) explica: “... parece repugnante a ideia da matéria sem sentido que pudesse pôr em si mesma sentido, percepção e conhecimento... Se alguém for descoberto como insensatamente arrogante, a ponto de supor que unicamente o homem é cognoscente e sábio, embora o produto de mera ignorância e acaso, e que todo o resto do universo produziu-se apenas por este cego e puro acaso...”

De idêntico modo, na questão 8 de O Livro dos Espíritos, Kardec é categórico: “Um acaso inteligente não seria mais o acaso”. O espermatozoide que originou Einstein estava, por assim dizer, marcado, abrigando uma carga magnética muito especial capaz de vencer a corrida com os outros milhões de concorrentes para fecundar o óvulo e propiciar, juntamente com os recursos do gameta feminino, as condições de desenvolvimento de todas as faculdades que ele necessitava para o desempenho de sua grandiosa missão. Com todos nós ocorre o mesmo maravilhoso processo, exceto nas reencarnações de almas mais primitivas, dependentes quase totalmente dos determinismos biológicos.

Voltando à primeira edição de Veja citada, examinemos algumas ideias expostas no livro “A Hipótese Espantosa: a Ciência em Busca da Alma”, do físico Francis Crick, descobridor com James Watson, da hélice da molécula do DNA. Crick, valendo-se do conhecimento de que ‘o volume de informações encapsuladas na molécula de DNA é insuficiente para criar algo tão complexo quanto o cérebro humano, é válida a hipótese de que a mente humana deveria ser muito mais do que apenas o somatório de reações químicas e elétricas’. Sua hipótese é de que o cérebro humano não seja apenas a sede da alma, do intelecto e dos sentidos, mas a própria alma.

Alguns neurologistas chegaram a sugerir que o cérebro humano é um ser vivo dotado de razão e livre-arbítrio, um hospedeiro do corpo e manteria com ele não uma relação simbiótica, mas de dominação. E Crick gostava de pensar assim.

Fazendo um trocadilho anatômico, diríamos que isso, sim, é que é trocar os pés pelas mãos, no caso a alma pelo cérebro, confundindo o efeito com a causa e complicando o que é simples.

A compreensão do mundo e o autoconhecimento socrático exigem que as mentes humanas tenham a coragem de se despir dos preconceitos intelectuais e da soberba. Rejeite-se os arroubos da fé cega, mas também os saltos no abismo do ceticismo niilista.

Referências

LOCKE John. Coleção Os Pensadores. São Paulo: Nova Cultural, 2000.

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