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Especial

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Jornal Comunica Ação Espírita | 78ª edição | 03 de 2010.

Especial Chico Xavier - parte 1: A vida e a...

Por Zélia Carneiro Baruffi

  • Cena do filme “Chico Xavier”: a distribuição da sopa - caridade e amor ao próximo, marcas registradas na vida do médium. Cena do filme “Chico Xavier”: a distribuição da sopa - caridade e amor ao próximo, marcas registradas na vida do médium.

Escrever sobre Chico Xavier não é tarefa fácil. São tantas as recordações que assolam nossa mente, lembranças vividas há tempos, quando da primeira vez em que o visitamos na pequena cidade mineira de Pedro Leopoldo. Admirávamos muito a sua pessoa, a conduta de seareiro do bem. Sabíamos quase tudo sobre ele através dos escritores que procuravam dar conhecimento ao público da sua mediunidade e de pessoas que o conheciam pessoalmente.

Todos buscavam à sua porta o lenitivo para suas dores e através das psicografias recebidas dos entes queridos que haviam partido, vinha a sublime certeza da imortalidade da alma, o conforto para muitos pais que ficavam a lamentar a morte prematura dos filhos. Através do Chico, ponte com a Espiritualidade Maior, a esperança e a felicidade voltavam.

O desejo de conhecê-lo pessoalmente também tomou conta de nossa pequena família e um dia rumamos a Pedro Leopoldo, cidade onde Chico, considerado o “Mineiro do Século” nasceu a 02 de abril de 1910. Viagem longa e exaustiva, porém em nossas fisionomias transparecia a alegria de um desejo tão sonhado e que agora estava prestes a se concretizar. Finalmente íamos conhecer Chico Xavier cujo nome de batismo era Francisco de Paula Cândido substituído logo que escreveu seus primeiros livros.

Filho de um operário sem cultura, João Cândido Xavier, e de uma lavadeira, Maria João de Deus, cujo falecimento se deu em 1915 quando Chico contava cinco anos de idade. Ele e seus oito irmãos foram distribuídos por vários familiares e pessoas amigas. Chico foi morar com a madrinha onde foi muito maltratado. Mais tarde, com o novo casamento de seu pai, voltou ao convívio familiar, juntamente com os irmãos, pois D. Cidália, assim se chamava a segunda esposa de seu pai, fez questão de reunir todos os irmãos novamente.

Segundo biógrafos, a mediunidade de Chico teria se manifestado pela primeira vez aos quatro anos de idade, quando ele respondeu ao pai sobre ciências, durante uma conversa com uma senhora sobre gravidez. Ele dizia ver e ouvir os Espíritos e conversava com eles. Aos cinco conversava com a mãe desencarnada. O pai empregou-o ainda pequeno como aprendiz numa indústria de tecelagem. De manhã até as 11 horas frequentava a escola pública, depois trabalhava na fábrica até as duas horas da madrugada. Mal aprendeu ler e escrever. Quando concluiu o pequeno curso da escola pública, empregou-se como caixeiro numa loja e depois, como ajudante de cozinha. Em sua mocidade, o Dr. Rômulo Joviano, administrador da Fazenda Modelo do Ministério da Agricultura deu ao jovem uma função, tornando-se um pequeno funcionário público, onde foi aposentado por invalidez, com uma doença incurável nos olhos. Mudou-se então para Uberaba, no final da década de cinquenta, a conselho médico.

As faculdades mediúnicas manifestaram-se ainda na infância. Aos 17 anos fundou-se o grupo espírita Luis Gonzaga, onde desenvolveu a psicografia e não mais parou. Um servidor humilde no sentido de desvalia pessoal, jamais se beneficiando materialmente com suas obras. Todos os direitos autorais foram cedidos graciosamente a instituições espíritas, notadamente à Federação Espírita Brasileira e a instituições de solidariedade social. Recebeu das autoridades públicas mais de cem títulos e assim se expressou: “O mérito não é para minha pessoa e sim para os Espíritos que revivem os ensinamentos de Jesus na sua plenitude” e que ele não passava de um poste obscuro para a colocação do aviso de que Doutrina Espírita fora premiada com essas considerações públicas.

Várias instituições e programas espíritas de solidariedade foram criadas inspiradas no seu exemplo: orfanatos, escolas para pobres, lares para deficientes, sopa dos pobres, campanhas do quilo, ambulatórios médicos, alfabetização de adultos, bibliotecas, etc.

Chico Xavier psicografou cerca de 10 mil cartas de mortos para suas famílias e 451 livros, sendo que o primeiro, publicado em 1932, foi “Parnaso de Além Túmulo”, com 256 poemas atribuídos a poetas mortos, entre eles João de Deus, Olavo Bilac, Guerra Junqueira e outros. Causou muita polêmica nas rodas literárias da época. Trinta e nove livros foram publicados após sua morte. Nunca admitiu ser o autor de nenhuma delas. Repassava apenas o que os Espíritos lhe ditavam. Vendeu mais de 50 milhões de exemplares em português, com traduções em inglês, espanhol, japonês, esperanto, italiano, russo, romeno, mandarim, sueco e em braile.

Em 22 de maio de 1965 Chico Xavier e Waldo Vieira viajaram para Washington, Estados Unidos, a fim de divulgar o Espiritismo no exterior. Com a ajuda de Salim Salomão Haddad, presidente do Centro Christian Spitrit Center, e sua mulher Phillis, estudaram inglês e lançaram o livro “Ideal Espírita”, com o nome de The Word of The Spirits.

Chico Xavier desencarnou aos 92 anos de idade em decorrência de uma parada cardíaca. Conforme relato de amigos e parentes, ele teria pedido a Deus para morrer em um dia em que os brasileiros estivessem muito felizes, pois ninguém ficaria triste com o seu passamento. O país festejava a conquista da Copa do Mundo de futebol de 2002 no dia do seu falecimento. Chico foi eleito o Mineiro do Século XX, seguido por Santos Dumont e Juscelino Kubitschek. Uma de suas psicografias mais famosas e que teve repercussão mundial foi a do caso de Goiânia em que José Divino Nunes, acusado de matar o melhor amigo, Maurício Henriques, foi inocentado pelo juiz que aceitou como prova válida (entre outras apresentadas pela defesa) um depoimento da própria vítima, através de texto psicografado por Chico Xavier. O caso aconteceu em outubro de 1979, em Goiânia, GO. Assim o presumido espírito de Maurício teria inocentado o amigo dizendo que tudo não passara de acidente.

Era esse extraordinário homem que estávamos a caminho para conhecer depois de passarmos por estradas poeirentas e fazendas. Fato interessante aconteceu. Havíamos saído de Curitiba muito cedo e depois de viajarmos um dia inteiro, paramos para descanso. No meio da noite, mamãe bastante agitada, disse-nos ter visto uma luz e dela surgir um homem bastante simpático e sorridente, trajando paletó marrom dando-lhe as boas-vindas. Intrigado com o que se passara, papai procurou acalmá-la, dizendo que talvez se tratasse de algum Espírito dali mesmo e que o fato dela possuir mediunidade tornava tudo muito natural. No dia seguinte, quando estávamos já com o Chico, bastante emocionada, revelou-lhe o fato, afirmando que fora ele quem avistara na noite anterior, porém com outro traje, ao que Chico respondeu: “Ontem eu estava com o paletó marrom, dona Maria”. Pasmem: nós ainda não havíamos dito nossos nomes!

Leia também a segunda parte deste especial.

Referências

  • Baccelli, Carlos A – Chico Xavier, Mediunidade e Coração.
  • Barbosa, Elias – No Mundo de Chico Xavier.
  • Tavares, Clóvis –Trinta Anos com Chico Xavier.
  • www.wikepédia.org.br – Francisco Cândido Xavier – Vida, Infância, Juventude, Psicografia, Divulgação no Exterior, Falecimento.

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