ADE-PR: Associação de Divulgadores do Espiritismo do Paraná

Especial

Marca de nascença no menino Ian é evidência a favor da reencarnação. Assista o vídeo clicando aqui.

Jornal Comunica Ação Espírita | 77ª edição | 01 de 2010.

Literatura Espírita

Por Wilson Czerski

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“Livro espírita: mensagem de amor e luz na estante do coração humano!”

Ninguém ensina o ofício de escritor a quem quer que seja, nem mesmo o corpo docente das faculdades de Letras. Escrever bem, principalmente na forma de livro, exige, além do conhecimento do vernáculo, uma razoável dose de talento inato ou conquistado com a prática. Por outro lado, muitos possuem essa base teórica e facilidade de expressão, porém são carentes de boas ideias, falta-lhes inspiração, qualquer que seja a sua natureza.

Ou seja, para se tornar um autor relativamente capaz de contribuir no movimento espírita, pressupõe-se a existência de alguns requisitos básicos tais como boa redação, criatividade, largo conhecimento doutrinário e capacidade de harmonizar adequadamente esses elementos.

Tudo começou com um livro em 1857. Atualmente, constitui-se no mais poderoso canal de difusão do pensamento espírita. Não se dispõe de números exatos relativos ao segmento. Sabe-se, entretanto, que o livro espírita é um sucesso de vendas e um dos que mais cresce no Brasil, muitas vezes erroneamente classificado juntamente com os esotéricos, místicos ou de ocultismo.

Com quatro ou cinco lançamentos por mês, em média, talvez mais, 4000 títulos e consideráveis e seguidas reedições, o filão da literatura espírita envolve cerca de 130 editoras, dezenas de distribuidoras e possivelmente milhares de livrarias especializadas nos centros espíritas, acrescidas dos pontos de venda comuns como as livrarias gerais e bancas. Faz parte ainda do acervo de bibliotecas públicas. Movimenta milhões de reais em investimento e oportuniza o acesso ao mercado de trabalho a muitas pessoas.

De qualquer forma, há um público ávido em busca das propostas libertadoras do Espiritismo. Ali encontram o esclarecimento, o consolo e o entretenimento constituindo uma nova opção de vida. Na realidade, o que se percebe, mesmo numa avaliação superficial, é que a despeito das deturpações humanas, das anomalias morais, das injustiças cruéis, das misérias econômicas e da ignorância, enfim, de tantas mazelas que infelicitam os indivíduos e conspiram contra o seu progresso espiritual e talvez até justamente por tudo isso, é que o seio do nosso povo tornou-se terreno fertilíssimo à sementeira dos valores contidos na Doutrina Espírita.

Infelizmente, no afã de atender a esse desejo crescente de absorver-lhe os ensinamentos, é que esteja ocorrendo um fenômeno, diríamos, de vulgarização do livro espírita. A liberdade de expressão é direito constitucional, corroborado na codificação pelo exercício do livre-arbítrio e ninguém pode proibir esse ou aquele livro de vir a lume. Mas o fato é que, se já não bastassem algumas antigas confusões com trabalhos individuais, mediúnicos ou não, que geraram certas correntes particularistas com maior ou menor grau de conflito com as obras da codificação, atualmente tem havido uma proliferação de livros ditos espíritas ou espiritualistas que carecem não só da qualidade citada linhas atrás, a criatividade, mas também da própria fundamentação doutrinária. São enxurradas de livros de conteúdo duvidoso ou abordando geralmente os mesmos temas.

Se de um lado, as editoras se modernizaram e estão colocando no mercado obras mais bem elaboradas, com capas atraentes e preços convidativos - reconhecidamente o preço do livro espírita ainda é baixo -, por outro, algumas delas que nem espíritas são, e mesmo estas, afrouxaram os critérios de publicação, aceitando bom número de obras plenamente dispensáveis.

Nada contra os objetivos de obtenção de lucro, seja como meio de vida - afinal, trata-se de uma empresa e como tal deve ser administrada - ou para ser revertido em atividades assistenciais, desde que se atenda ao compromisso com a ética espírita, incluindo-se aí a fidelidade.

Por falarmos em preço, ressalte-se que, custando menos que as obras comuns, embora favorecendo largamente o consumidor final, cria embaraços na sua distribuição. Só funciona bem dentro do próprio segmento espírita através das livrarias dos centros. Os pontos de venda comuns têm pouco interesse em distribuir o livro devido à margem de lucro, mesmo trabalhando mais no sistema de consignação, com percentuais que chegam a 60% e pagamentos em prazos dilatados ao máximo. Felizmente, esse quadro vem mudando nos últimos anos e algumas grandes redes de livrarias e pontos como shoppings e aeroportos animam-se a oferecer a literatura espírita conscientes de seu grande potencial de venda.

Aos autores, quer já dentro do mercado editorial ou pretendentes a isso, cabe a recomendação para que reflitam bem na hora de proporem a publicação de um novo trabalho, a fim de que não saturem o leitor. Um questionamento honesto se faz necessário. A quem interessarão os nossos textos e em que efetivamente contribuirão para o esclarecimento e/ou bem-estar do leitor? Será que tudo o que dizemos ali já não foi publicado antes? Se o tema é comum, estaremos ao menos dando-lhe uma nova abordagem, imprimindo-lhe um novo prisma de análise? Estamos enriquecendo-o com informações originais? Atendem à fidelidade doutrinária? Se é de ficção, romance, por exemplo, apresenta uma qualidade razoável em termos de técnicas e forma literária? Se mediúnico, não estamos nos impressionando - ou tentando impressionar - ou mesmo nos liberando de responsabilidade, pelo fato de ser de autoria de um espírito?

A realização pessoal de escrever ou as razões econômicas devem ser sobrepujadas pela necessidade do leitor e interesse da Doutrina. Não basta boa vontade, temos que vencer a mediocridade e maximizar a qualidade.

A responsabilidade pela veiculação de informações rotuladas como espíritas, mereçam ou não o selo de autenticidade, recai sobre todos aqueles por cujas mãos elas transitam, a começar pelo autor, passando pela editora, distribuidora, direção do centro espírita, diretor do clube e feira do livro, além do julgamento do próprio leitor. Porém, quanto mais na nascente do processo, mais fácil a tarefa.

O Espiritismo precisa de pessoas valorosas e dedicadas a sua propagação, mas espera que as mesmas, além dessas virtudes, demonstrem vigilância e autocrítica, que adquiram alto grau de conscientização e bom-senso na hora de publicar algo em seu nome para que não o macule nem o desvirtue. Enfim, em matéria de livro espírita, devemos privilegiar a qualidade e não a quantidade, a despeito da importância e necessidade de ampla divulgação que suas ideias merecem.

Contudo, é bom esclarecer que não estamos de forma alguma propondo o exercício da censura e, sim, recomendando uma reflexão antes de publicar e, após tal efetivado, uma orientação segura, especialmente ao neófito que ainda não adquiriu a capacidade de discernimento necessário para separar o que é e o que não é Espiritismo.

Por outro lado, também somos contrários, opinião pessoal, portanto, de posturas radicais a respeito. Em certos autores ou obras encontramos pequenos senões que, entretanto, não invalidam a mensagem geral. Se recomendamos que as pessoas assistam a determinado filme de circuito comercial por desenvolver algum tema doutrinário, mesmo reconhecendo e alertando sobre eventuais exageros ou distorções, por que não adotar o mesmo procedimento em relação ao livro?

A pureza doutrinária não deve servir de pretexto para que dirigentes e instituições criem modernas versões do tristemente famoso index da Igreja Católica. Muitas dessas obras, apesar dos “escorregões”, acabam desempenhando papel importantíssimo na difusão das ideias espíritas, despertando a atenção de milhares de pessoas que, assim atraídas, passam a se interessar por outras obras mais substanciosas. Naturalmente que o ideal seria todos principiarem pelo estudo sistematizado, mas muitos acabam chegando nele, exatamente pela aproximação ao centro espírita, ensejada em função daquela leitura inicial motivada pela curiosidade.

E o que dizer de obras que tratam de temas científicos correlatos à Doutrina, escritos, porém, por autores não espíritas? Como agir em relação aos livros cujos temas são Transcomunicação, EQM ou Experiências de Quase-Morte e mesmo a reencarnação? Ian Stevenson, tão citado nas casas espíritas, em seu mais conhecido trabalho, “Vinte casos sugestivos de reencarnação” inclui o caso de um menino que seria a reencarnação de outro, morto quando o primeiro já tinha três anos! Banerjee comete o mesmo equívoco no caso do pintor Kandinski, catalogando como reencarnação um fenômeno que não passava de mediúnico. Nem por isso, esses autores e obras deixam de merecer o nosso respeito e indicação de leitura. Equilíbrio é a palavra-chave.

Conclusão

A divulgação espírita através do livro é atendida por um conjunto de fatores e que se entrelaçam: conteúdo, temática, doutrina, autor, edição, distribuição, custo e leitor. Da somatória dos sete primeiros resulta a qualidade da mensagem que alcançará o último.

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