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Especial

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Jornal Comunica Ação Espírita | 79ª edição | 05 de 2010.

Entrevista com Astolfo O. de Oliveira Filho

  • Astolgo Olegário de Oliveira Filho (à esq.): versatilidade nas lides espíritas. Astolgo Olegário de Oliveira Filho (à esq.): versatilidade nas lides espíritas.

Radicado há 47 anos em Londrina, para onde se mudou em janeiro de 1963, Astolfo Olegário de Oliveira Filho, filho de Anita Borela de Oliveira e Astolfo Olegário de Oliveira, nasceu em 22-6-1944 na cidade de Astolfo Dutra, Minas Gerais.

Formado em Ciências Econômicas e ex-professor de Matemática, trabalhou em diversas empresas comerciais, bem como no Banco do Brasil, no Instituto do Açúcar e do Álcool e no Ministério da Fazenda, em que se aposentou como auditor da Secretaria da Receita Federal.

Nascido em lar espírita, desde cedo participa do movimento espírita, inicialmente em sua cidade natal, onde frequentou, em criança, as aulas de evangelização infantil e foi depois presidente da Juventude Espírita da Cabana Espírita Abel Gomes.

Aos 18 anos, já morando em Londrina, integrou-se nas atividades da Mocidade Espírita do Centro Espírita Nosso Lar, que se chamava na época União Espírita de Londrina, iniciando ali uma longa história de atuação espírita.

No momento, além de proferir palestras e ministrar cursos e seminários, Astolfo Olegário atua no Centro Espírita Nosso Lar e na Comunhão Espírita Cristã de Londrina, instituição por ele fundada em abril de 1987 com um grupo de amigos.

É autor do livro 20 Lições sobre Mediunidade, publicado pela Editora Leopoldo Machado, editor do jornal espírita O Imortal e diretor de redação da revista espírita eletrônica O Consolador – www.oconsolador.com – que ele fundou com seu amigo José Carlos Munhoz Pinto em 18 de abril de 2007. A revista, como visto, completou em abril de 2010 três anos de existência.

CAE - Talvez fosse mais fácil perguntar em que área ou tipo de atividade espírita você ainda não atuou, mas, em todo caso, conte-nos sobre as diversas experiências que já teve oportunidade de vivenciar no Movimento Espírita.

ASTOLFO - Nascendo em família espírita, participei praticamente de todos os tipos de atividade que um Centro Espírita realiza, desde a evangelização até a direção de sessões mediúnicas. Exerci os cargos de dirigente de Mocidade Espírita, de grupos públicos, de grupos mediúnicos, de grupos de estudo e de instituições espíritas. Fui presidente do Nosso Lar e da Comunhão Espírita Cristã de Londrina, bem como da União Regional Espírita da 5ª Região, que tem sede em Londrina. Hoje, além de coordenar alguns grupos de estudo e participar de dois grupos mediúnicos, tenho também a meu cargo um grupo de pré-adolescentes na Escolinha de Evangelização da Comunhão Espírita Cristã, localizada numa das áreas mais carentes de Londrina. Na atividade de divulgação, já escrevi programas espíritas para rádio e atuei em programas espíritas na TV. Faço palestras e ministro seminários. Dessa atividade acabou resultando um livro, intitulado 20 Lições sobre Mediunidade. Sou editor e colunista do jornal O Imortal e as mesmas atividades realizo na revista eletrônica O Consolador, de que sou também diretor de redação.

CAE - Entre jornal, rádio, televisão, livro e internet, qual o meio de sua preferência e por quê?

ASTOLFO - Gosto de todos os meios citados, embora no momento me dedique mais ao jornal O Imortal e à revista eletrônica. Do ponto de vista da penetração da mensagem que podemos veicular fora dos Centros Espíritas, creio que a internet é, indiscutivelmente, o meio mais promissor, porque se dirige a todas as pessoas e pode ser lida em todos os lugares do mundo, diferentemente do que se dá com os jornais espíritas impressos, que geralmente circulam apenas no meio espírita e padecem do grave problema relacionado com sua distribuição. Os correios no Brasil voltaram a funcionar tão mal que, quando um jornal chega à casa do leitor, praticamente todos os eventos nele anunciados já ocorreram.

CAE - O que ocorreu com o programa Reflexão Espírita, apresentado por tanto tempo na TV?

ASTOLFO - O programa Reflexão Espírita enfrentou problemas crescentes com relação ao seu custeio, quando apresentado na TV aberta. Esse fato, acrescido da dificuldade natural de se produzir um programa a cada sete dias, fez com que o programa se tornasse mensal e, em seguida, feito somente para circulação na internet. Como me afastei do programa no início de 2007, devido à criação da revista eletrônica, não posso precisar se ele foi extinto ou se apenas aguarda um tempo para voltar a ser produzido.

CAE - Gostaríamos que falasse sobre a revista eletrônica O Consolador - detalhes da criação, data de início, equipe, visitação/leitores, tradução e repercussão no exterior.

ASTOLFO - A revista O Consolador, escrita especialmente para a internet, surgiu em 18 de abril de 2007. A data foi escolhida propositadamente. No início éramos apenas dois: José Carlos Munhoz Pinto e eu, mas logo apareceram voluntários de várias partes do Brasil e do exterior, o que tornou possível manter com certa facilidade as edições semanais, que já chegaram a mais de 150 edições, cada qual com 32 matérias diferentes, entre entrevistas, reportagens, artigos doutrinários, estudos sistematizados, cartas de leitores e seções fixas diversas. Das 32 matérias, seis são apresentadas também nos idiomas inglês e espanhol. Na edição de aniversário da revista, que circulou em 11 de abril de 2010, divulgamos os números apurados nos primeiros 36 meses de existência da revista. Ei-los:

Itens Número
Continentes alcançados pela revista 5
Países que já acessaram O Consolador 95
Downloads de textos publicados 657.790
Impressões de páginas da revista 3.488.187

CAE - Em um mundo de rápidas transformações nos campos tecnológico, social, cultural, da medicina, entre outros tantos, o caráter progressista do Espiritismo preconizado por Allan Kardec está sendo respeitado ou você percebe uma certa estagnação de conceitos e práticas?

ASTOLFO - Diria que a obra kardequiana continua firme e incólume, apesar do avanço vertiginoso das ciências nestes 153 anos desde que surgiu a primeira edição d´O Livro dos Espíritos. Mas é inegável que certos equívocos existentes nos textos publicados por Kardec deveriam ser sanados, atendendo ao que o próprio Codificador do Espiritismo escreveu, visto que o ensino espírita tem de acompanhar o progresso científico, sob pena de ocorrer com o Espiritismo a mesma estagnação que se verificou com a religião católica. Não se concebe, por exemplo, que O Livro dos Médiuns divulgue ainda a informação dada por Erasto acerca do fenômeno de transporte, ignorando as lições de Ernesto Bozzano e Áulus/André Luiz, conceitualmente divergentes do que o citado livro apresenta. Claro que não se pode riscar ou apagar o que Kardec escreveu. Basta, em casos assim, que se aponha uma nota de rodapé explicativa, como se faz normalmente nas obras científicas, clareando a informação superada e explicando por que tal equívoco ocorreu.

CAE - Questões como união entre homossexuais, ortotanásia, uso de embriões para fins terapêuticos e outros temas polêmicos não deveriam ser mais debatidos nos centros espíritas e até fora deles para se obter uma posição do Espiritismo a respeito ou o consenso não é possível de ser alcançado e o que deve prevalecer é o livre-arbítrio individual?

ASTOLFO - Sim. Há falta de um maior debate desses assuntos nos Centros Espíritas. E o curioso é que eles têm sido tratados pelos periódicos espíritas. A revista O Consolador e o jornal O Imortal são exemplos de periódicos que em diversas ocasiões têm focalizado esses temas.

CAE - Em relação especificamente ao Movimento Espírita, ele tem cumprido satisfatoriamente o seu papel de propulsor do conhecimento espírita na sociedade? O que se pode fazer para dinamizá-lo e torná-lo mais eficiente?

ASTOLFO - Penso que o Movimento Espírita reflete o comportamento dos que o dirigem e, provavelmente por isso, não tem atuado, como devia, fora das quatro paredes da Casa Espírita, promovendo eventos mais para espíritas, em circuito fechado, de difícil acesso aos que não são espíritas. Um exemplo óbvio desse fato são os nossos Congressos Espíritas, cada vez mais sofisticados, com taxas de inscrição elevadas e realizados em locais a que apenas os que dispõem de recursos têm acesso. Creio que o uso da mídia em geral e a realização de eventos em locais acessíveis ao grande público, não apenas na Casa Espírita, podem contribuir para a dinamização citada em sua pergunta.

CAE - Como vê a qualidade dos periódicos espíritas atualmente em circulação?

ASTOLFO - Existem jornais e revistas espíritas muito bem diagramados e impressos. O que me parece faltar na maioria deles é a discussão de temas importantes que têm sido deixados de lado. Cito por exemplo as informações duvidosas contidas em uma série de obras ditas mediúnicas que vêm infestando o mercado editorial brasileiro especialmente a partir da desencarnação de Chico Xavier.

CAE - E quanto à nossa literatura, como assegurar-se sobre o que está de conformidade com os princípios gerais espíritas e o que deveria ser alijado? Indo além, você acha que cabe a alguém exercer o papel de “vigilante” da qualidade dos livros determinando, por exemplo, o que pode e o que não deve ser oferecido nas livrarias dos Centros?

ASTOLFO - A qualidade dos livros espíritas publicados nos últimos anos é algo que só se pode lastimar. Evidentemente, não cabe a ninguém o papel de censor e é estapafúrdia qualquer coisa parecida com a ideia de termos em nosso meio um índex – nome aplicado ao catálogo de livros cuja leitura era proibida pela Igreja. O que falta no caso, para o aprimoramento dos livros publicados, é, em primeiro lugar, o bom senso dos autores, encarnados ou não, complementado pelo bom senso dos editores. A imprensa espírita deve ter também, a meu ver, um papel fundamental nesse processo. Como o livro é uma forma de divulgação pública dos ensinamentos espíritas, ele se sujeita obviamente a uma análise, a uma crítica pública, tarefa que incumbe à imprensa espírita, que não tem cumprido, nesse particular, o seu dever e o seu papel.

CAE - Em Londrina e região também se nota o fenômeno de esvaziamento no movimento dos jovens espíritas? Como resolver o problema de substituição nos impedimentos dos veteranos?

ASTOLFO - Não. A questão relacionada com a evasão dos jovens espíritas me parece mais geral e não localizada. Alguns entendem que o fato se radica em duas causas. Em primeiro lugar, na dicotomia do comportamento dos pais espíritas, que agem de formas diferentes conforme o ambiente em que se encontram. Em segundo lugar, os métodos adotados nas explanações e nas reuniões de que jovens participam, os quais só atraem os que continuariam a participar da Casa em qualquer situação, devido certamente a um preparo anterior para isso. Creio que a solução para o problema esteja no fortalecimento da Escolinha de Evangelização Infantil, porque aprendi com meu saudoso pai que somente uma coisa prende alguém ao Espiritismo – a convicção.

CAE - Você assistiu ao filme Chico Xavier? O que achou?

ASTOLFO - Assisti, ao lado de minha esposa, que não conseguiu segurar as lágrimas durante o tempo todo. O filme é excelente e merece as críticas elogiosas que tem recebido.

CAE - O confrade Alamar Regis vem insistindo que instituições ou empresas se o rótulo de espíritas como a Rede Globo, por exemplo, têm feito mais pela divulgação do Espiritismo do que os próprios espíritas. Você concorda?

ASTOLFO - Não concordo. O que a Rede Globo faz, com seus programas e novelas, é atrair a atenção para os temas espíritas, mas evidentemente não se aprende Espiritismo em nenhum desses programas. Os livros espíritas, sim, eles é que têm feito pelo Espiritismo a tarefa de disseminar o conhecimento espírita. Refiro-me, no entanto, aos livros basilares e não a essa enxurrada de obras que mais confundem que instruem.

CAE - Qual a importância de produções cinematográ-ficas como o sucesso Bezerra de Menezes – o diário de um espírito, em 2008, e os diversos lançamentos que estão ocorrendo agora no centenário de Chico Xavier?

ASTOLFO - A importância é enorme, sobretudo se os filmes que estão sendo anunciados forem realmente fiéis aos ensinamentos espíritas, sem as distorções típicas das produções de Hollywood e de algumas novelas apresentadas na TV brasileira, quando escritas por quem não é exatamente do ramo.

CAE - Qual a razão para os estimados 30 milhões de simpatizantes da Doutrina Espírita não se juntarem efetivamente aos 2,5 milhões que assim se declaram oficialmente?

ASTOLFO - É claro que o número de espíritas praticantes é maior do que o revelado pelo Censo, mas existem inúmeras razões, especialmente de ordem cultural, que concorrem para que, na hora da entrevista, o indivíduo prefira omitir-se. Mas o fato não é exclusividade dos espíritas. Com os umbandistas dá-se o mesmo. O número deles é infinitamente maior do que o apontado pelas estatísticas.

JOGO RÁPIDO. Para encerrar, uma definição para cada termo abaixo, por favor:

Um sonho: Ver um dia o Brasil se tornar, de fato, coração do mundo e pátria do Evangelho.

Uma virtude: A humildade, mãe de todas as virtudes.

Um defeito que mais o aborrece: A ingratidão.

Uma alegria: Sentir, a cada semana, que os compromissos do período foram cumpridos.

Um livro: Um companheiro fiel de todas as horas.

Um vulto espírita encarnado e outro desencarnado: Divaldo Franco e Cairbar Schutel.

Divulgação espírita: A maior caridade que podemos fazer ao Espiritismo.

Londrina: Cidade em que pude realizar meus sonhos.

Uma frase: “À maneira que nos desenvolvemos em sabedoria e amor, consideramos a perda dos minutos como sendo a mais lastimável e ruinosa de todas.” (Abel Gomes).

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