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Jornal Comunica Ação Espírita | 67ª edição | 05 de 2008.

A natureza em fúria na Ásia

Por Wilson Czerski

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Catástrofes naturais: castigo divino ou expiações coletivas?

Na edição nº 63, de setembro-outubro do ano passado, tecemos alguns comentários sobre a visão da Doutrina Espírita a respeito de catástrofes naturais, naquele momento, em particular, de um terremoto de intensidade média que atingira o Japão. Voltamos ao assunto agora tendo em vista as ocorrências em Mianmar e China no mês de maio, onde, em menos de dez dias, a natureza mostrou-se implacável causando duas tragédias que deixaram milhares de mortos, feridos e desabrigados.

Em Mianmar, a passagem de um ciclone deixou um rastro de destruição e morte difícil de ser mensurado em toda a sua extensão em face da precariedade de acesso às informações daquele país do sul asiático governado com mão de ferro por uma ditadura militar instalada no poder há décadas. O absurdo chegou a tal ponto que até a ajuda internacional, inclusive da ONU, foi impedida de entrar no país e com isso, os estimados cem mil mortos e 1,5 milhão de desabrigados certamente continuaram aumentando vitimados agora pela fome e doenças. Na China um terremoto arrasou cidades inteiras. No fechamento desta edição, números parciais apontavam para 70.000 mortos, soterrados e desaparecidos, além de 4,8 milhões de desabrigados.

Números superlativos assim, principalmente no primeiro caso, nos remete à lembrança das 220.000 pessoas que desencarnaram no tsunami de 2004 e que causou prejuízos materiais da ordem de 40 bilhões de dólares ou do terremoto de 2003 no Irã que matou 40 mil pessoas.

Análises de textos genuinamente espíritas não concordam com especulações apocalípticas. Em Obras Póstumas, livro publicado em 1869, após a desencarnação de Kardec, no capítulo que trata das Expiações Coletivas, lê-se: ?Há as faltas do indivíduo, as da nação e todas (...) são expiadas?. Na página 229 (2ª ed., Lake,1979), o Espírito de Hahnemann, ao responder sobre presumíveis acontecimentos graves que adviriam, admite não se poder precisá-los. ?... haverá muita ruína e desolação porque são chegados os tempos preditos para renovação da humanidade?. Explica que os cataclismos não seriam de ordem material, mas moral. O Espírito Verdade tranqüiliza: ?Não temeis dilúvio, incêndios (...) nem outras coisas do gênero?.Háreferências (pág. 269) sobre quem será exilado da Terra; que não haverá aniquilamento repentino de uma geração e, mais à frente, coloca como sinais inequívocos da transformação, algo mais acelerada, o aumento do número de suicídios e das doenças mentais.

Mas então como interpretar estas catástrofes? Elas não discriminam ninguém. Vitimam católicos, muçulmanos, hinduístas, budistas, xintoístas, ateus, turistas, adultos e crianças, ricos e pobres.

Sabemos nada ocorrer por acaso. Por trás de tudo, indivíduos, instituições e povos, está a Providência Divina expressa em leis perfeitamente sábias e justas. É absolutamente certo dizer que tais catástrofes representam um papel importante e necessário na vida do homem, ser imortal a caminho de Deus.

Vale repetir trecho do que escrevemos por ocasião da matéria do terremoto do Japão do ano passado. No cap. VI de O Livro dos Espíritos (Lei de Destruição), item II (Flagelos Destruidores) vemos as seguintes afirmações: 1- Deus experimenta a humanidade com flagelos para fazê-la avançar mais rápido, realizando-se certos progressos morais em alguns anos o que demandaria muitos séculos; 2- Deus pode e emprega diariamente outros meios para atingir esse fim, mas o orgulho humano é um empecilho; 3- o homem de bem sucumbe junto ao perverso, mas isto importa pouco quando se analisa a transitoriedade do corpo físico em relação aos valores espirituais; 4- as vítimas eventuais, isto é, aquelas que não precisavam passar por tal experiência, terão em outra existência larga compensação pelos seus sofrimentos, se souberem suportá-los sem murmurar e esses flagelos tão terríveis não nos pareceriam mais do que tempestades passageiras no destino do homem; 5- são provas que proporcionam ao homem a oportunidade de exercitar a inteligência, mostrar paciência e resignação ante a vontade de Deus e lhe desenvolvem sentimentos de abnegação, desinteresse próprio e amor ao próximo; 6- o homem pode evitar alguns deles porque resultam de sua própria imprevidência (destruição ambiental?), mas muitos são de natureza geral, pertencem aos desígnios de Deus e cada indivíduo recebe maior ou menor quota conforme sua responsabilidade.

Em Obras Póstumas há uma comunicação do Espírito de Clélie Duplantier que fala dos erros do homem no âmbito individual, familiar e como cidadão. Nem sempre a postura moral é a mesma nas três esferas e quando alguém participa da exploração alheia, práticasarbitrárias de poder ou qualquer ação em grupo que traz conseqüências negativas para indivíduos, grupo de pessoas ou nações como no caso dos governantes, ainda que eventualmente tenham sido bons cônjuges ou pais, terão que expiar aquelas faltas perante a justiça divina. Além do mais, muitos aparentemente justos, bons e honestos hoje, têm seu passado ignorado e os olhos humanos são incapazes de lhes perceber a bagagem espiritual.

A solução das expiações coletivas não pode ser generalizada. Em geral, reencarna-se no seio da mesma coletividade e até na mesma família. No caso da Índia que é um povo milenar, segundo país mais populoso do mundo e até por sua formação religiosa, com crença na reencarnação, é possível conjecturarmos sobre razões cármicas (conceito deles para a lei de causa e efeito). Freqüentemente aquele povo é atingido por todo tipo de catástrofes: inundações, terremotos, epidemias, guerras religiosas, desabamentos, inúmeros acidentes graves de ônibus, trem e avião, explosões, gases venenosos etc. Já no caso de El Salvador, também vítima de terremoto em 2001 com 1.000 mortos, historicamente, qual o grande crime que esse povo teria cometido? Então, a tese de que catástrofes e mortes coletivas indicam a possibilidade também de expiações coletivas, é correta. Mas nem sempre e nem para todos. Kardec e os Espíritos recomendaram-nos o uso da fé racional, baseada na lógica. E é assim que devemos proceder.

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