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Jornal Comunica Ação Espírita | 80ª edição | 07 de 2010.

Livros que eu recomendo

Por Wilson Czerski

Nossas considerações desta vez referem-se ao livro “Terapia de Vida Passada e Espiritismo – Distância e Aproximações”, de Milton Menezes, editora Leymarie, 1998. O prefácio é do conhecido médico psiquiatra Jorge Andréa dos Santos e o volume em mãos é da 2ª edição, publicada em 1999.

Trata-se de uma obra muito interessante não só para aqueles que eventualmente sejam ou desejem atuar na área como terapeutas ou pessoas com problemáticas as quais talvez pudesse ser recomendada a utilização desse recurso. A leitura do livro também pode ser muito útil ao estudioso espírita em geral, especialmente aos que ainda desconhecem pormenores – e até os princípios fundamentais – do assunto e, precipitadamente, assumem posturas críticas sustentadas em argumentos dogmáticos, incompletos e desatualizados em relação aos avanços da ciência.

Por força de suposta fidelidade radical à Codificação, desprezam as orientações do próprio Allan Kardec quando em A Gênese (item 55, cap. I) afirmou que O Espiritismo, marchando com o progresso, jamais será ultrapassado porque, se novas descobertas demonstrassem estar em erro sobre um certo ponto, ele se modificaria sobre esse ponto; se uma nova verdade se revelar, ele a aceitará.

A credibilidade do livro começa pelo autor. Não que títulos acadêmicos sejam necessariamente sinônimos de competência profissional e honestidade intelectual como também nem sempre revelam convicções e princípios da personalidade multimilenar. Mas somando-se a formação de Milton Menezes com o conteúdo da obra, percebe-se claramente a sinceridade de intenções no trato do assunto, o desinteresse pessoal e o desejo de contribuir não só para a divulgação da TVP como, principalmente de auxiliar o próximo através de um recurso ainda marginalizado pelos espíritas, embora a admissão clara de que não se trata de um procedimento espírita.

Menezes é formado em Psicologia e pós-graduado em Terapia de Vida Passada pela Sociedade Brasileira de Terapia de Vida Passada, em Campinas e membro-fundador do Grupo de Pesquisa e Divulgação em TVP, no Rio de Janeiro e desenvolve a TVP em sua clínica. Portanto, não é um leigo inapto, mas alguém preparado para discorrer sobre o assunto com segurança.

Boa parte do livro é ocupada pelo autor para debater friamente os argumentos a favor e contra a aplicação da TVP, estes últimos defendidos pelos espíritas. Dedica, por exemplo, logo o primeiro capítulo à apresentação de uma pesquisa levada a efeito por ele próprio com 458 pessoas de 18 estados brasileiros mais o Distrito Federal aos quais entregou um questionário contemplando muitos aspectos envolvendo o perfil do entrevistado e suas relações com a TVP.

Destaque para os três principais argumentos citados contrários a ela: uso por curiosidade (72%), necessidade de esquecimento do passado (43,5%) e necessidade do sofrimento para pagamento de dívidas contraídas em vidas pretéritas (51,8%). Mais à frente, ao citar o livro “Nossas vidas anteriores”, de Denis Kelsey e Joan Grant, demonstra que o uso da regressão de memória com fins terapêuticos vem, pelo menos, desde 1934. Informa que o próprio Morris Netherton, considerado um dos pioneiros no assunto, foi levado à prática regressiva devido a uma necessidade pessoal: um problema alérgico e sonho recorrente de afogamento. A constatação do fato desencadeador pôde ser investigada e comprovada.

À página 80, Milton Menezes enumera os requisitos exigidos para se tornar um terapeuta de vidas passadas. Uma delas é ser profissional da área da saúde mental. Outra é freqüentar um curso de ano e meio num dos institutos brasileiros especializados em TVP.

O autor segue com as hipóteses mais comuns aventadas por alguns terapeutas para explicar os relatos de experiências de, para eles, supostas vidas passadas e, por fim, recorre ele próprio à tese da reencarnação e no capítulo seguinte utiliza também o conceito das ‘presenças’ ou espíritos obsessores cujas manifestações mais ou menos ostensivas denunciam vínculos com as vidas pretéritas dos pacientes.

Para a solução desse tipo de conflito a TVP entra como acessório uma vez que o investimento em ações transformadoras é unilateral, ou seja, só pelo lado do paciente. Conscientizando-se da necessidade de busca de cura pela reconciliação com o inimigo do passado, fará esforços para melhorar os hábitos e, com isso, contagiará o verdugo do presente. Porém, não há atividade de desobsessão.

O autor voltará ao assunto no último capítulo, mas antes, nos 6 e 7, entrará na análise propriamente dita das ‘distâncias e aproximações’ da Terapia de Vidas Passadas com a Doutrina Espírita. Moderadamente, na condição de espírita esclarecido e ao mesmo tempo terapeuta experiente, examina, de forma imparcial, as principais citações das Obras Básicas que servem de apoio aos argumentos contrários à prática, bem como as favoráveis e que são voluntariamente esquecidas pelos menos atentos.

No primeiro caso estão as questões 392 e 394 de “O Livro dos Espíritos” e o item 11 do capítulo V de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”. No segundo há certa concessão nas questões 399 e 395. Também as de n° 19 e 20 acenam com esta possibilidade, além dos itens 15a e 15b do tópico ‘Perguntas que se podem fazer aos Espíritos’, de “O Livro dos Médiuns”.

Demora-se o autor em analisar as questões da necessidade do esquecimento do passado, incluindo algumas claras distorções de conceitos e o sentido do sofrimento e a importância de se neutralizar as causas para eliminar os efeitos através de uma reprogramação transformadora do indivíduo.

Mas Milton Menezes encontra mais subsídios favoráveis a TVP em diversas outras obras espíritas como “Entre a Terra e o céu” (pág. 82), de Chico Xavier/André Luiz; “O Homem integral” (pág. 107 e 150), de Divaldo P. Franco/Joanna de Ângelis; “Loucura e Obsessão” (pág. 91), de Divaldo/Manoel Philomeno de Miranda; “Vinha de Luz” (item 64), de Chico/Emmanuel e uma mensagem avulsa deste mesmo mentor, psicografada pelo médium idem, publicada na revista Reformador, n° 1953, em dez/1991.

Permeando um ou outro capítulo, há casos clínicos profundamente didáticos como o de uma mulher saudável, com ótimo relacionamento familiar e bem sucedida profissionalmente e que, de repente, vê sua vida desmoronar por conta de cuidados irracionais e obsessivos em relação ao bem-estar dos filhos.

A regressão de memória a fará identificar claramente no passado as causas do distúrbio, ligadas a graves negligências quanto aos deveres maternais. Porém, o compromisso assumido de reparação de tais erros, levam-na ao excesso de zelo, impedindo a realização do processo e comprometendo todo o planejamento reencarnatório. A compreensão das razões enraizadas no passado trazem-na de volta à realidade do presente renovador, restaurando o equilíbrio e devolvendo-lhe a vida normal.

Eis porque este é um livro que merece ser lido e estudado.

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