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Jornal Comunica Ação Espírita | 82ª edição | 11 de 2010.

O QUE DIZEM OS OUTROS JORNAIS: Interpretação de texto

Por Wilson Czerski

Essa é uma questão de instrução e vale também para os espíritas, embora todos os levantamentos indiquem que este segmento, se classificado como religioso, é composto, na média, pelas pessoas com maior grau de instrução formal.

            O problema é tão grave que saber entender – ou no caso, não saber – o que se está lendo é considerado um dos parâmetros para determinar o tal conceito de analfabetismo funcional. O indivíduo assina o próprio nome e é capaz de justapor algumas letras às outras, mas não possui habilidade suficiente para compreender o sentido de um parágrafo inteiro.

            Bem, talvez isso não seja frequente entre os espíritas, contudo devemos ficar atentos porque além do aspecto do grau de instrução, em se tratando de religião, há um outro componente envolvido, o fanatismo e, de certa forma, ainda assim atrelado ao problema nível de informação.

            Desnecessário tecer comentários sobre o que ocorre no seio de outros credos no Brasil assumindo muitas vezes chocantes tonalidades de preconceito e intransigência, até atingir em outras partes do mundo proporções alarmantes, motivando conflitos com eventos beligerantes declarados ou na forma de terrorismo, tudo em nome da fé.

            Por tudo isso, recortamos alguns lúcidos comentários de Deolindo Amorim publicados na revista Cultura Espíritarevistaculturaespirita@gmail.com (Rio de Janeiro, ed. n° 19, de outubro-2010) – do Instituto de Cultura Espírita do Brasil do qual ele foi fundador.

            “A interpretação – começa ele – é um terreno grave e sutil, em qualquer assunto. Dede que ‘puxe’ demais, para um lado ou para outro, a interpretação pode desfigurar qualquer conceito certo, qualquer frase bem pensada ou qualquer sentença... Se a interpretação livre às vezes se torna inconveniente, porque está sujeita a sair dos limites admissíveis, a interpretação ao pé-da-letra quase sempre corre o risco de se tornar perigosa pelas suas consequências no presente ou no futuro. Em matéria interpretativa, que é muito movediça, cabe sempre a linha de equilíbrio: nem a rigidez da letra pura e simples, nem o arbítrio da imaginação arguta ou divagadora”.

Mais adiante exemplifica os riscos da interpretação literal com o “Se a vossa mão é motivo de escândalo, cortai-a”. E logo a seguir: “No corpo da Doutrina Espírita, por sua vez, há diversas proposições e advertências que exigem compreensão inteligente, sob pena de se cair no exagero e cometer, inadvertidamente, um atentado ao verdadeiro pensamento doutrinário”. E recorre ao tema do papel do espírita na sociedade para elucidar melhor o seu pensamento, o que nosso espaço não permite reprodução.

Antes de concluir o artigo, pontifica: “A interpretação ao pé-da-letra peca por ser muito restritiva, mas a interpretação muito elástica peca, muitas vezes, por ser flexível demais”. Portanto, voltando ao nosso próprio acréscimo, cuidemos para não cometer o erro que por vezes apontamos nos outros. Tomar o Evangelho Segundo o Espiritismo ou O Livro dos Espíritos como livros sagrados, intocáveis e absolutamente detentores de toda a verdade universal é pretensioso, inconveniente e temerário, com laivos de orgulho, ignorância ou fanatismo. Ou um pouco de tudo isso.

 

Por se falar em interpretação e autoria...

           

Não é esse o título do artigo de Wilson Garcia no jornal Opiniãoimprensalivre@imprensalivre.net (Porto Alegre, ed. n° 179, de outubro2010), mas tem muito a ver. Temos acompanhado pela imprensa espírita e mesmo publicado textos aqui (ver pág. 11) sobre um saudável aprofundamento no debate em relação ao verdadeiro papel de Allan Kardec na elaboração da Doutrina Espírita. Teria sido ele um mero codificador, organizador, sistematizador ou o seu autêntico autor?

Garcia, em seu artigo, primeiro expõe a opinião de Augusto Araújo que está produzindo sua tese de doutorado em Minas Gerais baseada “na leitura e interpretação da obra de Allan Kardec” cujas razões histórico-metodológicas apontam para a conclusão de que o mestre lionês foi o criador da Doutrina Espírita. Seu raciocínio apoia-se nas produções dos filósofos pré-socráticos.

Mais abaixo, Garcia explica que o vocábulo codificador semanticamente vai além do significado de simples organizador pois também “designa a ação de produzir mensagem através do código linguístico...”. Kardec teria “sido um codificador ativo, participante e... autorizado pelas fontes... Mesmo que tivesse sido uma espécie de coordenador passivo, ainda assim suas marcas estariam presentes no produto final, porque selecionar e ordenar o material implica em tomar decisões e fazer opções, incluir e excluir, dar voz e retirar a voz, o que, em última palavra, significa participar do e definir o produto final”.

Mas o articulista demonstra que, além disso, Kardec foi intérprete dos Espíritos, “... liderou um processo, produziu questionamentos, direcionou temas, solucionou contradições, superou dilemas, concordou e discordou...”. E reproduz um dos textos em que o próprio Kardec esclarece quanto ao seu papel na tarefa, texto de defesa da tese de Araújo: “Da comparação e da fusão de todas as respostas coordenadas, classificadas, e muitas vezes retocadas no silêncio da meditação, foi que elaborei a primeira edição de O Livro dos Espíritos, entregue à publicidade em 18 de abril de 1857”.

Garcia finaliza que, sem se dispor das fontes originais utilizadas por Kardec na elaboração da Doutrina Espírita, pouco se pode avançar em relação ao trecho citado. Afinal, o que significa “comparar, fundir e retocar no silêncio da meditação”? Mas inclina-se em apoiar a tese da “co-autoria” em face do significado mais abrangente anteriormente examinado para o termo ‘codificador’.

E aí cabe dizer que esta é uma interpretação pessoal nossa.

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