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Especial

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Jornal Comunica Ação Espírita | 83ª edição | 01 de 2011.

A tragédia das chuvas é uma fatalidade?

Por Wilson Czerski

                   Todos os anos no verão é a mesma coisa. O noticiário enche-se de lamentações e imagens de inundações e desmoronamentos, principalmente nos Estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais. Agora foi pior: só no primeiro daqueles Estados cerca de mil vítimas, entre mortos e desaparecidos, muita destruição e perda de anos de sacrifícios.

            Os grandes fenômenos da Natureza têm um fim providencial, ocorrendo com a permissão de Deus e como regulador do equilíbrio e da harmonia da própria Natureza. No Evangelho Segundo o Espiritismo, consta que nos mundos de Provas e Expiações como o nosso, seus habitantes “têm que lutar, contra a perversidade dos homens e a inclemência da natureza, duplo e penoso trabalho que desenvolve as qualidades do coração e da inteligência. É assim que Deus faz reverter o próprio castigo, em proveito do progresso do Espírito”.

            Está dentro da capacidade humana, amenizar, contornar e mesmo evitar muitas das ações mais violentas da natureza. Há milênios que o homem estuda, observa e tenta compreender a gênese de fenômenos que põem em risco o patrimônio e a vida humanos. Furacões, maremotos, erupções vulcânicas, secas, avalanches e outros se enquadram neste grupo.

            Caso não consiga evitar os prejuízos materiais e de vidas destas catástrofes, busca o homem exercer o instinto de solidariedade em graus diversos, desde o simples dever profissional ou de cidadão até aos extremos de pôr em risco a própria vida para preservar a de outrem movido pelo sentimento de amor e fraternidade. Atuam bombeiros, Defesa Civil, médicos e enfermeiros, voluntários, empresários e comerciantes com doações de medicamentos, roupas e alimentos no socorro ao alívio ao sofrimento alheio.

            No caso específico das chuvas, interroga-se: seria realmente fatalidade o que se abate sobre estas pessoas? O sofrimento em muitas ocasiões é resultado de decisões erradas que tomamos: “Aquele que quer atravessar um rio a nado, sem saber nadar, tem grande probabilidade de morrer afogado”.

            Perguntamos se Deus é o culpado pela imprevidência do homem em jogar lixo nos rios e bueiros, entupindo-os e provocando a inundação das casas. Será Deus o responsável pela opção de muitos que escolheram construir ilegalmente barracos em áreas de risco e se negam a desocupá-los quando instados pelas autoridades para tal.

            Para um número grande de pessoas que vivem nestas condições, não há opção. Às vezes é uma avó que quer ficar mais próxima para ajudar cuidar dos netos ou uma família que se alojou ali provisoriamente por favorecer o acesso ao local de trabalho ou ser o único lugar compatível com a possibilidade do aluguel. Ainda assim, porém, é uma escolha pessoal, mesmo que fortemente pressionada por fatores exógenos e não culpa de um destino inexorável e cruel. Aqui entra o papel do Estado. Qual a parcela de responsabilidade que cabe às autoridades públicas que não tomam providências preventivas para solucionar o problema?

            Os Espíritos falam-nos das expiações coletivas quando são reunidas centenas ou milhares de pessoas para ser submetidas aos chamados resgates cármicos cujos atos no passado tanto podem ter sido praticados juntos ou separadamente, no mesmo gênero de infração moral ou não, mas que são aproveitados pelas leis divinas da justiça para liberá-las da dívida.

            Todos os dias, outras milhares de pessoas são atingidas por enfermidades, acidentes naturais ou provocados pelo próprio homem, perdas materiais, frustrações afetivas, etc. Estas experiências também podem representar expiações por atos deliberados pela vontade individual que comprometeram, de alguma sorte, a si mesmo ou outras pessoas.

            Mas entendemos também que tais catástrofes previstas na Lei de Destruição (cap. VI de O Livro dos Espíritos) está diretamente atrelada à do Progresso. Dali destacamos o seguinte: Deus experimenta a humanidade com flagelos para fazê-la avançar mais rápido; Deus pode e emprega diariamente outros meios para atingir esse fim, mas o orgulho humano é um empecilho; o homem de bem sucumbe junto ao perverso, mas isto importa pouco quando se analisa a transitoriedade do corpo físico em relação aos valores espirituais; as vítimas eventuais, isto é, aquelas que não precisavam passar por tal experiência, terão em outra existência larga compensação pelos seus sofrimentos, se souberem suportá-los sem murmurar; são provas que proporcionam ao homem a oportunidade de exercitar a inteligência, mostrar paciência e resignação ante a vontade de Deus

            Como nenhum sofrimento é inútil, cada protagonista recolherá os resultados das ações vivenciadas quer de forma ativa ou passiva, positivas ou negativas. Créditos e débitos serão contabilizados, constituindo o patrimônio provisório que determinará o contexto geral da vida no plano espiritual e da próxima reencarnação.

            Embora constitua importante fenômeno na trajetória de todo espírito, a morte, por ignorância e medo, é superestimada em nossa sociedade. Afinal, provas, expiações, vindas e idas, tudo soma experiências e crescimento do ser imortal e ainda que dolorosa e aparentemente trágica, após ela, a morte biológica, a vida continua resplandecente do outro lado da fronteira.

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