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Jornal Comunica Ação Espírita | 86ª edição | 07 de 2011.

Livros que eu recomendo

Por Wilson Czerski

Enigmas da psicometria

      O livro em epígrafe é de autoria do sábio italiano Ernesto Bozzano. Psicometria é a curiosa faculdade anímica pela qual um sensitivo é capaz de, ao entrar em contato com um objeto, planta, animal ou local, descrever fatos ocorridos com o seu possuidor. É um tipo de clarividência. Para alguns é apenas uma sensação; de outras há visões ou sons.

 
      Muitas vezes o sensitivo narra como se fosse o próprio objeto. Este, um relógio ou peça de roupa, por exemplo, funciona como ligação entre a mente do psicômetra e o dono do objeto. Se este pertenceu a mais de uma pessoa o sensitivo fica desorientado. A ‘leitura’ refere-se não só ao período de posse, mas de qualquer outro, do passado ou do futuro.


      Bozzano, ao longo das 187 páginas (FEB, 4ª ed.,1998), apresenta 26 casos reais extraídos de diversas publicações, incluindo livros, revistas especializadas como a Light e o Boletim da Sociedade de Estudos Psíquicos de Nancy. Cada um deles é seguido da análise do autor, hipóteses e teorias aplicáveis para explicar os fatos.


      Uma segunda parte da obra, a partir da página 119, é dedicada ao exame de outro fenômeno, o da telestesia ou “Percepção à distância... sensação ou visualização direta de coisas ou condições independentemente de qualquer veículo sensorial conhecido...”. Ali são mais 23 casos estudados.

             Com apenas um pedaço de carvão a sensitiva Edith Hawthorne narra não só o drama vivido por um mineiro vitimado por desmoronamento do local em que trabalhava, mas fornece inúmeros outros detalhes ligados ao presente e ao passado do local, incluindo a existência ali de uma floresta, os animais que a habitavam, etc, dados confirmados depois.


       Nas hipóteses caberia a possível leitura da mente do operário com o concurso de seu filho, que apresentara o carvão. Já a visão da antiga floresta poderia também ser extraída da mente deste caso tivesse lido a respeito em livros. Mas o interessante é que a sensitiva não só descrevia como vivenciava todas as emoções, integrada aos cenários e pessoas.


      Outro caso curioso envolvendo a mesma sensitiva dá-se ao entrar em contato com uma simples pena. A partir daí ela vivencia uma extraordinária experiência do voo de um pombo-correio. Tão ou mais fantástico é o caso número VI que o professor William Denton publicou sob o título “A autobiografia de uma rocha”. Numa narração de extensão superior a dois terços do total deste artigo, a sensitiva, esposa do professor, vive na pele toda a vida de um pequeno pedaço de rocha desde a sua expulsão vulcânica – decerto o momento em que ela se fragmentou de uma outra muito maior – até libertar-se de uma geleira.

Em “A autobiografia de
uma rocha”, a sensitiva,
esposa do prof. Willian
Denton, vive na pele to-
 da a vida de um pequeno
pedaço de rocha desde a
expulsão vulcânica até
libertar-se de uma geleira.

      Myers, citado por Bozzano, teoriza sobre um “ambiente metaetérico”, espécie de arquivo universal de registros vibratórios. E o italiano recorre ao “Deus-éter”, onipresente e onisciente, já contemplado pelos estudos dos estóicos, de onde se fariam as leituras psicométricas. Sempre haveria uma relação telepática ou telestésica do sensitivo com a mente encarnada ou não ou com o éter imanente ao objeto e que registrou as vibrações dos fatos. Numa ocasião a ‘leitura’ foi possível mesmo depois de o objeto, no caso um par de brincos, ter sido transformado em uma medalha.


       À página 69, Bozzano cita um fenômeno ocasional por estado febril em que o indivíduo ‘leu’ fatos de 2000 anos antes. Obviamente não havia como atingir a comprovação, mas a riqueza de detalhes e a possibilidade de ocorrer confirmada em outros casos realçam sua importância. Em outras situações ficou evidente que a descrição realizada pelo sensitivo não tinha origem no subconsciente do consulente, mas do próprio espírito desencarnado sobre o qual versava a investigação.


       Em certa experiência tentou-se saber de um recém-falecido e nada se conseguiu após cinco dias quando a psicômetra afirmou que ele passava pelo sono reparador. Nem depois de oito dias e até mais algumas semanas. Somente após quatro meses foi possível conhecer-lhe o estado. Disso concluiu Bozzano que as informações haviam sido tiradas diretamente da mente do falecido e não do objeto cujas emanações deveriam ser mais intensas quanto mais próximas da morte.

      O narrador de um dos casos cita Arthur Conan Doyle, o criador de Sherlock Holmes em cuja casa, ele, uma sensitiva, o diretor de um grande jornal londrino e um ator viram imagens numa bola de cristal.

      Como se vê essa primeira parte do livro é recheada de revelações curiosas e intrigantes.  Apesar de todas as análises minuciosas e hipóteses levantadas, o autor admite que em muitos casos não é possível formular conclusões definitivas. Por isso o termo ‘enigmas’ contido no título. De qualquer maneira ajudam a compreender uma classe de fenômenos pouco usuais, reafirmando sua veracidade e descartando algumas explicações absurdas e reducionistas como manifestações patológicas, alucinações, etc.

       Já sobre as telestesias, Bozzano frisa que este fenômeno não se caracteriza por movimento de objetos à distância, mas pela percepção não sensorial e não telepática. Não é clarividência nem telepatia. Um exemplo prático é a rabdomancia ou descoberta de fontes subterrâneas tendo como instrumento uma simples vara. Outro exemplo é a aloscopia ou visão interna do corpo. Há casos também de descoberta de tesouros ocultos como o descrito à página 146.

      O autor fala ainda do déjà vu ou paramnesia e da criptomnésia pela qual em sonho a pessoa é capaz de relembrar o local de um objeto perdido. A natureza da telestesia pode ser anímica ou espírita.

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