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Jornal Comunica Ação Espírita | 86ª edição | 07 de 2011.

O pão nosso de cada dia: pedir ou conquistar?

Por Wilson Czerski

  • Tão importante quanto o pão material... Tão importante quanto o pão material...
  • ...é o do espírito. ...é o do espírito.

      A análise de Allan Kardec, no “Evangelho Segundo o Espiritismo”, a respeito da prece de Pai Nosso oferece-nos oportunas reflexões sobre a atitude esperada do cristão. Percebemos ali o seu significado profundo, capaz de impressionar a alma, evitando que a repetição torne-se mecânica e destituída de sentimento.


     Orar não é um ato de papaguear, tagarelar muito e de forma decorada. Não é isso que Deus deseja de suas criaturas. Para que a prece tenha valor é necessário envolvê-la em sentimento e depois endereçar ao Pai pela sintonia estabelecida pela fé. A prece é da razão e do coração e não da boca.

 
      No trecho “Dai-nos o pão de cada dia” da chamada prece dominical ensinada por Jesus, elucida Kardec “que o homem de boa vontade deve pedir o auxílio de Deus para secundá-lo a obter o necessário, mas não para quem se compraz na ociosidade ou procura o supérfluo”, pois o ‘alimento deve ser retirado da terra com o suor da fronte’.


     “Toda ocupação útil é trabalho”, ensinam os Espíritos. Assim, entende-se o trabalho material e intelectual como um dever para exercitar a inteligência do homem na busca dos meios de prover suas necessidades. A fé ajuda, mas só ela não basta. Precisamos fazer a nossa parte na base do “ajuda-te que o céu te ajudará”, do “procurai e achareis” e do “batei e abrir-se-vos-á”.


     Além do “como pedir”, com humildade e fé, é preciso saber “o que pedir”. Muitos pedem riqueza, fama, sucesso profissional, bom casamento, cargos de poder, ganhar na loteria, etc. Deus não está nem aí para nossos caprichos infantis. E muitas vezes nosso pedido parece justo, mas não é o que precisamos naquele momento. Deus julgará o merecimento e a oportunidade.

     Aliás, na questão 922 de O Livro dos Espíritos, os Superiores declararam que a medida de felicidade humana no que diz respeito à vida material é “a posse do necessário” e para a vida moral “a consciência tranquila e a fé no futuro”.


     Encaixam-se na maneira lúcida de apelo ao Pai duas lições de Jesus. A primeira quando recomenda que não devemos nos preocupar com o que comer ou vestir no dia de amanhã, mas antes “buscar o reino de Deus e sua justiça que todo o restante nos será dado por acréscimo”. Não se trata de um incentivo à acomodação ou imprevidência. Apenas salienta que são inúteis ou desnecessárias as excessivas preocupações que temos com as coisas materiais.

     O outro ensinamento de Jesus que nos ocorre no mesmo sentido é quando ele diz que devemos acumular os bens que não podem ser roubados pelos ladrões e estão imunes à ação das traças e da ferrugem. Ora, os indicados são os valores do espírito, incorruptíveis. São as aquisições do intelecto e as virtudes. Isso, ninguém nem nada pode tirar de nós.


     Na prece, às vezes, incluímos o pão do espírito, além do material. O primeiro está na paz, fé, coragem, resignação, inteligência, amizade, realização pessoal. E da mesma forma que para adquirir o pão material somos compelidos à lei do trabalho e do merecimento, não é diferente com o alimento de natureza espiritual. O cristão consciente deve viver e agir no campo religioso e social não para se salvar, barganhando com Deus, mas para cumprir com o seu papel de agente do Bem e colaborador do Pai.


     Aliás, fazer o certo e o Bem pensando em recompensa futura ou por temer  a imposição de castigos, compromete o desempenho, retardando os passos do indivíduo e atando-o a sentimentos de tristeza e sofrimento incompatíveis com a alegria que devemos experimentar pelo dom da vida e possibilidade de crescimento espiritual.


     Tal como a falta do alimento do corpo carnal pode levar à desnutrição seguida da inanição e até da morte, a falta do pão do espírito gera vulnerabilidades íntimas que não tardarão a se expressar também no físico.

     Devemos viver tendo olhos no futuro, isto é, elegendo como meta a ser atingida a felicidade espiritual, sem esquecer, entretanto, que para chegar lá precisamos passar pela vida material como experiência que não pode ser desprezada. É, pelo contrário, uma necessidade colocada a todas as criaturas pelo determinismo divino, da qual, portanto, ninguém pode fugir.


     O importante é que se o ato de alimentar o corpo pode transformar uma necessidade fisiológica em fonte de prazer, praticar o Bem, participar, colaborar, estudar, amar, poderá não só apaziguar a consciência, mas principalmente proporcionar um elevado grau de satisfação como reflexo da doação em favor do próximo. Ao recebermos, devemos compartilhar com nossos semelhantes mais carentes, inclusive, os de amizade, de apoio, de consolação e encorajamento, de esclarecimento, de tolerância e perdão.


     Prefira a prece elaborada com as próprias palavras. Coloque sentimento nelas. Peça somente aquilo que é justo e realmente necessário. Ore com humildade e não de forma exigente e urgente. Mantenha a fé mesmo que os resultados demorem. E se optar pelo Pai Nosso, lembre de pedir principalmente o pão da alma e esta alimentará o corpo porque ela é uma potência capaz de criar e atrair o Bem que reverterá em condições físicas também favoráveis.

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