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Jornal Comunica Ação Espírita | 68ª edição | 07 de 2008.

A educação moral é o antídoto perfeito contra a violência

Por Wilson Czerski

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  • Foto: www.umoderna.pt. A infância é o período em que o Espírito está mais acessível às influências recebidas dos encarregados de sua educação. Questão 383 de O Livro dos Espíritos. Foto: www.umoderna.pt. A infância é o período em que o Espírito está mais acessível às influências recebidas dos encarregados de sua educação. Questão 383 de O Livro dos Espíritos.

"Há um elemento (...) sem o qual a ciência econômica não é mais que uma teoria: a educação. Não a educação intelectual, mas a (...) moral e não a educação moral pelos livros, mas aquela que consiste na arte de formar os caracteres, a que dá os hábitos: porque a educação é o conjunto de hábitos adquiridos. Quando se pensa na massa de indivíduos jogados cada dia na torrente da população, sem princípios, sem freios e entregues aos seus próprios instintos, deve-se espantar das conseqüências desastrosas que resultam??

Sábia observação de Allan Kardec acrescentada à questão 685 de O Livro dos Espíritos. Fala-se da necessidade de se investir na educação como sinônimo de instrução intelectual. Para o Espiritismo, ela possui significado mais amplo, aplicando-se ao homem em todas as suas dimensões: bio-psico-intelecto-sócio-moral, fundamentalmente esta.

Quarenta mil homicídios, trinta e um mil mortos no trânsito, dezenas de milhares de feridos, mutilados e incapacitados permanentes; bilhões de reais em prejuízos materiais e gastos com tratamentos médicos e indenizações. Esse o saldo "material" do inventário macabro anual no Brasil. E o sofrimento moral das vítimas e suas famílias? Quanta dor, quanta impunidade e "injustiça" não reparada, quantas pessoas lançadas tragicamente à viuvez e orfandade. Quantos talentos, quantas vidas ceifadas brutalmente!

O Espiritismo, pela sua filosofia e sua ética, pode ser o elemento transformador por excelência do ser humano. Tem elementos suficientemente desenvolvidos, de modo racional e consistente, para contribuir na solução dos grandes problemas que o afligem, oferecendo valores concretos para a felicidade verdadeira, livre da ilusão material, apesar de inserido, como ser encarnado, no contexto social momentâneo de sua evolução.

Se o objetivo parece inalcançável, ocorre não por falta de qualidade na mensagem espírita, mas pela deficiência na instrumentalização de fazê-la chegar às massas. Falta de conhecimento, indiferença ou falta de preparo das lideranças, metodologias ultrapassadas, linguagem inapropriada, falta de recursos humanos e econômicos são alguns dos fatores que emperram a divulgação espírita, sonegando informações capazes de, se devidamente veiculadas, modificar de fato, a sociedade.

São válidos os protestos, as passeatas e campanhas que visam atenuar o impacto da violência urbana e também a rural. Mas não sejamos ingênuos de pensar que só com isto o problema já estará resolvido. Devemos desarmar, antes de tudo, nossos espíritos pela prática do amor e da fraternidade legítima extensiva a todos. É o que se deduz das palavras do Cristo: Mas se amardes somente àqueles que vos amam, que mérito tereis?

A imensa maioria das pessoas que habitam este país é constituída por gente séria, honesta e trabalhadora, mas o poder da minoria bandida prevalece. Na resposta à questão 934 de O Livro dos Espíritos, os Orientadores Espirituais, uma vez mais elegeram o egoísmo como o vilão máximo do sofrimento da humanidade para a seguir, afirmarem que "À medida que os homens se esclarecem sobre as coisas espirituais, ligam menos valor às coisas materiais... é preciso reformar as instituições humanas que o entretêm (ao egoísmo). Isso depende da educação" . Anteriormente, na mesma obra, na questão 685, é o próprio Allan Kardec que acrescenta comentário sobre o tema econômico dizendo: "Há um elemento... sem o qual a ciência econômica não é mais que uma teoria: a educação. Não a educação intelectual, mas a ... moral e não a educação moral pelos livros, mas aquela que consiste na arte de formar os caracteres, a que dá os hábitos: porque a educação é o conjunto de hábitos adquiridos. Quando se pensa na massa de indivíduos jogados cada dia na torrente da população, sem princípios, sem freios e entregues aos seus próprios instintos, deve-se espantar das conseqüências desastrosas que resultam?? (Neste parágrafo, o negritado é do autor da obra e o sublinhado do autor deste artigo).

Educar, mais que instruir e não só pelos livros mas pelo exemplo prático. Educação maciça iniciada nos lares por pais bem preparados, conscientes e responsáveis, passando pelos estabelecimentos de ensino onde poderiam ser incluídas disciplinas específicas de trânsito, cidadania, meio ambiente, respeito ao patrimônio público, prevenções sanitárias e anti-drogas, incluindo o tabagismo e o alcoolismo; importância da doação de órgãos, etc. E campanhas envolvendo as igrejas de todos os credos - isto vale também para os espíritas -, ONGs e instituições diversas da sociedade civil como OAB, a mídia e outras.

Este modelo, que possui a desvantagem de provocar resultados mais significativos de médio e longo prazos, tem o mérito de ser mais definitivo, atacando as causas dos males.Já as medidas repressivas, melhor aparelhamento policial, reformulação do sistema carcerário e mecanismos de ressocialização dos ex-detentos, reestruturação do Judiciário, desarmamento e tantos outros também são úteis e necessários, atacando, embora, apenas as conseqüências.

O egoísmo só poderá ser extirpado inteiramente do corpo social com o passar talvez de vários séculos, mas efeitos parciais e no âmbito individual podem ser sentidos de imediato à aplicação quando simplesmente ensinamos nosso filho de três anos a respeitar o também filhinho querido da empregada doméstica, mesmo que tenha outra cor de pele; ou quando não permitimos que o filho adolescente dirija automóvel e, se mais velho e habilitado, que receba aconselhamento, seja conscientizado para a responsabilidade que lhe pesa nos ombros com relação à própria integridade física e a dos outros; ou quando rejeitamos a sugestão para adquirirmos uma arma de fogo a pretexto de proporcionarmos mais segurança a si e à família, idéia falaciosa e de risco.

As leis e a ordem impostas à sociedade como resposta à exigência coletiva são bem-vindas e necessárias, mas de maior eficiência quando todos souberem, senão amar e fazer ao próximo quanto o que desejariam que lhes fizessem, pelo menos respeitar seus direitos, especialmente os fundamentais como a vida.

Quanto à lei de Causa e Efeito ou justiça divina, ela se materializa através dos próprios homens equivocados no passado longínquo ou recente, como contingência do estágio evolutivo que nos encontramos. E não é menos verdadeiro que Deus dispõe de outros mecanismos para punir suas criaturas empedernidas no mal, feri-las em seu orgulho e atingir-lhes o ego. Dispensa o nosso "empurrãozinho", como muitos pensam ser necessário, justificando assim o estado de coisas atual e até a nossa própria indolência.

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