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Jornal Comunica Ação Espírita | 88ª edição | 11 de 2011.

Livros que eu recomendo

Por Wilson Czerski

Forças Sexuais da Alma

      Em tempos de grandes transformações sociais, especialmente na área dos direitos das minorias e, mais ainda, relacionadas à sexualidade, o pequeno livro de Jorge Andréa merece consideração especial.

      Publicado em 1987 pela FEB, nosso exemplar já da 6ª edição, de 1995, e englobando do 46° a 50° milheiro, com suas 160 páginas, o agora nonagenário autor de, segundo a Wikipédia, de “quase três dezenas de livros sobre os aspectos científicos da Doutrina Espírita, aqui sua atenção está voltada para uma das mais importantes potencialidades humanas.

      São apenas cinco capítulos, a saber: I – a psique, consciente e inconsciente; perispírito ou psicossoma e genes cromossomiais; II – vórtices espirituais – núcleos em potenciação; núcleos psi-sexuais e correlações com a zona física; III – glândulas e hormônios sexuais; pílula anticoncepcional e controle de natalidade; hormônios sexuais e perispírito; IV – intersexualismo, transexualismo e mudanças de polarização sexual em face da reencarnação; homossexualismo; V – êxtase sexual: chamamento reencarnatório, maternidade, construção da alma.

      Os tópicos acima contidos no sumário dizem bem do conteúdo da obra. Naturalmente que lançando um olhar crítico sobre a mesma, podemos nos deparar com conceitos ou afirmações com os quais podemos não concordar, ao menos, integralmente.

      Na página 34, por exemplo, após comentários introdutórios sobre a estruturação da mente humana, segundo um modelo desenvolvido por ele, inclusive em obras anteriores, ele diz que as camadas de consciência se envolvem de fora para dentro umas às outras como um envelope. O núcleo mais central, denominado por ele, de ‘inconsciente puro’ se revestiria, por assim dizer, pelo inconsciente passado e este, por sua vez, pelo inconsciente atual e, finalmente, o corpo físico.

      A cada nível de consciência corresponderia uma faixa específica de energias, partindo das mais sutis, no centro (o âmago do espírito), passando pelo corpo mental, o perispírito e o físico, estágio máximo da densidade de um ser humano encarnado.

      A dúvida em relação ao modelo é se o mesmo está correto quanto a localizar a parte mais sutil, de energia menos densa no interior quando talvez devesse ser pensado como a estrutura mais externa. Afinal, na interação corpo e perispírito, quem reveste quem? A alma está dentro do corpo ou fora dele? De qualquer forma não podemos esquecer que todo esquema ou modelo teórico, para atender à necessidade pedagógica, está sujeito a deficiências com possíveis sacrifícios ao raciocínio lógico.

      Mais à frente, de certa forma, Andréa resgata os conceitos de Freud. E aqui mencionamos como ilustração e não como ressalva. Os núcleos de potenciação são definidas como “pontos vorticosos... em dimensão superior à matéria... parte da zona do inconsciente (espiritual), unidades de energia PSI, de variáveis potencialidades... acumulando, em potencial,. As aptidões das realizações que a vida possa oferecer...”. Dentre estes há os núcleos sexuais que influenciariam todos os demais, dando-lhes colorido emocional no consciente e que se materializariam no sexo de periferia ou expressão mais densa das forças criadoras. 

      Informação curiosa consta à página 80. Certos médiuns, para bem expressar manifestações artísticas de mais delicada sensibilidade, teriam que contar com campos sexuais femininos de profundidade, existentes em algum grau em toda personalidade masculina.

      Acrescenta Andréa que muitos indivíduos em corpos masculinos estariam “exteriorizando energias de campos sexuais femininos onde seus potenciais de transição sexual, pela reencarnação, estão tentando se firmar no novo corpo... O resultado... é que o homem terá atitudes psicológicas condizentes com a organização feminina e, muitas vezes, traduzidas de homossexualidade...”.

      Disso passará a escrever com mais especificidade ao designar os chamados transexuais, divididos em dois tipos: os fronteiriços com tendências homossexuais e riscos de endividamento moral pelo descontrole da energia que clama por equilíbrio e os que já superaram essa fase que abdicam de expressões concretas no plano físico, direcionando as forças desta natureza para o cultivo de valores enobrecidos.

      Deve-se levar em conta o ano em que a obra foi escrita – quase 30 anos - para que o autor não seja mal compreendido. Na página 132, por exemplo, ele é taxativo que o homossexualismo possui interesse científico pela sua “conotação patológica”. Em tempos atuais, de reivindicações de igualdade de tratamento, direitos estendidos e condutas e manifestações politicamente corretas, tal expressão pode causar reações negativas.

      Diz mais ele: os homossexuais são egoístas, frágeis, desconfiados e profundamente sensíveis, com tendências artísticas e agudeza perceptiva confundida com inteligência, embora existam os que de fato a possuam. “... pelo desvio patológico, é um sofredor por excelência e pelas ‘emoções esgarçadas’ é um solitário...”.

      Há, como colocamos no início, quem poderá ler e discordar de algumas colocações. Isso é natural. Ninguém é obrigado a aceitar prontamente o que os outros afirmam. Mas em tempos de relatividade moral e aceitação de modismos não bem equacionados do ponto de vista da alma imortal, manda a prudência estarmos bem informados antes de nos lançarmos para esta ou aquela banda de opiniões.

      Afinal, Jorge Andréa, pela sua formação de psiquiatra e espírita, por tudo o que já pesquisou e acumulou de conhecimentos na área e traduziu em livros, artigos, etc, merece uma reflexão demorada acerca dessas poderosas energias que fluem, sim, do espírito, onde são originadas, para o corpo físico e ali nem sempre são devidamente educadas e canalizadas, por homens e mulheres. Até porque esta falta de educação não é privilégio de um grupo em particular, mas de quase todos nós que estagiamos ainda no primitivismo dos instintos em detrimento da razão.

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