ADE-PR: Associação de Divulgadores do Espiritismo do Paraná

Especial

Marca de nascença no menino Ian é evidência a favor da reencarnação. Assista o vídeo clicando aqui.

Jornal Comunica Ação Espírita | 90ª edição | 03 de 2012.

Editorial

 

Conhecimento espiritual: revelação

 gratuita ou trabalho humano?

 

            Lemos e ouvimos mais de uma vez que o caráter progressista do Espiritismo é inseparável do aval da espiritualidade. Deveríamos permanecer à espera que ela se manifeste sobre qualquer assunto “novo”, não contemplado nas Obras da Codificação ou nas complementares. Como se nós, os encarnados, fôssemos privados da capacidade de pensar, refletir e concluir.

            Se todo o conhecimento que a Humanidade possui em relação aos temas metafísicos dependesse somente das revelações dos espíritos, por certo, saberíamos bem pouca coisa, a despeito da inegável contribuição delas no seio de todos os povos. Médiuns videntes, profetas, extáticos e místicos trouxeram informações preciosas a respeito da alma, de Deus e do universo.

            Porém, os encarnados também tiveram o seu papel de destaque neste processo através da filosofia e da ciência. Promover, no Movimento Espírita, a mentalidade de que em assuntos mais delicados devemos simplesmente abdicar da capacidade de raciocinar, compreender e lançar luz sobre tais pontos, no aguardo de que os espíritos revelem tudo prontinho, é grave equívoco.

            Alguns baseiam opinião no fato de que se os espíritos ainda não se pronunciaram, é porque não era chegado o tempo para tal. Realmente, muita coisa não podia ser tratada porque havia muitas outras mais urgentes e certos problemas nem existiam, como a geração humana in vitro ou a manutenção da vida artificialmente, por exemplo.

            Pelo contrário, os espíritos estimulam o trabalho humano em todas as áreas do progresso. Orientam, inspiram e podem até, aqui ou ali, desvelar certos conhecimentos, entretanto, não devemos cruzar os braços esperando que eles façam a parte que nos compete.

            Os desencarnados, porque desembaraçados da matéria, podem possuir conhecimentos ampliados, mas nem sempre. Allan Kardec já alertava de que eles só falam do que sabem e que ninguém sabe tudo. Quantos “falsos profetas”, mistificadores ou até bem intencionados que transmitem declarações eivadas de erros? A dependência absoluta em relação ao que os que espíritos podem dizer é demonstração de comodismo e tangencia o fanatismo.

            Hoje eles, falando-se dos mais elevados moral e intelectualmente, estão lá e nós aqui. Amanhã a situação poderá se inverter. Os que, então, estiverem por aqui, será que ficarão à mercê somente do que nós, como desencarnados, comunicaremos a eles? Espíritos somos todos nós. E muitos, antes desta encarnação ou após ela, poderemos ser evocados para opinar e esclarecer, mas enquanto aqui, teremos perdido toda a bagagem acumulada nas múltiplas existências?

            O perigo está na formulação de teorias pessoais e isoladas, tanto dos daqui como dos de lá. Mas é da cooperação entre encarnados e desencarnados, sempre em alternância de posições nas duas dimensões da vida, que se fará o trabalho das descobertas a respeito do que é bom, justo e ético para os homens utilizar daquilo que a ciência humana já desbravou.

 

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