ADE-PR: Associação de Divulgadores do Espiritismo do Paraná

Especial

Marca de nascença no menino Ian é evidência a favor da reencarnação. Assista o vídeo clicando aqui.

Jornal Comunica Ação Espírita | 90ª edição | 03 de 2012.

O livro de Wilson Czerski

Por Zélia Carneiro Baruffi

O livro de Wilson Czerski (*)
                                                                                                       
    O escritor e conferencista paranaense Wilson Czerski, fundador da Associação de Divulgadores do Espiritismo do Paraná – ADE-PR, sempre nos brindou com temas da atualidade à luz do Espiritismo. Acaba de lançar “Destino: Determinismo ou Livre –Arbítrio?”, pela editora EME, de Capivari, São Paulo.
Nesta nova obra, o autor nos relata, no preâmbulo, a ideia, a preparação e sua execução que levou quatro anos para chegar ao conhecimento do público. Os questionamentos eram imensos referentes ao papel desempenhado em nossa vida terrena pelo livre-arbítrio e à compreensão de como influenciam no passar da existência e a importância que representam na nossa saúde, na aparência física, na profissão, no enlace entre duas pessoas; se a fatalidade existe e de que forma atua; se tudo em nossa existência é determinado por uma força maior.
    Esta é uma obra para ser estudada, pensada e acharmos, através da reflexão, o universo que ela encerra, do que significa verdadeiramente o nosso destino. Entendermos que a reencarnação nos faz perceber certas situações da vida terrena, mas que precisamos saber entender o verdadeiro significado das palavras: determinismo, destino, fatalidade, livre-arbítrio.

    Durante a leitura observamos, segundo a citação do autor, que os filósofos da Antiguidade defendiam a liberdade de escolha. “Demóstenes e Tales de Mileto foram os primeiros filósofos a negar a existência do determinismo absoluto”. Platão admitia a existência do livre-arbítrio.

    Quase todas as religiões deixam um espaço para a prática do livre-arbítrio, em algum grau, exceto o Protestantismo. Ali a liberdade de escolha não existe. Para Lutero existe a necessidade e não o livre-arbítrio que controla nossa conduta. O homem é prisioneiro e escravo da vontade de Deus ou satanás. Calvino afirma que         Deus criou o homem já predestinado ao céu e ao inferno, nada podendo fazer para alterar a situação. As religiões orientais são as que têm maior afinidade com o Espiritismo sobre esta questão.
Fatalidade, livre-arbítrio e determinismo coexistem na vida do ser encarnado. O destino é construído pelas escolhas realizadas segundo nossa vontade, tanto antes de reencarnarmos, como na presente vida terrena, a cada instante, mas, também, é determinado pela lei de causa e efeito que, em última análise, resulta do livre-arbítrio exercido em algum momento do passado, criando automaticamente consequências no presente.
    O autor nos dá o exemplo de uma pessoa agindo conscientemente exercendo o governo de si mesmo, enquanto outra, agindo sem pensar, sem medir consequências, acaba gerando o mal. É diferente de um terceiro que erra pela incapacidade de discernir o certo do errado, portanto, sofre as imposições do determinismo inerente a sua condição de imperfeição mais acentuada, não, porém, da lei de causa e efeito.
No capítulo segundo, a questão do livre-arbítrio para as religiões, compreendemos que quase todas elas falam que a partir do momento em que somos dotados de consciência, fazemos nossas escolhas, boas ou más, e com elas construímos nosso destino não só para a vida terrena, mas para a espiritualidade e conforme nosso livre-arbítrio sofremos consequências futuras.
    No capitulo terceiro, Wilson nos explica os conceitos de determinismo e livre-arbítrio, destino e lei de causa e efeito, provas e expiações, sempre de conformidade com os conhecimentos das obras básicas do Espiritismo. Comenta ainda a influência dos espíritos em nossa vida, positiva ou negativa. Argumenta sobre as obsessões, os erros médicos, os homicídios, acidentes, balas perdidas, mortes coletivas.
    Seria tudo isto obra do acaso, fatalidade que algumas vezes decorre das escolhas que terminam em uma espécie de destino, mas que a nosso ver pode ser alterado pelo livre-arbítrio. No capítulo seguinte encontramos estudos de casos, como o acidente com o avião da Gol, os terremotos de El Salvador, a tragédia das chuvas. É fatalidade? Muito bem comentado e explicado pelo autor que nos leva a um precioso entendimento e a uma reflexão sobre Deus e seus desígnios, e que nos faz pensar corretamente, entender que nem tudo que nos acontece hoje é resultado do ontem. A cada instante estamos tomando novas resoluções. Não podemos chamar de destino ou fatalidade a tudo que nos acontece e nem que estava escrito por culpa de um passado distante, nem para as vítimas e nem para os causadores da velocidade, a negligência e a embriaguês.
    Caro leitor, através da leitura do livro de Wilson Czerski você passa a entender que temos participação direta ou indireta em nosso destino e que através do livre-arbítrio erramos e acertamos nossa caminhada. Destino? Fatalidade? As perguntas ficam no ar. Certos casos são complexos e ficam a cargo da reflexão interna de cada um de nós. É uma leitura que recomendo porque nos liberta um pouco mais, no dizer do autor, da cegueira espiritual na qual ainda nos encontramos. Este livro nos concita a corrigir a cada instante aquilo que podemos mudar e buscar nossa felicidade através destas correções do caminho, trilhado a cada momento de nossas vidas. Para finalizar o autor faz uma autobiografia do destino em sua vida, muito bem concluída e que, pelo seu esforço e dedicação, nos levou à emoção.

NR: Resenha publicada originalmente no informativo “Leitor” da EME Editora n° 30, fevereiro de 2012 e aqui ligeiramente adaptada.

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