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Jornal Comunica Ação Espírita | 90ª edição | 03 de 2012.

Livros que eu recomendo

Por Wilson Czerski

As vidas sucessivas, de Albert de Rochas

    Impossível resumir numa página quase 400 outras, especialmente de um livro tão espetacular. É a obra mais importante do ex-coronel francês que iniciou as experiências sobre regressão de memória em 1893 e entre 1903 e 1910 pesquisou pessoalmente 19 pessoas, os sujets, investigando demoradamente as questões das vidas passadas. Mas não só, pois em decorrência delas, estudou também as propriedades do perispírito – mais particularmente do chamado duplo-etéreo -, os desdobramentos, a progressão da memória, a exteriorização da sensibilidade e motricidade, o magnetismo e o hipnotismo, fazendo com que o autor, embora não declaradamente espírita, (1)se tornasse (tenha se tornado) um dos nomes mais respeitados no trato do aspecto científico da Doutrina Espírita.


    A apresentação do livro, na sua reedição pela Lâchatre, em 2002, é de outro expoente da pesquisa espírita científica, Hermínio C. de Miranda que afirma “... a despeito de não se caracterizar como texto doutrinário espírita, seu valioso trabalho oferece firme suporte aos ensinamentos e conteúdos dos livros básicos da Codificação”. Um exemplo está na página 78 (na constatação de que o espírito em vias de renascer (2), (OK) não entra totalmente no corpo físico em formação desde o início da gestação, (3)permanecendo (mas permanece) próximo dele (4), completando-se (pode fazer isso, se quiser, mas na verdade não vejo o espírito como o sujeito; não é exatamente ele que completa o acoplamento. É um processo também efetuado por outros espíritos. Acho que isso se chama sujeito indeterminado) o acoplamento (5)em torno (OK) dos sete anos).
     De Rochas procedeu diversas sessões com cada um dessa quase vintena de sensitivos e todas elas estão reproduzidas em detalhes no livro. Os relatos retratam as informações primárias sobre a pessoa, sua idoneidade, referências pessoais e talentos anímicos. Depois, a descrição do desenvolvimento da sessão, muitas vezes ilustrada pelo diálogo completo mantido entre ele, o experimentador, e o sensitivo, o que nos faz lembrar muito do método kardequiano, adotado principalmente em “O Céu e o Inferno”, inclusive com nuances de esclarecimento e consolo.


Às vezes, de Rochas recorre a casos externos, mas vinculados às suas próprias experimentações. Entre as páginas 267 e 272 reproduz o relato do Dr. Carmelo Samona, publicado na Filosofia della scienza, de Palermo. Eis um resumo: em março de 1910 sua filhinha de cinco anos morreu de meningite; três dias depois anunciou à mãe em sonho que voltaria antes do Natal, sonho que se repetiu após novo igual período. Sucederam-se sessões de tiptologia nas quais se manifestavam o espírito da menina e de uma irmã do médico.


    Os anúncios se repetiram durante três meses, após o que, ela mesma informara, não poderia continuar se comunicando porque estaria cada vez mais ligada à matéria. O aviso incluía um detalhe especial: ela viria acompanhada por uma irmãzinha e isso também se mostrou correto no final de novembro.


    Outra revelação coincidente com as obtidas por Kardec em O Céu e o Inferno está no fato de, em certas ocasiões – e aqui não era o caso de um suicida – o espírito acompanhar a decomposição cadavérica. Aliás, detalhe importante: de Rochas conseguiu aquilo que nem Hermínio de Miranda logrou alcançar, ou seja, rememorações de um espírito encarnado sobre o tempo de intermissão, ou erraticidade. Um sujet (p. 65) recordou de ter sido macaco. Seria possível? Da página 135 à 170, mais um relato de regressão consecutiva a várias vidas anteriores quando a sensitiva Sra. J. recuou por outras dez vidas, todas vividas na atual França, e até antes do ano 70 d.C. A sessão durou cerca de três horas.


    Um caso específico de um sensitivo que fora bispo, de índole razoável, mas com fraco por mulheres, sua identidade pôde ser levantada; Monsenhor Belzunce. Em vários momentos da regressão da vida desta personalidade, Albert de Rochas colheu a caligrafia, devidamente comparada com a sua própria de outras épocas daquela existência como também com a do sensitivo e a de uma personalidade anterior a do bispo. Após a vida como soldado mau, beberrão e luxuriante a serviço de Luis XIII, morre assassinado e o que narra então novamente coincide com relatos dos espíritos de idêntico quilate a Kardec (6) e, (OK) mais ainda, guarda totais semelhanças com as descrições do Umbral por André Luiz.


    Mas, na conclusão do estudo desse caso, de Rochas deixa uma ou mais dúvidas. Primeiro afirma que importante ocorrência da vida comprovada do bispo não é mencionada durante a regressão e que talvez a sensitiva pudesse ter fantasiado aquela existência a partir de um sumário conhecido. Mas os nomes que Albert usa são diferentes: antes a sensitiva chamava-se Henriette e agora Marguerite. O exame grafológico realizado não indicava semelhança entre a letra obtida durante o estado de transe e a firmada pelo bispo em vida. Bem, estamos falando de ciência. A propósito, de Rochas, inicialmente presenciou Richet fazer, depois ele repetiu a experiência de induzir, pela sugestão, o sujet assumir integralmente personalidades fictícias e se comportar até como objetos inanimados. 

 
    Permeados com os casos de regressão de memória, de Rochas insere diversas experiências de transposição cronológica invertida, isto é, caminhando para o futuro, como a da sensitiva Eugénie, em 1904, que previu que em dois anos teria uma gravidez indesejada, quase morreria afogada e depois teria outro parto sobre as águas. Confirmados fatos estranhos assim, não se pode levar à conta de meras especulações ou mesmo deduções lógicas. Em 1906 tornou-se amante de um operário de quem teve um filho. Desesperada, depois tentou o suicídio, jogando-se no rio Isère e, em 1909, surpreendida pelas dores de um segundo parto, quando retornava do trabalho, deu à luz sobre a ponte do mesmo rio.


    Mas algumas dessas previsões falharam, continham imprecisões ou nunca puderam ser confirmadas pela falta de posteriores contatos com os personagens envolvidos. Uma, porém, que deu certo, é comovente. Em 1905, a sensitiva Juliette projeta-se até 1916, ano de sua desencarnação. Nesta condição recorda-se com carinho justamente do experimentador, Albert de Rochas, que ela afirma ter morrido dois anos antes. De fato, ele viria a desencarnar em 1914.


    Há muito mais: períodos de intermissão entre as diversas existências de um sensitivo, variando de 18 a 644 anos; as teorias sobre o tempo; a aura; a descrição do clarividente Jackson Davies de uma morte, Marguerite Boyenval que ficou em letargia (dormindo) de maio de 1883 a maio de 1903 e, tendo despertado, morreu cinco dias depois; e as comunicações de um espírito em estado de coma durante um mês através de uma médium, já prevendo a desencarnação e futura reencarnação.

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