ADE-PR: Associação de Divulgadores do Espiritismo do Paraná

Especial

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Jornal Comunica Ação Espírita | 91ª edição | 05 de 2012.

Em tempos de relativismo moral

Logo após assumir o papado, Bento XVI falou que o homem deveria se precaver em relação ao relativismo moral vigente atualmente na sociedade humana. E tem razão. Cada vez mais as linhas que delimitam o certo do errado, o normal e aceitável do que não deveria ser, o permitido do exigido, estão se diluindo, deixando as pessoas em dúvida de como se comportar, o que aprovar ou não.

Isso vale para os espíritas. Muitos entendem que estamos parando no tempo, com excesso de conservadorismo, não aceitando ou assimilando mal os movimentos de vanguarda em relação às leis e costumes. E outros, para não ser enquadrados ou por meros descuidos e irreflexões seguem aceitando tudo, senão explicitamente, ao menos tacitamente. Não se manifestam, resignam-se, calam e consentem, não reagem.

Muitos de nós estão baixando a guarda e sendo arrastados pelos modismos, pelos ares ditos modernistas, evitando o confronto de algumas destas propostas sociais com os princípios morais – não moralistas – que apreendemos dos ensinamentos espíritas como se estes nunca tivessem, de fato, tomado lugar, em nossa consciência.

Rasgamos nossos compromissos éticos somente para não desagradar filhos, amigos, colegas e vizinhos. Fingimos não ouvir o clamor de nossas almas em proclamar que aquilo está errado, que não concordamos com determinadas atitudes somente para não criar conflitos ou simplesmente por medo ou vergonha de sermos apontados como “caretas”, “quadrados”, ultrapassados. Como avestruzes, enterramos a cabeça para não ver nem ouvir as barbaridades no lar, na rua, na sociedade.

Relaxamos a vigilância consigo mesmo e com outros sob argumento da necessidade da boa convivência e nos tornamos coniventes com o quadro de deslizes, de permissividade, de afronta ao belo, ao justo, ao honesto. Enquanto as regras se desmancham, nossos filhos se perdem no mundo das drogas e acabamos concordando que é melhor liberar o uso do que insistir na inglória luta de combater e punir.

Porque o Espiritismo nos recomenda o amor e a caridade, continuamos defendendo o discurso das punições mais brandas, preferencialmente as chamadas alternativas, e o regime progressivo das penas, mesmo para quem mata a sangue frio, estupra e trafica. No mesmo raciocínio, bandidos fortes fisicamente, violentos e cruéis, com seus 17 anos e 11 meses, devem continuar sendo tratados como crianças ingênuas, de formação mental e psicológica incompleta.

Na área da sexualidade, onde até ontem havia a rigidez excessiva, cheia de tabus e desinformação, hoje tudo é consentido. Perdemos o controle sobre filhos e também a própria. Uniões são para poucos meses ou semanas. Adultério não é mais crime – o que é certo -, mas também ninguém mais se envergonha de ser apontado nem por ser vítima, muito menos por ser o agente que faliu no compromisso assumido de amor e respeito com o parceiro.

Namorar mudou de significado. Jovens “ficam” e dormem juntos na casa dos pais e já não causam espanto. Minorias fazem exigências descabidas e querem subtrair direitos da maioria que lhes foram negados no passado. As novelas e os BBBs da vida abusam da baixaria e nós vamos só olhando para ver até onde e como tudo acabará, silentes.

Estamos deixando o Evangelho de lado. Lições como “seja o seu sim, sim e o não, não” tem sido esquecido. Não podemos servir ao Deus verdadeiro e ao deus da luxúria. Não há mais espaço para o farisaísmo. Não podemos nos iludir com as seduções materiais da porta larga. Com que atos estamos tecendo a veste nupcial para o grande festim? Dar de ombros pode custar caro. Não impedir o mal é deixar de fazer o bem. Sem o bem, podemos ter ou aparentar, mas não somos ninguém.

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