ADE-PR: Associação de Divulgadores do Espiritismo do Paraná

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Jornal Comunica Ação Espírita | 91ª edição | 05 de 2012.

Por que é tão difícil ser expositor? (Ou, por que ainda não conseguimos praticar o que dizemos?)

Por Marcelo Henrique Pereira

   À medida em que vamos desenvolvendo nossos "talentos" de expositor (ou divulgador da mensagem espírita), algumas questões acabam povoando nosso campo mental. Uma delas, de especial importância, é a questão do exemplo. Afinal, por mais que nos esforçamos em sermos melhores, ainda temos deficiências e  limitações, muitas das quais, "aparecem" justamente nos momentos de dificuldade, contratempo, ou de "testes".

   Exemplificando, justamente quando estudamos ou falamos da Paciência, logo a seguir surge um contratempo em que nós, infeliz e naturalmente, ainda não conseguimos ser pacientes... Como encarar isto? Como se posicionar ante tais "descobertas"?

   Com naturalidade e muita franqueza... Afinal, é importante "conhecer-se" e, neste sentido, as situações adversas podem nos mostrar maior discernimento do estágio em que nos encontramos, do que precisamos corrigir e em que precisamos investir.

   Ao fazer uma exposição, a grande preocupação deve ser falar para os outros, mas falar para si mesmo, também.

   Procurar investir na "escuta", na materialização daquilo que, antes, na fala, consideramos como necessário, oportuno e positivo, para a formação moral do "homem de bem". Mas, se ainda não conseguimos "ser como gostaríamos", isto não pode constituir-se em empecilho, obstáculo ou barreira para nos fazer desistir de nossa proposta de crescer com o Espiritismo e divulgá-lo, com carinho, dedicação e entusiasmo.

   Um elemento a salientar é, nas próprias exposições, ressalvar a condição evolutiva de todos. Acostumados que estamos, quase todos, ao caráter "catedrático" das religiões, filosofias e crenças de todos os tempos, podemos incorrer no erro - principalmente os que começam a frequentar as reuniões espíritas - de considerar que dirigentes, coordenadores ou expositores, sejam "perfeitos" ou "melhores que eles". Importante frisar que não há "santidade" nem "condição missionária", salvo raríssimas exceções. Então, nada de cobranças nem decepções.

   Conheço uma história de um frequentador que, de assíduo, desistiu de colaborar com dada instituição.

   Encontrei com ele na rua, e, conversa vai, conversa vem, consegui "arrancar" dele uma confissão: havia se desiludido com o movimento espírita, justamente por encontrar certo palestrante - muito bom por sinal - na videolocadora, separando alguns filmes de teor erótico para assistir em casa. E o pior, disse ele, "agindo naturalmente". 

   Na conversa que se seguiu, sem adentrar no mérito do julgamento de atitudes, procurei dizer ao companheiro que nossas condutas pessoais são o reflexo de nossa conjuntura espiritual e que, na liberdade de agir, que nos é peculiar, por conquista espiritual, os padrões de "moralidade" são distintos, porque diversa é a maneira de considerar as coisas, os fatos, as situações, dando-lhes uma coloração (ou conotação) positiva ou negativa, conforme nossa formação, nossos conceitos, e, principalmente, nossos valores espirituais. 

   Finalizando, disse-lhe que relevasse a conduta alheia, justamente porque o esforço em melhorar-nos pode ainda não ser sobreposto pela resistência ao mal e pela mudança de comportamento que, para ter o efeito desejado, deve partir de dentro para fora.

   Se já conseguimos, num primeiro estágio, convencer-nos do que é correto, organizando nossas ideias para repassá-las, bondosa e utilmente aos nossos ouvintes (ou leitores), e se lutamos, com nossas forças, para implementá-las em nossa vida, na prática, todo este esforço não pode ser desconsiderado. Mais à frente, com certeza, de tanto "repetir" e "ouvir" (já que o palestrante fala e ouve para si mesmo, também), quem sabe ele possa haurir forças para suplantar dificuldades e materializar as "boas intenções" que tanto fala, nas exposições.

   E, de nossa parte, antes de olharmos para o outro com nosso olhar de censura e nosso "dedo em riste", estejamos cônscios da paternal advertência daquele carpinteiro, quanto ao "atire a primeira pedra".

   Boa exposição para todos nós! E que tenhamos forças para melhor transmitir os ensinamentos, com a essência de quem já consegue realizar, em termos de ações, aquilo que manifestamos em pensamento e no verbo!

Referências

(*) Presidente da ADE-SC e Diretor Administrativo da Abrade

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