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Jornal Comunica Ação Espírita | 97ª edição | 05 de 2013.

Brasil religioso de fachada, materialista disfarçado

     Segundo o Censo de 2010, 92% dos brasileiros são vinculados aos diversos segmentos religiosos, porém, o comportamento de boa parte, não condiz com quem crê em Deus ou possui valores espirituais quaisquer. Não passam de materialistas disfarçados.

     Como conciliar religião com o dia a dia de indivíduos que se deixam submeter por toda sorte de “tentações” do corpo? Hábitos, interesses, objetivos de vida, disputas, nada lembra as leis de Deus. A sociedade moralmente enferma e a indiferença pelas necessidades da alma confirmam o desvio de rumo e a propensão ao império do materialismo que governa as ações humanas, aprisionando os olhos no curto horizonte do hoje e nas sensações breves do corpo.

     Estamos escravizados pelo imediatismo. A vida continua acabando com a morte, pois nos lançamos com sofreguidão ao consumismo irracional, ao estímulo à vaidade como se fosse virtude. Buscamos a submissão à ditadura da beleza e ao culto do copo, adotamos expressões ditas artísticas de valor cultural nulo e foco de vibrações espirituais de péssima qualidade. 

     Prestigiamos baixarias da televisão como o BBB e encorajados, engrossamos as manadas dos banalizadores do sexo. A intolerância como norma no trânsito e a situação pré-falimentar da família há tempos fez acender o sinal de alerta para o egoísmo que não sabe dividir espaço e a frivolidade com que tratamos as questões envolvendo os caminhos afetivos compartilhados e suas responsabilidades.

     Lembrar que Deus existe só na hora que “o calo aperta”, do perigo, da visita da enfermidade, do infortúnio financeiro ou quando a morte se avizinha.  No mais, quem precisa de Deus? Dinheiro, tecnologia e o prazer do tipo quanto antes e mais, melhor, é o suficiente.

     O que mais espanta é a ação do Estado cuja finalidade maior deveria ser a de zelar pelo bem-estar do povo. Não se admite, pois, que seja o primeiro a incentivar e oficialize hábitos e práticas perniciosas ao corpo social. Sob pretexto de aprimorar o caráter laico, espezinha valores caros e intrínsecos às pessoas de bem.

     O Estado não deve se deixar influenciar por particularidades de cultos religiosos, mas também não pode desprezar o que as religiões oferecem na forma de contribuição à formação do cidadão digno, solidário e agente ativo das transformações que a sociedade necessita. Princípios éticos ou morais devem ser avaliados pela qualidade de seus conteúdos e não pela origem filosófica ou de fé.

     O recente aparelhamento ideológico do Estado está minando os já fragilizados alicerces da sociedade. Os direitos humanos são levados às últimas consequências, com minorias brandindo exigências descabidas às maiorias; interesses individuais sobrepondo-se aos coletivos; proteção a criminosos em detrimento à segurança do cidadão honesto e à reparação social pelo apenamento, invertem a lógica da aplicação da justiça; a liberdade exacerbada impede, por exemplo, o dependente químico de internação compulsória, mesmo que à custa da manutenção do panorama deprimente da degradação moral e física a que se vê submetido.

     Aproveitam-se os radicais, fanáticos e oportunistas, acompanhados por alguns bem intencionados, que em nome de princípios de alguma denominação religiosa, pretendem evitar que o caos se instale de vez. Estamos correndo graves riscos. Já temos mazelas suficientes para compactuar pelo silêncio com iniciativas que partem de parlamentares, ministérios e autarquias. E não falamos só do aborto.

     Cartilhas e livros são sugeridos ou impostos para supostamente educar. Crianças de idade pré-escolar, longe dos olhares de pais desatentos, estão sendo forçadas a ter contato com materiais que em outro momento e lugar não mereceriam outra classificação que não fosse pornografia infantil. Onde a coerência para quem se diz empenhado no combate à pedofilia e prostituição infantil? E as tentativas de liberação do uso de drogas? E as instruções para usuários se prevenirem de serem contaminados por outras doenças? 

     Lembremo-nos, espíritas, de nossas responsabilidades. É preciso lamentar menos e debater mais os problemas humanos. Não basta adotar princípios; é preciso consubstanciar em ações. Não basta confraternizar dentro do centro espírita; é preciso defender, exemplificar e lutar por eles no campo social. Não basta deixar de fazer o mal; é preciso fazer o bem.

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