ADE-PR: Associação de Divulgadores do Espiritismo do Paraná

Especial

Marca de nascença no menino Ian é evidência a favor da reencarnação. Assista o vídeo clicando aqui.

Jornal Comunica Ação Espírita | 97ª edição | 05 de 2013.

Divulgar com Eficiência

Técnicas de Oratória (*)(final)

    O discurso é o texto que um orador pronuncia diante de um auditório para persuadi-lo a respeito de uma questão provável. Por isso, precisa conhecer o melhor possível o contexto sociológico e psicológico do auditório. Deve estudar a psicologia das massas e das multidões para atingir a todas as pessoas da plateia. 

    Independentemente do tema e do arranjo dos assuntos ou sub-temas, toda a exposição precisa estar estruturada em suas partes fundamentais: exórdio, desenvolvimento e peroração. Contendo a introdução do discurso, o exórdio objetiva "ganhar a simpatia do juiz (ou, em sentido mais amplo, do público) para o assunto do discurso".

    Não obstante o exórdio apresentar-se ora simples e direto, ora impetuoso e veemente, ora insinuante e humilde, há de ater-se imediatamente ao tema em questão e observar a doutrina do decorum, isto é "a harmônica concordância de todos os elementos que compõem o discurso ou guardam alguma relação com ele." No geral, o exórdio encerra duas partes: a proposição que consiste no enunciado do tema ou assunto e a divisão ou enumeração das partes que totalizam o discurso e que assinalam o caminho a seguir pelo orador. 

    Quanto ao desenvolvimento, bifurca-se em narração e argumentação. A narração consiste na exposição minuciosa, parcial, encarecedora, do que, de modo sintético e direto, se expressa na proposição: o orador seleciona os fatos que convém à sua causa e focaliza-os da perspectiva que mais lhe favorece o intento, emprestando relevo a alguns e minimizando outros, de acordo com o interesse do momento. 

    A argumentação é a parte nuclear e decisiva do discurso e vem já preparada pelo exórdio e pela narração. Para exercer seu efeito no conjunto do discurso, a argumentação deve conter uma ou mais provas, ou seja, um ou mais argumentos, calcados no raciocínio e no princípio da dedução: o silogismo, a dialética e o paradoxo. A argumentação pode conter exemplo, ou melhor, prova trazida de fora. 

    Dado que a virtude mais geral do discurso se encontra contida no advérbio bene dicere e o fim mais geral do discurso consiste em persuadere, o objetivo específico do desenvolvimento reside no ensinar (docere), agradar (delectare) e comover (movere). 

    A peroração encerra duas partes: a recapitulação, mediante a qual o orador "refresca a memória" da audiência e a afetividade, já que "a peroratio" é a última oportunidade de dispor o juiz (público) em sentido favorável à nossa causa e de influir nele em sentido desfavorável à parte contrária. Entretanto, qualquer que seja o número de partes considerado, a peroração identifica-se pela brevidade: "a virtus básica da peroratio é a brevitas".

    Roteiro para a montagem de uma palestra. Primeiro escolher o título da palestra que deve representar a ideia central. Depois fornecer a etimologia da palavra. Segue-se a introdução ou resumo histórico, o exórdio com seu conceito e definição. Distribuir o tema em tópicos e seguir o desenvolvimento.

    No final, um resumo do que foi dito, a conclusão ou apelo à ação, podendo, na peroração, incluir uma frase de efeito. Deve-se evitar: “é só isso”, “é o que tinha a dizer”, etc. Em caso de usar bibliografia, indicar o título, o autor, a edição, a editora, o ano de publicação e as páginas das obras consultadas.

    Confiança e determinação. Malogros. Quem não os sofre? Se nós não nos ampararmos, quem nos amparará? E diga cada um dentro de si mesmo: "Se eu não tiver confiança em mim, quem terá confiança? Posso realizar muitas coisas”. Memorizemos o que temos feito. “Se posso fazer isto, por que não poderei fazer mais?" "Quem sabe", "talvez seja", "pode ser", "julgo que", "tudo parece indicar que" são palavras que revelam insegurança. Evitemo-las.

“Fale ao cérebro e ao coração. Não abale convicção diretamente; vá devagar sem impor pontos-de-vista. Como se fala e não o que se fala é que prende o auditório. A assembleia detesta quem fala mole e linearmente”

    Requisitos naturais do orador. Deve aquele que fala possuir temperamento expansivo para comunicar por meio da palavra as ideias e os fatos; manter o máximo a serenidade de espírito e o domínio de si mesmo; possuir sensibilidade apurada que o faça capaz de perceber rapidamente o efeito de suas palavras no espírito dos ouvintes; ter firmeza nas convicções e expô-las de modo veemente; conhecer amplamente o assunto de que vai tratar e ter suficiente cultura geral para eventuais digressões ou para reforçar a sua exposição; possuir certo magnetismo pessoal e usar de atenciosa amabilidade para com os que o escutam.

    Você não é a única pessoa que tem medo de falar em público. Pesquisas universitárias norte-americanas comprovaram que 80% ou 90% das pessoas temem falar em público. Acredite no que vai dizer. A dúvida deita raios de morte. Fale ao cérebro e ao coração. Enriqueça seu vocabulário, lendo com dicionário. O conhecimento vocabular é fundamental. Não abale convicção diretamente; vá devagar sem impor pontos-de-vista. Como se fala e não o que se fala é que prende o auditório. A assembleia detesta quem fala mole e linearmente.

    Domínio do auditório. O público aprecia os homens de atitude serena e corajosa, os que sabem falar com bom timbre e com triunfante galhardia, pois se convence tanto pelas maneiras do orador quanto pela exposição de suas ideias. Sendo assim, para dominar o auditório, o tribuno deve ter o espírito de autoconfiança, com o que poderá vencer a timidez natural, evitar o excesso de reflexão, não sentir a dificuldade de concentração, manter afastadas de si a suscetibilidade e a impulsividade.

    Vencendo o medo. Antes de subir ao tablado, respirar lenta e profundamente, relaxar os músculos, manter-se altivo, curvando-se um pouco; em seguida, subir ao tablado rapidamente e começar a falar, fixando o pensamento apenas no assunto do discurso. Após as primeiras frases, o receio desaparecerá por completo. Para isto, o principiante deve tomar algumas precauções, tais sejam, não falar de estômago vazio, o que tende a aumentar a intensidade das reações psicológicas; enfrentar, primeiramente, um auditório que possa ser favorável ao seu sucesso para que adquira energia e confiança, com os quais se apresentará em futuras oportunidades.

Referências

(*) Resumido da apostila do Curso de Expositor Espírita do Centro Espírita Ismael, São Paulo, capital, e disponível no site http://www.espirito.org.br/portal/palestras/ceismael/curso-expositor-espirita.html

Receba em casa a versão impressa do jornal Comunica Ação Espírita

Assine agora mesmo

ADE-PR © 2019 / Desenvolvido por Leandro Corso