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Especial

Marca de nascença no menino Ian é evidência a favor da reencarnação. Assista o vídeo clicando aqui.

Jornal Comunica Ação Espírita | 97ª edição | 05 de 2013.

Sobre gafanhotos, andorinhas, formigas e pessoas

Por Wilson Czerski

        Podemos aprender muito com o livro da Natureza. E o que é melhor, não custa nada. É só olhar à volta e prestar atenção. Na condição de criaturas de Deus e espíritos imortais, todos temos talentos e capacidades para desenvolver. Cada individualidade, de posse de seu patrimônio espiritual, ao reencarnar, isto é, iniciar uma nova jornada terrestre utilizando vestes carnais, afigura-se como uma semente que já possui em si todas as características futuras do ser adulto, física, intelectual, emocional e moralmente.

Naturalmente que estamos sujeitos à lei de evolução e, isolando agora somente os aspectos relacionados aos valores da alma, somos submetidos durante a existência a processos e mecanismos que provocam “mutações” de comportamento. Ao interagir com as outras pessoas, com o meio social e no encontro do próprio eu através do autoconhecimento e do esforço de errar menos e acertar mais para sofrer menos e gozar de mais felicidade, paulatinamente avançaremos em conquistas de virtudes e conhecimento.

Mas, se para seguir a analogia, continuarmos a falar em semente, o que nos remete ao reino vegetal, confrontando-nos com o espelho da própria consciência, podemos perguntar que tipo de árvore estamos sendo nesta encarnação. Produz ela bons ou maus frutos? Ou não passamos de uma figueira seca conforme a parábola de Jesus?

Temos oferecido a sombra da bondade e da tolerância para o descanso do viajante ou a aridez de galhos desnudos? Contribuímos com o verde para melhorar a qualidade do ar que respiramos, doando oxigênio ou só sugamos e devolvemos o gás carbônico? Usufruímos dos nutrientes do solo, mas sabemos conservar, reciclar e retribuir à Natureza ou retiramos avidamente tudo o que o planeta dispõe e só devolvemos o lixo?

No aspecto social, aproveitamos bem as oportunidades de progresso pessoal, utilizando-se dos recursos tecnológicos, a proteção das leis, os serviços públicos, as facilidades proporcionadas pelo trabalho voluntário, o interesse de melhorar o homem das religiões ou vandalizamos o lugar onde moramos, agredimos nossos semelhantes, exigimos sem limites, descumprimos com os deveres cívicos?

Se no reino animal, mas dos irracionais, vejamos onde nos situamos. Podemos escolher o lado da andorinha, das abelhas e formigas, por exemplo, ou o dos gafanhotos. Estes últimos, descontados os méritos eventuais na cadeia alimentar, é uma espécie de vilão de alto poder destrutivo. São capazes de devastar plantações inteiras em questão de poucos minutos. Verdadeiras nuvens desses insetos dizimam fazendas de soja, trigo, arroz e outras culturas, provocando miséria e fome.

Já às andorinhas é reservado um papel mais bonito e até poético. Nós as temos presentes na fábula onde um único indivíduo da espécie tenta persistentemente apagar um incêndio na floresta. Voava até um lago, de lá transportando a pequena quantidade de água que cabia no bico e retornava para o local das chamas.

É, sem dúvida, um belo exemplo de superação e de como, muitas vezes, podemos nos distinguir da mediocridade, contrariar expectativas negativas, demonstrar arrojo e força de vontade por uma boa causa. Podemos fazer a nossa parte sem se importar com a indiferença e omissão alheias.

Porém, também é verdadeiro o adágio segundo o qual uma andorinha só não faz verão. E nem apaga incêndios! O tempo de hoje se faz menos de heróis e mártires e mais de solidariedade e trabalho coletivo. Por isso talvez devamos preferir as formigas e abelhas, as últimas mais simpáticas e amigas do homem pelo mel que produzem.

        Mas umas e outras personificam perfeitamente a convivência ideal entre os humanos. Extremamente organizadas, com papéis bem definidos pela necessidade, hierarquia e capacidade, unidas em torno de objetivos comuns, incansáveis, disciplinadas.

Se o mundo não está bom, ele só se tornará melhor se você ajudar a construí-lo assim. Se há violência demais, seja pacífico, não revide as ofensas, entenda que o outro é uma alma enferma. Há muita gente corrupta? Aja com honestidade sempre, mesmo que esteja longe das vistas alheias. As pessoas são muito egoístas? Arrogantes? Fúteis? Ambiciosas? Pois faça tudo ao contrário. 

Você tem que ser diferente. Tem que exemplificar. Não importa os outros. Faça o seu trabalho de formiguinha.  Talvez você não se dê conta, mas há milhares, milhões de outras que estão fazendo o mesmo que você: tentando ser boas, melhores. Elas também sonham em encontrar outros que pensem e ajam como elas.

O trabalho de formiguinha pode ser de realizado de muitas formas, como voluntário, por exemplo. Mas pode ser também com uma maior conscientização política. Não é possível que passados apenas dois ou três meses das eleições, como demonstrou uma pesquisa divulgada, mais da metade das pessoas já não lembre o nome do candidato a vereador em que votou. Se ele foi eleito, como cobrar pela sua atuação? Temos que nos unir, insistir e não desistir nunca de nossos sonhos por um mundo melhor.

As formiguinhas estão por aí, prontas, para humilde e obstinadamente somar, envolvidas no desejo de ver um mundo melhor para elas mesmas, para os filhos e netos e até para si mesmas. Sim, porque um dia elas se transformarão, recolhendo-se através do fenômeno da morte biológica, à condição de semente novamente, para renascer outra vez mais.

        Mas nada do que fizeram ou obtiveram de valores da alma estará perdido. Permanecerão em estado latente para eclodir numa reencarnação futura e aquele mundo que você contribuiu para ser mais justo e menos violento, com mais paz e amor, esse mundo renovado, estará esperando por você mais uma vez. E não importará que nome você usará, qual a cor de sua pele, sua crença ou o local de nascimento. Ainda sim, será você novamente. Outro personagem, mas o mesmo ator.

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