ADE-PR: Associação de Divulgadores do Espiritismo do Paraná

Especial

Marca de nascença no menino Ian é evidência a favor da reencarnação. Assista o vídeo clicando aqui.

Jornal Comunica Ação Espírita | 101ª edição | 01 de 2014.

Violência: Jesus no leme, mas somos a tripulação

         Poucos se aperceberam disso, mas o Brasil está em guerra. Não uma guerra convencional, claro e, por isso mesmo, não declarada. Dados de 2012 dão conta de que tivemos 50 mil assassinatos e 60 mil vítimas fatais no trânsito brasileiro, além de 353 mil mutilados. Só os óbitos representam quase quatro boates Kiss por semana de homicídios e quase cinco no trânsito e, somadas, mais que o dobro do total de vítimas de soldados americanos em toda a Guerra do Vietnã.

         A violência não é exclusividade nossa, embora em outras regiões do globo como a África e o Oriente Médio, a demonstração de primitivismo esteja relacionada mais às diferenças étnicas, religiosas e ao terrorismo. Mas aqui já não deveria ser mais assim.

           Na questão 793 de O Livro dos Espíritos somos informados de que o processo civilizatório está completo quando se dá o pleno desenvolvimento moral e que “acreditamos estar bem avançados por termos feito grandes descobertas e invenções maravilhosas e estarmos melhor alojados e vestidos do que os selvagens.” Mas não temos o direito de nos considerarmos civilizados enquanto não banirmos os vícios que desonram a sociedade e nos impede de vivermos como irmãos. Até então seremos povos esclarecidos, mas não civilizados.

        Temos ouvido falar muito em nosso meio sobre a transição planetária, persistência no Bem e que Jesus está no leme. Mas nós somos a tripulação do barco. Pensar que só ter fé basta, refugiar-se na omissão e transferir responsabilidade, estamos utilizando o mesmo recurso empregado por outros segmentos religiosos para quem a figura e missão do Cristo é somente a de nos salvar. Gratuitamente.

        A tese, defendida, inclusive, por muitos espíritas, segundo a qual a violência é gerada pelas desigualdades sociais não se sustenta. Hoje o que mais se vê não são assaltos - tantas vezes com morte - por necessidade, mas para arrancar o tênis de marca ou o celular, produtos de perfumaria, eletrônicos. Leis deficientes, autoridades negligentes, corrupção policial, drogas e impunidade são alguns dos fatores que se somam à desesperadora falta de educação moral proveniente da desagregação familiar.

         Também não vemos como se acomodar à explicação de que as milhares de vítimas, seja pelas mãos dos criminosos ou de motoristas desajustados, estão apenas colhendo o que semearam, que se trata da execução da lei de Causa e Efeito. A pergunta é: se as pessoas fossem mais responsáveis ao volante e menos dispostas a ceder à barbárie interior, seriam ou não poupadas muitas vidas? E se ninguém reencarna com a missão de matar, então a lógica nos diz que estas vítimas – ao menos um grande contingente delas – não precisavam desencarnar. E desencarnaram antes da hora.

        Mas a resposta para a razão de estarmos perdendo esta guerra contra a violência urbana está na questão 932 de OLE quando os Espíritos esclarecem que os maus prevalecem porque são “intrigantes e audaciosos enquanto os bons são tímidos” e talvez mal informados por achar que tudo vai se resolver ao seu tempo, que basta ser bonzinho, não fazer mal aos outros e que tudo ficará certo para todo mundo. 

       Ah, mas eu sou um mero trabalhador espírita, nada posso fazer para solucionar problema de tamanha gravidade. Ora, pois então já tem muito com que contribuir. Comece pelo exemplo, mas não pare por aí. Faça mais. Vá à luta. Una-se a outras pessoas, constitua grupos, visite famílias da periferia, converse, oriente, eduque. Faça parte da comunidade de seu bairro.

         Menos discurso e mais ação. Os espíritas são poucos? Nas outras religiões também há pessoas de Bem. Vamos nos unir em torno de objetivos comuns. A FEB, a FEP, centros espíritas, Entidades Especializadas, indivíduos, todos podemos atuar junto ao nosso vereador, ao administrador regional, nas escolas, universidades, organizações civis. Podemos falar muito de Espiritismo sem ter que falar necessariamente do Espiritismo. Precisamos vencer esta guerra não contra os maus, mas contra o Mal.

Receba em casa a versão impressa do jornal Comunica Ação Espírita

Assine agora mesmo

ADE-PR © 2019 / Desenvolvido por Leandro Corso