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Especial

Marca de nascença no menino Ian é evidência a favor da reencarnação. Assista o vídeo clicando aqui.

Jornal Comunica Ação Espírita | 101ª edição | 01 de 2014.

Afinal, quem é Jesus?

Por Octávio Caúmo Serrano

     Neste Natal que passou, ouvimos novamente as recomendações de que deveríamos trocar Papai Noel por Jesus Cristo porque Ele sim nos trouxe o maior presente que precisamos: A Boa Nova, A Revelação, o Testamento, o Evangelho. Deem o nome que preferirem. E é o tipo de presente que o ladrão não rouba e a traça não come e a ferrugem não corrói. Para uso por toda a eternidade.

     Voltamos todos a recomendar que o Natal é o dia do aniversário desse menino que nasceu entre nós há cerca de vinte séculos e que neste dia é o grande esquecido. Se depois de vinte séculos seu nascimento é ansiosamente lembrado e comemorado todos os anos, é porque Ele deve ter alguma importância. E que importância nós lhe damos? Reconhecemos, de verdade, o que representou para todos nós a sua passagem pela Terra? Penso que para a maioria não. Analisemos o que fez este nosso irmão:

     Depois de nascer em berço pobre, com os poderes que tinha, podia conquistar todas as coisas que desejasse. Mas Ele só queria mostrar amor pelo semelhante. Renunciou aos bens do mundo e desprendeu-se de tudo para ajudar as criaturas. Ensinou contando histórias que até hoje a humanidade tenta interpretar para descobrir nelas as lições verdadeiras. Nada escreveu; apenas falou e deixou que cada um desse às suas orientações sua intepretação particular, de acordo com o entendimento que já tivesse.

     Durante trinta anos teve vida comum, embora se destacasse pela bondade e inteligência nos meios onde vivia. Há, inclusive, muitas dúvidas sobre seus primeiros anos de vida, principalmente depois dos treze anos de idade, quando trocou ideias e encantou os doutores do Templo de Jerusalém. Depois, pouco se sabe dele. Teria convivido com a comunidade dos Essênios, de onde também seriam originários João Batista, seu primo, José, seu pai, e outros amigos próximos?  Flávio Josefo e Filon de Alexandria, acreditados historiadores da época, dizem que sim. Mas isto é um detalhe.

     Aos vinte e seis anos, fica órfão de pai e assume a chefia da casa ao lado de Maria de Nazaré, sua querida mãe, até que aos trinta, movido pelo chamamento divino, começa seu apostolado para deixar aos homens de seu tempo novas revelações. São datas que carecem de comprovação, mas que em nada mudam a história. Ensinos tão extraordinários que eram difíceis de ser compreendidos pelos seus contemporâneos e que Ele precisou dar pessoalmente, por exemplificação. O simples discurso já não tinha qualquer eficiência. Era preciso mostrar. E como Ele não era para o seu tempo, não foi compreendido. Foi tido como sonhador, visionário, com recomendações que contrariavam frontalmente tudo o que o povo havia aprendido com Moisés, que lá por 1200 a.C. conduziu os judeus do Egito para a Terra Prometida, a Canaã. Acabou traído pelos seus próprios contemporâneos.

     O que aconteceu depois, todos sabemos. Nem seus primeiros e seguidores principais, aproximadamente uma dúzia, ficaram com Ele até o fim. Um negou, outro duvidou e houve até o que o traiu equivocado em suas próprias ideias e ganâncias. Mais tarde, um antigo perseguidor, o judeu Saulo de Tarso, adere à sua doutrina e revela-se seu maior propagandista. Nasce, então, Paulo de Tarso, que se transforma no grande apóstolo do cristianismo. Foi de inimigo a maior divulgador da doutrina de Jesus.

 

Ele deve ser o espelho onde nos miramos e não servidor que vai resolver o que nos compete. Aceitar Jesus consiste também em beber do cálice amargo das decepções humanas. Paremos de pedir coisas a cada momento

     A semente plantada vinte séculos passados, começa a dar frutos no nosso tempo; em pleno terceiro milênio da era cristã. Passamos a reconhecer que Jesus Cristo foi, efetivamente, o Messias que veio orientar a humanidade para que ela se libertasse da ignorância. Até agora, porém, mesmo com esse reconhecimento, os homens tratam Jesus Cristo como empregado que deve protegê-los indefinidamente. Nada executam de acordo com as lições por Ele deixadas e quando seus procedimentos os levam ao sofrimento, rogam ao Salvador que os livrem dos males do mundo. Até quando continuaremos transferindo para Jesus a solução dos problemas que competem a nós?

     Ainda não percebemos a extraordinária importância de Jesus Cristo. Quem mais dividiu o mundo em duas eras como Ele? Antes e depois da sua chegada ao planeta? Jesus Cristo mudou a Bíblia, o livro mais lido no mundo e que demorou mais de mil anos para ser completado, precisando de um conjunto de sábios, profetas, reis e líderes para escrever um livro que depois de Jesus limitou-se a ser uma parte da Bíblia conhecida como Velho Testamento, de simples valor histórico, porque foi modificada completamente pela Lei do Amor, base das lições de Jesus.

     Em pouco mais de três anos de vida pública, contando com uma dúzia de seguidores sem expressão social ou religiosa, embora evoluídos espiritualmente, ele transformou sua vida no que hoje está na Bíblia como o Novo Testamento, substituindo a velha lei de talião, a do olho por olho e dente por dente, que vigorava desde 1730 a.C, no código de Hamurabi, pela lei do amor, recomendando perdoar setenta vezes sete vezes cada falta, que significa indefinida e incondicionalmente. Isso não significava apoiar o mal e o erro, mas reconhecer que ninguém é tão perfeito que possa julgar o semelhante. Só quem não tiver pecado que atire a primeira pedra, referindo-se ao apedrejamento, forma de execução de quem cometia falta grave. A Bíblia passou a ser explicada por Emmanuel da seguinte maneira: - O Velho Testamento é o grito agoniado da humanidade em busca do Senhor; o Novo Testamento é a resposta do Céu.

     Diante destas duas premissas, vemos que Jesus é único entre os filhos nascidos no planeta que renunciou a si mesmo para deixar-nos lições eternas de progresso e felicidade, que, lamentavelmente, ainda são pouco assimiladas pelos homens que insistem em usá-lo como amuleto, jogando nas costas dele os seus problemas, sem se dar conta de que Ele deixou como legado todas as receitas que precisamos para nós mesmos administrarmos nossas vidas. Ele deve ser o espelho onde nos miramos e não um servidor que vai resolver o que a nós compete. Dizem que a salvação consiste em aceitar Jesus, mas não explicam que isso consiste também em beber do cálice amargo das decepções humanas.  Paremos de pedir coisas a Jesus e ofereçamos nossa ajuda a Ele para suavizar o fardo dos mais ignorantes. Quanto a nós que já sabemos um pouco, façamos nossa parte sem incomodá-Lo a cada momento. 

     Desejamos a todos não 2014 melhor do que o ano que findou, mas que cada um de nós possa ser no novo ano melhor do que foi em 2013. Os anos não são bons nem maus; são o que fazemos deles. Por isso, o mesmo ano é bom para uns e mau para outros. Já está na hora do despertar coletivo. Os tempos se afunilam e o joio está sendo separado do trigo e atirado fora. Nós desejamos ser o quê: joio ou trigo?

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