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Especial

Marca de nascença no menino Ian é evidência a favor da reencarnação. Assista o vídeo clicando aqui.

Jornal Comunica Ação Espírita | 101ª edição | 01 de 2014.

Livros que eu recomendo

Por Wilson Czerski

Visão Espírita nas Distonias Mentais

     Vamos fazer um passeio panorâmico por mais uma obra do psiquiatra espírita Jorge Andréa dos Santos, um dos mais expressivos nomes do aspecto científico do Espiritismo. É um livro pequeno, de somente 143 páginas, cuja primeira edição veio a lume em 1995, pela editora da FEB.

     Inicia afirmando que Heródoto, o Pai da História tratava da reencarnação com naturalidade. Da mesma forma ela era conhecida dos escandinavos, germanos, chineses, japoneses. Ovídio e Cícero, em Roma, também se ocuparam dela. E não foi diferente com os filósofos Hume, Leibnitz, Schelling e Schopenhauer. Depois justifica, com detalhes, pela pluralidade das existências, a genialidade de Mozart, Michelângelo, Pascal, Litz, Victor Hugo, Gauss, Rembrandt, Mirandela, Bethoven e faz um apanhado da Terapia de Vidas Passadas, iniciada por Fernando Colavida em 1887 e De Rochas entre 1892 e 1910; depois Charles Lancelin, Cornillier e Flournoy.

     Explica os diferentes tipos de temperamento humano. Ciclotímicos - sociáveis, alegres, realistas, mobilidade psíquica e com acentuada oscilação emocional; esquizotímicos - pobre e reservada expressão de sensibilidade, distantes, pouco sociáveis, humor frio; humor melancólico - com bloqueios depressivos; humor maníaco - euforia doentia e às vezes dispersão de ideias pela velocidade do pensamento; humor esquizofrênico - apatia, indiferença, posição interior, autista (é o rebelde contra a sua reencarnação); introvertido - mundo interior bastante ativo com complexas locubrações de difíceis avaliações. Quando têm lastros positivos, há “derrames psicológicos” (literatura, etc). 

     Ao mencionar as diferentes frequências cerebrais registradas num eletroencefalograma, por exemplo, o autor compara os pacientes de disritmia, os epiléticos e os indivíduos envolvidos pelos transes mediúnicos.

     Classifica os doentes mentais básicos em - neuróticos, personalidades psicopáticas e psicóticos. Os neuróticos são inseguros, mas ajustados ao meio. As personalidades psicopáticas são cármicas e apresentam desajustes com o meio. Dentre eles há os seguintes tipos: a) instáveis emocionais - imaturos, sem decisão, inseguros, querelantes, pobres afetivamente; b) personalidades passivas - não se aborrecem, têm ojeriza à violência, não sabem e não gostam de negar. São dependentes e explorados, tediosos pelas complicadas abordagens dos fatos. As repressões de sentimentos desencadeiam doenças psicossomáticas; c) personalidades agressivas - irritáveis, explosivos, o que lhes dá excessiva autoafirmação. Se inteligentes tornam-se líderes; se rudes criam querelas. A agressividade é uma máscara para ocultar insegurança e ansiedades. Sozinhas são fracas; em bandos e armados, se não se afirmam, sucumbem; d) personalidades compulsivas - meticulosos, doentiamente arrumados, dedicados ao trabalho, desprezam sentimentos alheios, e) personalidade antissocial - irresponsáveis, não se fixam na vida familiar, mentirosos e intolerantes. Delinquência e crimes, quadrilhas. Se castigados não se emendam. f) desvios sexuais - sadismo, masoquismo, exibicionismo, homossexualismo. Estes últimos apresentam amabilidade incontida, egolatria, às vezes narcisista, hostil a ambos os sexos. Tendem à ansiedade, fobias, depressões, esquemas mentais complicados (prolixos e fastiosos no diálogo); g) alcoolismo e toxicomania. Os psicóticos são desestruturados psiquicamente. 

     O segundo grupo pode trabalhar normalmente, mas com ocasionais impulsos irresistíveis pelas alterações de conduta em desajuste com o meio. Nos casos mais graves tornam-se violentos, perigosos, criminosos (intensos bloqueios afetivos e já beiram à psicose). Nesta há grandes desvios mentais, perda da realidade e às vezes não se consideram doentes; são excêntricos. Os neuróticos são os que mais sofrem e menos fazem sofrer; já as personalidades psicopáticas são as que menos sofrem e mais fazem sofrer pela frieza afetiva; os psicóticos requerem internamento.

     Seguindo neste longo quadro de doenças mentais, Andréa cita os histéricos classificados em fóbicos, obsessivos e hipocondríacos que podem ser agrupados tanto como neuróticos, personalidade psicopática ou psicótico.  As personalidades esquizoides são indivíduos frios, isolados, reservados, têm medo de doenças, desconfiados, sensíveis, temem julgamento alheio. Os ciclotímicos sofrem oscilações de alegria e tristeza, são extrovertidos, muito amigos, flutuação constante no humor devido pontos de insegurança, mas não se importam quando estão deprimidos, creem sair logo; quando alegres têm gestos excessivos e vestuário extravagante. Os paranoides variam de posição de hostilidade e franca perseguição. Às vezes têm mania de grandeza que levam a serem mentirosos.

     Para Andréa, a psicose é cármica, pode perdurar por mais de uma reencarnação e divide-se em esquizofrenia e maníaco-depressivas. Nas primeiras há redução de relacionamento, mergulho num mundo de fantasias delirantes, perseguição, mania de grandeza, alucinações auditivas. Há geralmente também obsessão provocando esses delírios somando-se aos pessoais. As esquizofrenias podem ser: a) simples - vive o seu mundo interior, desequilíbrio na adaptação social; b) hebefrênica - adolescência; maneirismos, “risos bobos” e isolamento; c) catatônica - atitudes estereotipadas, imobilidade de horas; d) paranoide - delírios constantes principalmente perseguição, difícil tratamento, sintomas insistentes e fixados com bloqueio afetivo; traiçoeiros e perigosos.

     Já nos maníacos-depressivos a principal característica é a oscilação de humor. Na fase maníaca há atividade intensa pela velocidade do pensamento, verbosidade, planos mirabolantes com severas modificações de emotividade, extravagantes, roupas coloridas, gestos inadequados, envolvem outros e se contrariados tornam-se violentos. Na fase depressiva mostram-se fracassados, com inclinação ao suicídio, laivos de delírio, pessimismo se houver diálogo.

     As obsessões apresentam características das neuroses e personalidades psicopáticas com inserções psicóticas, preponderando o grupo das histerias e epilepsias. Nas histerias há perturbações visuais, auditivas, paralisias, agitações, depressões, desmaios. E o autor apresenta as suas causas. 

     Finalmente sobre o mal do século: a depressão. Seria causada por “reações desencadeadas pelos fatos da atual encarnação com o meio. Ansiedades e depressões levemente neuróticas ficam só no perispírito ou no máximo no inconsciente atual e são de fácil remoção. Mas quando. aprofunda, é difícil a cura e passa de uma encarnação à outra.

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