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Jornal Comunica Ação Espírita | 111ª edição | 09 de 2015.

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Por Wilson Czerski

Fenômeno de Transportes

 

Dentro da fenomenologia espírita, algumas ocorrências são capazes de impressionar fortemente os sentidos ou a imaginação não só dos leigos, mas até dos próprios espíritas já afeitos ao assunto. Considero que as materializações de objetos e, principalmente, de espíritos desencarnados seja um deles, porém, os transportes de ou para recintos hermeticamente fechados, são ainda mais impactantes.

Ernesto Bozzano escreveu uma monografia dedicada exclusivamente ao tema. “Fenômenos de transporte”, publicação atualmente no Brasil da Federação Espírita do Estado de São Paulo, tem 125 páginas.

Depois de dez anos de estudos pessoais sobre o assunto, entre 1894 e 1904 utilizando-se para tanto de dois médiuns e empregando o método da análise comparada e convergência de provas, nas conclusões da obra em referência ele afirma: (...) me propunha unicamente a demonstrar, sobre a base dos fatos e das induções e deduções extraídas dos fatos, que os fenômenos de “transporte” deveriam ser considerados como reais, realíssimos, porquanto foram experimental e exuberantemente demonstrados por meio de variadas provas cumulativas, incontestáveis e resolutivas.

No livro são descritos e analisados 30 casos, alguns acompanhados pessoalmente pelo autor e outros retirados de revistas científicas da época. A seguir, uma super síntese de alguns desses casos. Por exemplo, aquele em que uma mesa, uma caixa de jogos, uma cítara e duas trombetas passaram por uma malha cujos vãos não deixavam passar uma mão.

Com o reverendo William Stainton Moses, da Igreja Anglicana, eram materializadas gemas preciosas (safiras, esmeraldas, rubis, pérolas). Um rubi foi colocado em anel de Moses e o joalheiro o definiu como de “beleza e pureza excepcionais”. Em outro caso, uma campainha tilintando foi trazida da sala de jantar para o recinto das sessões. Entrou, deu volta na sala, pairou sob o nariz de Moses e depois próximo às cabeças de todos, sempre tilintando.

A pedido – o que implica mais dramaticidade ao fenômeno – foi trazido um determinado arbusto, entretanto, a surpresa foi que veio com terra e minhocas. Certa vez foram materializadas rosas que continham ainda o orvalho da noite e nove insetos coloridos que voavam de umas para outras. Outra vez elas estavam molhadas de chuva (e chovia na hora) e em outra, com neve. Estas flores permaneciam materializadas e eram distribuídas aos presentes ao final das sessões.

Conchas marinhas surgiram com água salgada. Em outra oportunidade, uma ramo de cereja foi apresentado no qual movimentavam-se três escaravelhos vivos dos quais a médium, Sra. Guppy, tinha repugnância. Com esta mesma médium, em 23/12/1868, em Florença, uma mesa de um metro de diâmetro ficou totalmente coberta por diversos tipos de flores “fresquíssimas”. Três dias depois, além de flores, foram transportados frutas e insetos. 

Uma vez apareceu uma grande pedra de gelo que caiu com estrondo sobre a mesa e se partiu em duas. Tinha 15 cm. de comprimento por 10 de espessura. Nesta, como em praticamente todas as experiências, a médium tinha as mãos presas ou entrelaçadas às dos demais. Se o fenômeno não fosse autêntico, como e onde poderia esconder e manter uma pedra de gelo por hora e meia?

Também a pedido de um dos presentes,vieram enguias e caranguejos. Com Alfred Russel Wallace, formulador simultâneo a Darwin da teoria da evolução das espécies, surgiu um girassol de dois metros. Um indiano transportou um tipo especial de bala a 100 milhas e crianças depois saborearam.

Um deputado da Califórnia solicitou e recebeu nas mãos o conteúdo de uma latinha fechada à única chave existente e que estava com ele, latinha esta guardada num cofre igualmente lacrado. Eram dois objetos e foram transportados em momentos separados. Do apagar da luz à realização completa do fenômeno, passaram-se somente 30 a 60 segundos. O relatório deste caso foi registrado em cartório.

Uma travessa de madeira atravessou três portas e uma vela ainda com o pavio quente, pois acabara de ser apagada em outro cômodo, constituem outros dois importantes casos para estudos. Uma vez um pé de salsa com terra continha um verme branco se contorcendo.

A questão é: como é possível a realização destes fenômenos? Se objetos inanimados já surpreendem, mais espantoso se torna quando verificamos a passagem por portas e paredes absolutamente fechadas de seres que estavam vivos e assim continuam após o transporte. Bozzano concluiu que o fenômeno não envolve transposição para uma quarta dimensão e retorno à terceira, mas efetiva desintegração do objeto com penetração de matéria em matéria e posterior reintegração. 

Tal se daria possivelmente graças ao duplo etéreo. Do mesmo modo como os seres vivos possuem uma matriz, no caso dos humanos, o perispírito, todos os objetos inanimados também parecem possuir um modelo energético ou fluídica, base para a sua formação física.

E o fenômeno não é meramente anímico como muitos críticos do Espiritismo, às vezes, querem fazer crer. A atuação de uma personalidade estranha ao médium e de todos os demais presentes ficou mais do que evidenciado nestes estudos. Certa vez apareceu e logo desapareceu um pão. O experimentador pediu ao espírito que o devolvesse para ele mostrar a parentes e amigos. John pediu o valor em dinheiro, pois o pão era de uma padaria próxima. Vinte segundos depois sumiu a moeda e reapareceu o pão.

Aliás, essa preocupação ética ocorreu em outras ocasiões, como no transporte de uma cédula de dinheiro de baixo valor, sob solicitação dos presentes. Uma vez atendidos, pediram notas altas e o espírito informou que não tinha permissão superior porque seria furto da agência bancária de onde havia sido retirada.

Ainda na lista dos casos notáveis narrados por Bozzano temos o da plantinha que foi atestada depois como sendo realmente da Índia, vindo de lá para a Europa em somente 10 minutos. Uma moeda turca foi trazida por um espírito que se expressou em turco, sendo que ninguém presente conhecia tal língua.

Por fim, um caso em que o transporte ficou incompleto, sessão dirigida pelo próprio Bozzano. Primeiro foi trazida ao recinto uma pedra do túmulo da mãe do médium, a 300 quilômetros de distância. Então Ernesto pediu um pequeno bloco de pirite do seu escritório, há poucas milhas dali. O espírito disse estar esgotado pelo esforço anterior, mas tentaria. Depois lamentou ter conseguido só desmaterializar parte do bloco. Acesa a luz verificaram que suas roupas, o tapete, os móveis, tudo estava recoberto por uma fina camada de pó de pirite e enxofre. Depois, Bozzano descobriu que cerca de um terço do seu objeto havia sumido.

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