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Especial

Marca de nascença no menino Ian é evidência a favor da reencarnação. Assista o vídeo clicando aqui.

Jornal Comunica Ação Espírita | 111ª edição | 09 de 2015.

Lentes Especiais

O melhor tipo de morte

Roberto Pompeu de Toledo, colunista do semanário Veja, edição de 04/03/15 reporta-se ao médico inglês Richard Smith que comenta sobre uma pesquisa em que as pessoas eram solicitadas a se manifestar sobre o tipo de morte que escolheriam, se isso fosse possível. De antemão, descartou-se o suicídio assistido ou não.

As opções mais citadas foram a súbita, a longa com demência, a que ocorre após longo tratamento e a por câncer, o que, a nosso ver, podem coincidir. Para a maioria dos consultados, a pior é por demência.  Já o médico diz preferir por câncer porque permite dizer adeus, refletir sobre a vida, deixar as últimas mensagens, visitar lugares especiais pela última vez, ouvir músicas favoritas e assegurar-se de que os relacionamentos mais importantes estão em boa forma, bem os negócios em ordem.

Já a preferência por uma morte súbita não seria apenas pela ausência de dor, mas pelo desejo de poupar-se de encarar a morte de frente. Também se escapa da terrível questão de como será a hora fatal. Estarei pronto? Saberei encarar com serenidade?

O colunista admite que propor a escolha do tipo preferido de morte é um exercício fútil. E cita João Cabral de Melo Neto: “Se morre da morte que ela quer/É ela que escolhe seu estilo/sem cogitar se a coisa que mata/rima com sua morte ou faz sentido”.

E acrescenta que “O artigo de Richard Smith tem, no entanto o mérito de fazer pensar na morte. Nos dias de hoje que correm reina a convicção de que o melhor é não falar nela. Quanto menos se falar, mais sossegada ela ficará em seu canto. Finge-se que ela não existe, na vã esperança de que ela resolva não existir mesmo.”

Nós, espíritas, como qualquer pessoa, nos preocupamos com a morte, mas de outra forma, não com pavor ou ignorando sua inevitabilidade, nem mesmo com indiferença, mas com respeito pelas leis da vida, procurando viver bem para poder encará-la bem. O Espiritismo desmistificou a morte, demonstrando de modo inequívoco que ela é mera transição, alfândega entre mundo material e espiritual.

O gênero de morte, como bem diz Roberto Pompeu de Toledo, é exercício fútil, na maioria das vezes porque não depende de nós. Talvez suas circunstâncias já estejam definidas, escolhidas, mas antes de reencarnarmos, e não recordamos agora e é bom que seja assim. Imagine alguém, em pleno gozo da saúde, saber que vai desencarnar vitimado por um câncer (além de todo o sofrimento prévio desnecessário, deixaria de lutar pela cura) ou de um AVC que não sabe quando vai chegar.

Podemos até “torcer”, pedir a Deus determinado tipo de morte.  É bom pensar nela, em todos os aspectos. Mas aí cabe o mérito e os desígnios divinos acima da nossa vontade. Façamos das realizações em nossa vida a bagagem capaz de garantir a paz e a felicidade futuras na dimensão dos espíritos. Sabedoria no viver e tranquilidade no morrer... só do corpo físico porque a alma é imortal.

 

A reencarnação compulsória do Dalai Lama

 

Líderes do Partido Comunista chinês temem que o Dai Lama não tenha vida pós-morte. Autoridades advertiram várias vezes que ele deve reencarnar e sob suas condições. O atual (14°) está com 79 anos e o governo se preocupa sobre quem tem o direito de decidir quem será o seu sucessor como líder do budismo tibetano. 

Houve uma reunião recente em Pequim. A pretensão é de que o governo comunista seja o guardião da sucessão, decidida pelos lamas (monges graduados) ao visitar um lago e interpretar sonhos. Funcionários do PC se irritaram com rumores de que o Lama poderia “encerrar sua linhagem espiritual e não reencarnar”. Querem interferir na escolha do 15° que venha aceitar a dominação chinesa. 

Uma autoridade do PC que trata de assuntos tibetanos disse que o Lama “não tem poder de decisão sobre sua reencarnação”. Ele disse que o Lama está desrespeitando tradições sagradas. O ex-governador do Tibet (região autônoma), por sua vez, disse que “o Lama profanou a fé budista ao sugerir que poderia não reencarnar. Como se percebe, o partido está comprometido com o ateísmo em suas fileiras, mas aceita a crença religiosa no público.

Lobsang Sangay, primeiro-ministro do governo tibetano no exílio, disse que “É como se Fidel Castro dissesse ‘vou escolher o próximo papa e todos os católicos terão de aceitar’”.

Então, vejamos a que ponto chega a ignorância! É bem verdade que já há uma razoável defasagem entre o entendimento sobre os mecanismos que regem a reencarnação dos budistas tibetanos e os espíritas, o que devemos respeitar, sem, obviamente concordar. Para os budistas o que passa de um corpo a outro não é uma consciência individual, mas propriedades, conteúdos, características como uma obra em construção realizada em etapas na quais cada indivíduo é substituído por outro, continuando do ponto interrompido pelo antecessor. 

Para nós já soa engraçado ouvir que o Dalai Lama “ameaça” não reencarnar, porque isso não seria de competência dele decidir e sim de Deus, sempre segundo o nosso pontuo de vista. Muito pior é a pretensão dos líderes comunistas em “obrigá-lo a reencarnar, sob suas condições”, ou seja, que nasça, cresça e torne-se subserviente ao seu domínio político.

A reencarnação é uma lei de Deus que visa não só possibilitar a plenitude da sua justiça retribuindo a cada um segundo suas próprias obras, conforme palavras de Jesus como serve primordialmente como mecanismo evolutivo para atender as necessidades de aprendizado moral e intelectual durante um período após o qual, atingindo certo patamar, adentra outro estágio no qual poderá dispensar o uso de corpos grosseiros como os que usamos por aqui.

Embora, para os espíritos mais adiantados, seja possível pleitear as principais ocorrências da próxima reencarnação como época, local, futuros pais e cônjuges, profissão e principais ocorrências, não é tão simples assim “designar” o substituto de si próprio. Essas coisas só são decididas após a desencarnação, nunca de imediato e com a participação de outros espíritos.

Então, das duas uma. O Lama pode fingir que obedece, os monges encarregados de identificar a sua reencarnação escolhem qualquer um e depois os comunistas chineses terão uma grande decepção. Ou ele obedece de verdade e, só para contrariar, resolve fazer tudo diferente do que eles esperam e o tiro sai pela culatra do mesmo jeito.

Isso tudo se a reencarnação por lá funcionar mesmo do modo como eles imaginam.

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