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Jornal Comunica Ação Espírita | 111ª edição | 09 de 2015.

O jovem espírita e os problemas sociais

Por Carlos Augusto do Espirito Santo

Meditando sobre o comportamento de alguns jovens espíritas que se insurgem contra os problemas sociais, portando métodos incompatíveis com a Doutrina que dizem amar, afirmando princípios que ela não esposa, nos obrigam a uma demorada reflexão.

Queremos lembrar que a melhor resposta a ser dada aos erros da atual conjuntura humana deve estar no mesmo nível dos postulados evangélicos que apregoamos, considerando ser absurdo falar-se de amor e concórdia disseminando ódio ou uma agressividade injustificável. Seria o equivalente a plantar uma árvore negando-lhe o adubo e a água. Atentos a essa verdade inabalável é que concluímos que toda “revolta que não edifica, animaliza”. 

Reconhecemos que o Evangelho não é estrada de fuga aos problemas sociais e nem faz apologia de um anacoretismo moderno, mas, forçosamente, nos leva à plena compreensão de que as posições agressivas, no campo verbal ou físico, buscando atingir os que erram ou que parecem errar, em hipótese alguma, são soluções cabíveis. 

O Espiritismo demonstra sobejamente que as injustiças terrenas prevalecerão enquanto o homem não modificar-se por dentro. Porque elas são derivadas das mazelas morais da criatura imperfeita e de má-vontade. Só pelas transformações espirituais, endereçando-nos ao Bem, é que atingiremos as condições de equilíbrio desejado no relacionamento entre os homens. A paisagem exterior do campo social é reflexo imediato do clima íntimo da soma de todos nós. 

É justo erguer a bandeira do protecionismo aos que sofrem, porém importa perguntar antes: “Já nos iniciamos no trabalho do próprio aprimoramento, manifestando-o em atitudes de vera fraternidade?”

Ao condenarmos a má distribuição de riquezas, estamos procurando dar aos pobres tudo o que nos sobra? Em que espécies de instituição filantrópica ou assistencial estamos filiados e que tipo de atividade diária ou semanal gratuita, estamos realizando? 

Não somos daqueles que insistem na absoluta fuga aos bens materiais, levando em conta que os Espíritos disseram a Kardec que a cota relativa de conforto material é devida ao ser que produz no serviço profissional honesto. O mérito é lei indiscutível! 

Também não somos contra os que pensam diferente, no entanto é válido perguntar àqueles que alimentam ideias contrárias, se tudo não passa de santidade aparente e se estão engajados à vida de sacrifício como fizeram Jesus, Francisco de Assis, Antônio de Pádua, Ghandi, autênticos heróis do amor ao próximo.

A Doutrina Espírita nos mostra que só falar é tão vazio como manter-se em silêncio. È preciso, acima de tudo, fazer, viver em consonância com os nossos ideais, a fim de que possamos converter os que acusamos com a força deste fenômeno que chamamos exemplo.

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