ADE-PR: Associação de Divulgadores do Espiritismo do Paraná

Especial

Marca de nascença no menino Ian é evidência a favor da reencarnação. Assista o vídeo clicando aqui.

Jornal Comunica Ação Espírita | 114ª edição | 03 de 2016.

O bom espírita é, antes de tudo, um bom cidadão

Allan Kardec, na Introdução de “O Livro dos Espíritos”, afirma, a acerta altura: O Espiritismo... toca profunda e literalmente todas as questões metafísicas e de ordem social. E “A Gênese”, no primeiro capítulo, no item “Caráter da Revelação Espírita”, ratifica: Entendendo com todos os ramos da economia social, aos quais dá o apoio das suas próprias descobertas, assimilará sempre todas as doutrinas progressivas, de qualquer ordem que sejam... Caminhando de par com o progresso, o Espiritismo jamais será ultrapassado, porque, se novas descobertas lhe demonstrassem estar em erro acerca de um ponto qualquer, ele se modificaria nesse ponto. Se uma verdade nova se revelar, ele a aceitará.

Este último trecho é muito citado, mas pouco compreendido. A ADE-PR, quer através de seu programa de TV “Diálogo Espírita”, quer por meio deste periódico, pelas palestras ou pelo sítio eletrônico, tem buscado sempre trazer para reflexão de seus telespectadores e leitores os acontecimentos de toda ordem filtrados pelo conhecimento espírita, porém, ao mesmo tempo, fazer com que estes conhecimentos hauridos das obras da Codificação e suas complementares sejam contextualizados pelo que nos revelam hoje as ciências exatas e humanas.

Nesta edição, por exemplo, o Editorial aborda a política e a necessidade de maior participação social dos espíritas. Na página 3, relembrando a edição maio-junho de 2006, algo mais sobre política, sobre as conexões entre Espiritismo e o Direito – e são muitas -, além de análises sobre casos concretos da área jurídica. 

Na página 4 contemplamos as relações entre os humanos e os animais e aspectos da Sociologia interligados à reencarnação, livre-arbítrio, lei de causa e efeito, portanto, aspectos filosóficos e espirituais. Na página seguinte, questões envolvendo a fé, ou melhor, a falta dela pela onda de ilustres cabeças pensantes que patrocinam o ateísmo.

Na página 6, adentra-se pela Medicina com o tema da microcefalia e a genética, também respaldadas na análise na lei de causa e efeito. Na penúltima, segue-se na mesma área com uma lúcida abordagem sobre a Síndrome de Down e as possíveis intervenções para “desligar” os genes responsáveis pelo distúrbio.

O mesmo critério pode ser percebido em relação às edições anteriores. Como se vê, a redação deste jornal demonstra permanente preocupação em oferecer diversificadas oportunidades de estudo e reflexão, além de manter seus leitores bem informados, apesar da periodicidade estendida de dois meses para cada edição e do número pequeno de páginas. É a qualidade prevalecendo sobre a quantidade, de um Espiritismo atual, com implicações práticas na vida das pessoas. Como sonhava Kardec.Todas as pessoas têm o direito de se expressar livremente a favor ou contrário no que quer que seja, mas sempre com respeito e ordem. Inegável que na situação atual do nosso país, os mais esclarecidos ou, ao menos, os mais bem informados, estão em vantagem. Infelizmente os interesses escusos de uns e a cegueira provocada por uma grave contaminação ideológica de outros insistem em mascarar a verdade. 

Quando se fala tanto no Movimento Espírita em necessidade de se usar a fé raciocinada, não se trata apenas de exortar os adeptos de outros credos religiosos a adotarem uma postura mais condizente com a capacidade de pensar que todos possuímos. A fé que questiona, que não dogmatiza, que não aceita imposições sem verificação, sem o livre exame, não se limita somente a crença em Deus, à reencarnação ou à realidade dos fenômenos mediúnicos. A fé raciocinada vale também para a defesa de princípios filosóficos e de valores.

A fé raciocinada inclui a necessidade da prevalência do certo sobre o errado, do Bem sobre o Mal, do justo sobre o injusto, da verdade sobre a mentira. E aplica-se, ainda, não somente na assimilação teórica, mas principalmente na prática diária, visto a nulidade da fé sem obras.

Fala-se que a política é coisa suja, que não compensa que dela se fale, um mal mundano, atividade ignóbil e fator de corrupção, que todos os políticos não prestam, são desonestos. Ainda que fatos do dia a dia pareçam reforçar essa tese, temos o dever de agir para que tal quadro de desamparo do presente não se perpetue no futuro, pois o amanhã de todos nós, nossas famílias, as gerações de filhos, netos e nós mesmos nas próximas reencarnações, dependem fundamentalmente das ações desses políticos. E das NOSSAS!

Diríamos que na pior das hipóteses, os políticos ou, se preferir, a Política, é um mal necessário, ao menos, por muito tempo, séculos, quem sabe? Se por um lado devemos nos preocupar com a própria transformação moral, buscando servir de exemplo no meio em que nos encontramos, por outro, por fazermos parte do todo, não podemos ser omissos, transferir aos outros a responsabilidade pelas mudanças que tanto almejamos.

É sempre bom nos reportar à página 3 que faz menção à matéria “A Justiça que desejamos”, publicada por nós há dez anos. Ali, embora admitindo “a necessidade do excesso do mal”, na questão 784 de “O Livro dos Espíritos”, as de número 789, 917 e 685 (o progresso pelos indivíduos que se impõem pelo número e o papel da educação), mas, principalmente, a 932 que alerta para a intriga e audácia dos maus que se expandem pela timidez dos bons, devem provocar um despertamento e fazer de nós agentes de transformação social ativos e perseverantes.

Temos, sim, que nos insurgir contra os vícios morais, o desvirtuamento dos diretos e valores, a mentira, o deboche, a negação sistemática dos fatos que ofende a lógica, o uso irresponsável dos recursos públicos. Porém, ao mesmo tempo, jamais devemos deixar de ter um olhar compassivo para com todos aqueles que não comungam das nossas ideias e convicções. 

Alteridade, respeito, amor fraterno apesar das discordâncias, desenvolver a capacidade de não revidar os ataques injustificados, as agressões gratuitas, frutos da intolerância e do individualismo. Compreender e aceitar os equivocados, sem compactuar, pelo silêncio de espectadores, com os equívocos. Tolerar e amar, mas sem abdicar de princípios e valores aceitos universalmente como legítimos e corretos  como condutores ao bem estar de uma sociedade. 

O bom espírita, decorrência dos esforços no combate às suas más tendências alicerçadas nas características do Homem de Bem, não pode aceitar o comodismo ou a fuga da participação social sem comprometer o ideal de contribuir para a erradicação do egoísmo humano. 

Ninguém pode se considerar um bom espírita se não for um bom cidadão. E o bom cidadão não se refugia em casa ou no templo religioso por medo de desagradar quem quer que seja, por receio de sofrer as consequências dos atritos naturais do convívio social. O bom espírita tem compromisso somente com a sua consciência e com Deus.

Receba em casa a versão impressa do jornal Comunica Ação Espírita

Assine agora mesmo

ADE-PR © 2019 / Desenvolvido por Leandro Corso