ADE-PR: Associação de Divulgadores do Espiritismo do Paraná

Especial

Marca de nascença no menino Ian é evidência a favor da reencarnação. Assista o vídeo clicando aqui.

Jornal Comunica Ação Espírita | 114ª edição | 03 de 2016.

Perguntas & Respostas

A primeira pergunta desta edição é a seguinte: Chico Xavier dizia que os animais são os nossos irmãos menores. Isso significa que não devemos exterminar pragas como as batatas, por exemplo?

De fato, o médium mineiro tinha um carinho e respeito muito grande pelos animais, mas a frase acima e atribuída ao seu mentor Emmanuel. É uma maneira figurada de falar para expressar que o ser humano é apenas um dos elos da grande corrente evolutiva, conforme muito bem sintetizada na questão 540 de “O Livro dos Espíritos” (... É assim que tudo se coordena na Natureza, desde o átomo primitivo até o arcanjo que ele mesmo, começou pelo átomo).

Todo ser vivo, animal ou vegetal, tem uma finalidade, nem sempre percebida de imediato por nós. Pode ser que sirva apenas de alimento para outros ou como alerta para cuidados que devemos ter com a higiene e a saúde. 

Sendo assim, se nos vemos ameaçados pela presença de seres que podem ser portadores de doenças ou que apresentem outros riscos à segurança e bem-estar, é lícito que tomemos as medidas cabíveis para afastá-los de nosso convívio. O mesmo se dá quanto ao controle do número de certas espécies que possam causar desequilíbrios ambientais graves como pombos ou javalis.

Agora vivemos a ameaça das doenças transmitidas por um inseto, o Aedes Aegypti. Não combatê-lo a pretexto de não exterminar “irmãos inferiores” seria um total disparate. Aliás, entendemos também estar havendo muitos excessos em relação aos cuidados dispensados aos chamados animais de estimação.

Cada um age conforme a sua consciência, mas o que presenciamos atualmente não condiz com o bom senso, uma vez que cães e gatos e outros seres, por mais que nos encantem com sua beleza, companhia, amizade, etc não podem ter prioridade sobre os humanos. Mimos extravagantes como roupas de grife, joias, festa de aniversário, spa, cemitérios e gastos com tratamentos e cirurgias caríssimas enquanto tantas crianças vagueiam nas ruas entregues ao abandono, à fome, vícios e prostituição depõem contra o espírito de solidariedade que deve unir todas as pessoas. Tudo tem seus limites, sua razoabilidade.

De qualquer forma, este olhar mais compassivo em relação aos irmãos inferiores - que os Espíritos Benfeitores também têm em relação a nós humanos, ignorantes e cheios de defeitos morais -, dirige-se mais aos animais superiores dotados de algumas qualidades menos instintivas porque os insetos, por exemplo, possivelmente sejam orientados por princípios inteligentes ainda não individualizados, formando as chamadas almas-grupo.

A segunda questão proposta é: Como é possível que reencarnem espíritos de pessoas, honestas, dedicadas aos estudos, trabalhadoras, de boa índole, enfim, em ambientes de vícios e corrupção?

Há dois aspectos envolvidos. O primeiro deles é que apesar do meio exercer uma influência muito grande, ela não é determinante, ninguém reencarna com o destino de ser viciado ou fazer o mal aos outros. A questão 872 de OLE esclarece que: Assim, o livre-arbítrio existe para ele, quando no estado de Espírito, ao fazer a escolha da existência e das provas e, como encarnado, na faculdade de ceder ou de resistir aos arrastamentos a que todos nos temos voluntariamente submetido.

Na Q. 645, Kardec interpela se quando o homem se acha mergulhado na atmosfera do vício, o mal não se lhe torna um arrastamento quase irresistível. E os Orientadores respondem: Arrastamento, sim; irresistível, não; porquanto, mesmo dentro da atmosfera do vício, com grandes virtudes às vezes deparas. São Espíritos que tiveram a força de resistir e que, ao mesmo tempo, receberam a missão de exercer boa influência sobre seus semelhantes.

E aí chegamos ao segundo aspecto quando o Codificador pergunta na Q. 260: Como pode o Espírito desejar nascer entre gente de má vida? E recebeu o seguinte esclarecimento: Forçoso é que seja posto num meio onde possa sofrer a prova que pediu. É necessário que haja analogia. Para lutar contra o instinto do roubo, preciso é que se ache em contacto com gente dada à prática de roubar.

Um trecho da Q. 259 amplia a compreensão: Escolhendo nascer entre malfeitores, sabia o Espírito a que arrastamentos se expunha; ignorava, porém,  quais os atos que viria a praticar. Esses atos resultam do exercício da sua vontade ou livre-arbítrio. Sabe o Espírito que escolhendo tal caminho, terá que sustentar lutas de determinada espécie; sabe, portanto, de que natureza serão as vicissitudes que se lhe depararão, mas ignora se se verificará este ou aquele êxito. Os acontecimentos secundários se originam das circunstâncias e da força mesma das coisas. Previstos só são os fatos principais, os que influem no destino. Se tomares uma estrada cheia de sulcos profundos, sabes que terás de andar cautelosamente porque há muitas probabilidades de caíres; ignoras, contudo, em que ponto cairás e bem pode suceder que não caias, se fores bastante prudente. 

Para fechar, na Q. 266 Allan Kardec indaga se não seria mais natural os Espíritos escolherem as provas menos penosas, uma vida mais tranquila, sem tantas tribulações, ao que os Benfeitores explicam que quando se está desencarnado, a visão do todo é diferente. Libertos da matéria, a ilusão desaparece e ele vê suas reais necessidades como espírito imortal e não como homem transitório.

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