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Jornal Comunica Ação Espírita | 114ª edição | 03 de 2016.

Lentes Especiais

Por Wilson Czerski

Comecemos com alguns trechos do item 8, do cap. I do ESE (“Aliança da Ciência e da Religião”). A Ciência e a Religião são as duas alavancas da inteligência humana: uma revela as leis do mundo material e a outra as do mundo moral...  A incompatibilidade que se julgou existir entre essas duas ordens de ideias provém apenas de uma observação defeituosa e de excesso de exclusivismo, de um lado e de

outro.  Daí um conflito que deu origem à incredulidade e à intolerância. 

São chegados os tempos... em que a Ciência, deixando de ser exclusivamente materialista, tem de levar em conta o elemento espiritual e em que a Religião, deixando de ignorar as leis orgânicas e imutáveis da matéria, como duas forças que são, apoiando-se uma na outra e marchando combinadas, se prestarão mútuo concurso. Então, não mais desmentida pela Ciência, a Religião adquirirá inabalável poder, porque estará de acordo com a razão, já se lhe não podendo mais opor a irresistível lógica dos fatos.

A Ciência e a Religião não puderam, até hoje, entender-se, porque, encarando cada uma as coisas do seu ponto de vista exclusivo, reciprocamente se repeliam. Faltava...  um traço de união que as aproximasse... está no conhecimento das leis que regem o Universo espiritual e suas relações com o mundo corpóreo...  nova luz se fez: a fé dirigiu-se à razão; esta nada encontrou de ilógico na fé: vencido foi o materialismo...

Documento do Vaticano de 2003, à época de João Paulo II explicita que “A fé e a razão constituem como que as duas asas pelas quais o espírito humano se eleva para contemplação da verdade”. Kardec usara a expressão “alavancas” para a Ciência e Religião.

A revista Veja de 26/12/07 produziu matéria estimando-se o número de ateus em 2% no Brasil e 4% no mundo; 93% dos membros da Academia Nacional de Ciências dos USA não aceitavam a ideia de Deus. Em 1997, segundo a revista americana Nature, 60% dos cientistas não criam em Deus, mesmo percentual de 1916.

O filósofo Sam Harris, na matéria de Veja, declarou: A fé até pode ser benigna no nível pessoal, mas no coletivo é um desastre absoluto... nossa compreensão do universo é incompleta e desconhecemos a extensão de nossa ignorância... o que sabemos com absoluta certeza, aqui e agora, é que nem a Bíblia nem o Corão trazem melhor compreensão do universo... esses livros não são sequer um guia sobre moralidade que possamos considerar adequado... pois aceitam a escravidão, por exemplo e não são autoridade em astronomia e economia... Se há verdades espirituais ou éticas a ser descobertas, e tenho certeza de que há, elas vão transcender os acidentes culturais e as localizações geográficas.

Para Tomás de Aquino: “Para quem tem fé, nenhuma explicação é necessária. Para quem não tem, nenhuma explicação é possível”. Permitimo-nos discordar de tal afirmação do grande pensador católico.

Em outra edição do semanário citado, datada de 25/05/05, encontramos a manifestação de outro filósofo ateu, Michel Onfray. Diz ele: As religiões fazem promoção permanente da fé em detrimento da razão, da crença diante da inteligência, da submissão ao clero contra a liberdade do pensamento autônomo, da treva contra a luz; por trás do discurso pacifista e amoroso, o cristianismo, islamismo e judaísmo pregam a destruição de tudo que represente a liberdade e prazer; odeiam o corpo, os desejos, a sexualidade, as mulheres, a inteligência e todos os livros exceto um; exaltam a submissão, a castidade, a fé cega e conformista em nome de um paraíso fictício depois da morte.

 

Espiritismo apregoa o contrário do acima. Exalta o livre-arbítrio, orienta zelar o corpo, estimula a busca intelectual, reconhece o papel feminino, não divide, não dogmati  za nem fanatiza.

 

Mas o Espiritismo apregoa tudo ao contrário do acima: exalta o livre-arbítrio individual e consequente responsabilidade moral; orienta a zelar pelo corpo por ser imprescindível e valiosíssimo instrumento de trabalho do espírito encarnado; estimula a busca do desenvolvimento intelectual, reconhece papel fundamental desempenhado no mundo pelas mulheres juntamente com a alternância de sexo no ciclo reencarnatório; estimula a busca do conhecimento e não promove o sectarismo, o dogmatismo e o isolamento; conscientiza e incentiva a participação do homem no mundo sem se escravizar ao mundo e ainda não ilude muito menos fanatiza com promessas de paraísos conquistados sem obras. É a lógica da razão que ilumina a fé, enquanto a fé, vigorosa e lúcida, fortalece a razão.

Voltando ao ESE, no item 6, do cap. XIX, encontramos: Do ponto de vista religioso, a fé consiste na crença em dogmas especiais, que constituem as diferentes religiões. Todas elas têm seus artigos de fé. Sob esse aspecto, pode a fé ser raciocinada ou cega. Nada examinando, a fé cega aceita, sem verificação, assim o verdadeiro como o falso, e a cada passo se choca com a evidência e a razão. Levada ao excesso, produz o fanatismo. Em assentando no erro, cedo ou tarde desmorona; somente a fé que se baseia na verdade garante o futuro, porque nada tem a temer do progresso das luzes,dado que o que é verdadeiro na obscuridade, também o é à luz meridiana. Cada religião pretende ter a posse exclusiva da verdade; preconizar alguém a fé cega sobre um ponto de crença é confessar-se impotente para demonstrar que está com a razão...

A fé raciocinada, por se apoiar nos fatos e na lógica, nenhuma obscuridade deixa.  A criatura então crê, porque tem certeza, e ninguém tem certeza senão porque compreendeu. Eis por que não se dobra. Fé inabalável só o é a que pode encarar de frente a razão, em todas as épocas da Humanidade. A esse resultado conduz o Espiritismo, pelo que triunfa da incredulidade, sempre que não encontra oposição sistemática e interessada.

Na literatura, temos livros como “Os Espíritos comunicam-se na Igreja Católica (Paulo Neto); “Os Espíritos comunicam-se por gravadores” (Peter Bander); “Os mortos nos falam” (padre François Brune); “Reencarnação no Brasil” (Hernani Guimarães Andrade); “Muitas vidas, muitos mestres” (Brian Weiss); toda a bibiografia de Ernesto Bozzano, Gabriel Dellane, Léon Denis, Albert de Rochas e muitos outros. São milhares de relatos envolvendo fenômenos mediúnicos de veracidade comprovada. Não são fruto da fé cega.

Ceticismo de um lado e fanatismo de outro, retardando o progresso do espírito. Este não se manifesta apenas no Estado Islâmico e assemelhados, mas também naqueles que pretendem seja somente a sua religião a que presta e salva, que este ou aquele livro foi escrito por Deus pessoalmente e é indiscutível; intolerância como se outro fosse inimigo e não um irmão.

Uma pergunta final: se o ceticismo científico faz muito mal à Humanidade, o mesmo se poderia dizer da indústria da fé que usa inescrupulosamente do mecanismo da fé cega para atingir seus objetivos nada, nada “espirituais”?

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