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Especial

Marca de nascença no menino Ian é evidência a favor da reencarnação. Assista o vídeo clicando aqui.

Jornal Comunica Ação Espírita | 114ª edição | 03 de 2016.

Atualizades I

Por Samira Turconi

No dia primeiro de fevereiro, após discutir aspectos relacionados ao risco da proliferação da microcefalia ligada ao zika vírus nas Américas, a Organização Mundial da Saúde decretou situação de "emergência de saúde pública de interesse internacional" para os casos de má-formação e de disfunções neurológicas. Esta organização só havia decretado este tipo de alerta em outros três casos: poliomielite, a gripe H1N1 e mais recentemente para o vírus ebola.

O Ministério da Saúde, em Brasília, recebeu, desde o início dessa epidemia até o dia 16 de fevereiro, 5.280 notificações de suspeita de microcefalia - malformação cerebral congênita, caracterizada por um perímetro cefálico inferior a 33 cm, no momento do nascimento a termo -que as autoridades associam ao vírus zika. O Ministério estima que haja até 1,5 milhão de cidadãos infectados com o vírus transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, segundo balanço divulgado.

Como entender por que tantas crianças em tão pouco tempo foram acometidas por uma malformação que não possui tratamento e que se traduz em diferentes graus de comprometimento para o desenvolvimento intelectual e físico do indivíduo? Somente a Lei das vidas sucessivas, a REENCARNAÇÃO, é que pode nos fazer compreender.

Se, fôssemos criados por Deus, no momento do nascimento, e não existissem vidas anteriores, qual seria o critério que o Criador usaria para escolher; quem seria SAUDÁVEL, PERFEITO e quem seria DEFICIENTE, CEGO, ou portador de MICROCEFALIA? Por que um pai, que, tendo dois filhos, trataria a um com amor e a outro com total desprezo? Seria justo? Ora, se não é justo que um pai proceda desta maneira, será que Deus, sendo infinitamente sábio e bom, poderia agir assim? Não! Deus jamais impõe sofrimentos a quem quer que seja, portanto a microcefalia não é um castigo divino.

O Espírito expressa-se através do períspirito ou corpo espiritual e este, por sua vez, modela o corpo físico, de acordo com suas necessidades evolutivas. Se há erros ou deficiências, na modelagem, isto é no corpo físico, significa que o espírito deformou seu períspirito por problemas cármicos ou faltas cometidas em outras vidas. Assim como podem ocorrer deficiências nos mais diferentes órgãos, a questão não é diferente em relação ao cérebro. Desta maneira podemos entender que a genética espiritual preside a formação do corpo físico. Isto é, o Espírito, diante de uma nova reencarnação, comanda a modelagem do corpo físico, através do períspirito, que é o modelo organizador da sua futura morada orgânica. Assim, entendemos que a carne gera a carne, mas os atos pretéritos do Espírito produzem a forma para a sua residência física. 

Mas, por que alguém escolheria um corpo deficiente para reencarnar? Em O Livro dos Espíritos, na questão 335, encontramos a seguinte resposta: “O Espírito pode, também, escolher o corpo, porque as imperfeições desse corpo são para ele provas que ajudam o seu progresso, se vence os obstáculos que nele encontra (...)”. Assim podemos compreender que aquele indivíduo que infringiu as Leis de Deus, recebe uma nova oportunidade, através de um novo corpo, em uma nova vida para reparar os seus erros do passado. É a Lei de Causa e Efeito. Deste modo, fica compreensível o ensinamento de Jesus: “Ora, se tua mão ou o teu pé for motivo de escândalo, corta-o e lança fora de ti. Melhor é tu entrares na Vida manco ou aleijado, do que, tendo duas mãos ou dois pés, ser lançado no fogo eterno” (Mateus, 28).

Diante do exposto uma pergunta se faz imediatamente: é licito determinar o aborto como uma opção para a mãe gestante de um bebê que apresente microcefalia, para que ela se sinta mais aliviada desta situação? Jamais! O aborto não alivia situação nenhuma, ao contrário, somente agravará ainda mais o comprometimento destes Espíritos. O raciocínio deve ser outro: diante do feto com deficiência, é necessário que os pais pensem no grau de comprometimento que têm para com esta alma doente e nos esforços que devem empreender para ajudá-la a recuperar-se. Estas crianças são Espíritos que infringiram a Lei de Deus, mas que, no Mundo Maior, se arrependeram e se melhoraram conseguindo assim uma reencarnação expiatória para resgatarem seus erros. No livro A Gênese, Allan Kardec nos diz, no capítulo XVIII, que os Espíritos da nova geração que povoará a Terra Regenerada são Espíritos novos, melhores ou os antigos Espíritos melhorados. Portanto estas crianças microcefálicas têm o direito de nascer e cumprir a sua encarnação!

Jaqueline Jéssica de Oliveira, de 24 anos, saiu da maternidade do Hospital Guilherme Álvaro, em Santos, no dia 27 de novembro, com seus filhos gêmeos, Laura e Lucas, nascidos dez dias antes. O menino veio ao mundo saudável, com 34 centímetros de perímetro cefálico. Já a cabeça da menina tinha apenas 26 centímetros, o que não deixou dúvidas sobre o diagnóstico. A menina nasceu com microcefalia e o menino não. Cassiana da Silva deu à luz um casal de gêmeos, Melissa e Edson, há pouco mais de um mês, mas apenas um dos bebês foi diagnosticado com microcefalia. Ela e o marido, Edson Miguel, moram em São Lourenço da Mata, em Pernambuco. O caso vem sendo acompanhado pelos médicos que buscam entender por que a menina apresentou a malformação e o menino, não. Casos como estes já se contam vários. 

Como explicar, que gêmeos apresentem situações tão diferentes? Qual a causa para que dois indivíduos que foram gerados ao mesmo tempo, que tiveram a mesma gestação, que se desenvolveram no mesmo ambiente, possam ter realidades tão diversas? A resposta é uma só: aplicação da divina Lei de Causa e Efeito! “A cada um será dado segundo as suas obras” (Mateus 16:27), ou seja, segundo o seu merecimento. A felicidade ou a desgraça que acompanha o Espírito, nesta vida ou no plano Espiritual, decorre unicamente de suas obras, daquilo que ele fez. Se agiu para o bem, será agraciado; se agiu para o mal, sofrerá as consequências infelizes de seus atos.

Allan Kardec, no livro O Céu e o Inferno, no código penal da vida futura, afirma que "o arrependimento, conquanto seja o primeiro passo para a regeneração, não basta por si só; são precisas a expiação e a reparação. (...) Arrependimento, expiação e reparação constituem, portanto, as três condições necessárias para apagar os traços de uma falta e suas consequências". Com o advento da Doutrina Espírita, adquirimos conhecimentos importantes, tais como o da reencarnação. Aprendemos, através dela, que experimentamos existências sucessivas, num continuum evolutivo, em que as experiências surgem como ferramentas preciosas, impulsionando o ser à melhoria constante. Há reencarnações de provas (que equivalem à verificação de aprendizagem) reencarnações de expiação (ressarcimento de dívidas anteriores) e reencarnações de missões (auxílio à humanidade). Assim se estabelece a justiça divina. “E se um teve outro não, eu sei que foi Deus, Deus que colocou a mão”, reforça Cassiana da Silva. E ela tem razão, são as Leis de Deus sendo cumpridas!

Referências

1.O Evangelho Segundo o Espiritismo – Allan Kardec

2.O Céu e o Inferno – Allan Kardec

3.A Gênese – Allan Kardec

4.A vida contra o aborto – Marlene Nobre

5.S.O.S. Família – Divaldo P. Franco

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