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Especial

Marca de nascença no menino Ian é evidência a favor da reencarnação. Assista o vídeo clicando aqui.

Jornal Comunica Ação Espírita | 114ª edição | 03 de 2016.

Atualizades II

Por Carlos Augusto Parchen

A Síndrome de Down, possibilidade de cura e a Doutrina Espírita

Uma notícia divulgada recentemente nos meios de comunicação causou polêmica e debate entre muitos Espíritas. Reproduzimos a seguir um pequeno trecho dessa notícia, que a resume:

‘’Pela primeira vez, cientistas conseguiram identificar uma maneira de neutralizar a alteração genética responsável pela Síndrome de Down. Em um estudo feito com células de cultura, pesquisadores da Universidade de Massachusetts, Estados Unidos, “desligaram” o cromossomo extra, presente nas células de pessoas com o distúrbio. Assim, eles foram capazes de corrigir padrões anormais de crescimento celular, característicos da Síndrome de Down. A descoberta abre portas para o desenvolvimento de novos mecanismos que poderão ajudar no tratamento do distúrbio. Seu uso clínico, no entanto, ainda está longe de ser colocado em prática — o estudo, publicado na revista Nature, precisa ser replicado em laboratório e estendido a testes em humanos antes de poder ser liberado para uso...”.

(Fonte:http://veja.abril.com.br/noticia/ciencia/cientistas-desligam-gene-que-causa-a-sindrome-de-down) 

Algumas pessoas do meio espírita questionam que, se essa “cura” de fato vier a ocorrer, isso não contrariaria a “programação reencarnatória”. Reproduzo abaixo a colocação de um companheiro de Doutrina, sem nenhuma identificação, para preservar a privacidade: 

“... Existe um pensamento comum à maioria dos espíritas de que determinadas condições do corpo, como é o caso da síndrome de Down, são resultado de um planejamento pré-reencarnatório. E, dessa forma, a cura da síndrome iria contra este planejamento. Ainda que isto fosse verdade não faria sentido privar uma pessoa de um tratamento médico que busque melhorar sua qualidade de vida. Caso contrário estaríamos adotando a cultura do sofrimento...”.

Na verdade, tal tipo de discussão é inútil. Só não é estéril por possibilitar reflexão individual na busca da “verdade”. A tecnologia referida no início deste artigo está em estágio embrionário e só foi aplicada em células "in vitro" (células de cultura).  Até chegar a terapia gênica em fetos ou seres completos, há uma distância enorme. Nem se sabe se e quando poderá vir a ser efetivamente aplicada. E o resultado a ser obtido, não sabe qual será, pois uma coisa é células "in vitro", sem um perispírito e um duplo etérico as comandando, outra é o ser humano, um complexo de corpos e energias que interagem na unidade do corpo físico que comporta o espírito reencarnado.

Temos também que relativizar a "programação reencarnatória" estilo "Nosso Lar". Isso não é uma regra geral. O fato é que temos apenas "tendências reencarnatórias", que não são determinísticas, apesar de serem potencialmente determinantes. Isso é claramente colocado pelos espíritos, mesmo em outras obras de André Luiz, que colocam que a "programação reencarnatória" (com escolha de provas, situações, missões, provações, etc.) é realizada apenas para "Espíritos Missionários", e que as demais reencarnações seguem regras genéricas e simples, constituindo-se na absoluta maioria (esta se falando de reencarnação aqui no nosso planeta). A reencarnação "normal" é "programada" pelo próprio espírito, através de seu corpo mental e de seu perispírito, que estabelecem suas "necessidades reencarnatórias" em todos os campos. Quem duvidar, que não se atenha exclusivamente a leitura de "Nosso Lar", mas que também estude as demais obras de André Luiz (dissemos ESTUDAR). Isso está explicitado lá claramente. 

Temos que relativizar a "programação reencarnatória" estilo Nosso Lar.  

Não é regra geral. Temos  “tendências reencarnatórias”não determinísticas,

 apesar de serem potencialmente determinantes.

É certo que o perispírito é o "molde" do corpo físico, refletindo o estado de maior ou menor equilíbrio e integridade do Espírito reencarnante. Mas é fato também que os espíritos que presidem os processos da reencarnação muitas vezes utilizam a genética e suas possibilidades como "modeladora" do corpo a serviço da “modelagem” do caráter do Espírito. E não se tem como saber quando e por que isso ocorre. Não há como avaliar ou julgar a reencarnação pela aparência exterior da mesma.

Por que o espírito reencarnou num corpo sujeito à Síndrome de Down? Não se tem como saber e muito menos como especular. Colocar a "culpa" em "erros do passado" do espírito reencarnante é uma simplificação grosseira e sujeita à erros sérios. O correto é dizer que é devido a uma "necessidade" do espírito e/ou da família que o acode amorosamente, “necessidade” esta que pode ser de diferentes ordens (mental, espiritual, perispiritual, de modelagem de caráter, de desenvolvimento de habilidades e aptidões, de experimentação, de provação, de exemplificação).

De qualquer maneira, se essa "necessidade" do espírito for determinante na sua reencarnação, nenhuma "terapia" será capaz de "livrá-lo" do problema. Nenhuma terapia é 100% eficaz. Sempre se tem um percentual de falha ou “não cura”, maior ou menor segundo as características de cada doença e de cada tratamento. Por que? A resposta é óbvia: o corpo mental do espírito reencarnado continua a "comandar" o perispírito, o duplo etérico e o corpo físico para que "reproduzam" o problema físico. E esse se manterá, independente dos avanços da ciência. Isso pode ser visualizado no dia-a-dia dos tratamentos convencionais, holísticos, energéticos ou espirituais, onde para alguns se obtém resultados incríveis, e para outros nada se obtém. Tornamos a perguntar: por quê?

Lembramos o que coloca Kardec nas Obras Básicas: temos o dever de buscar, por todas as formas éticas e morais possíveis, o alívio do sofrimento de nossos semelhantes. Isso inclui a cura dos problemas físicos (doenças, má-formações e síndromes), que poderá ocorrer ou não, segundo as "necessidades" dos espíritos reencarnados.

 

Assim sendo, se a referida terapia gênica vier a se confirmar como tratamento efetivo, que seja muito bem vinda. Isso não conflita com os postulados espíritas da reencarnação, pois será efetiva com quem tem determinado tipo de "necessidade reencarnatória" e não terá resultado com que tem outro tipo dessa. E isso não é uma posição “mística” ou “religiosa”. É apenas lógica e razão aplicada.

Assim sendo, não existe razão para polêmica nesse assunto. Os postulados de Kardec continuam e continuarão firmes e fortes, devendo conformar-se e ajustar-se sempre ao avanço da Ciência, evoluindo com esta, como tão bem determinou o Codificador do Espiritismo.

Lembremos de Kardec: “Espíritas: amai-vos e instruí-vos”.

Referências

(*) Eng. Agrônomo, Msc. em Solos e Dr. em Eng. Florestal; Prof. Universitário e Extensionista Rural. Colaborador do C. E. Luz Eterna de Curitiba e apresentador do programa de TV “Diálogo Espírita”.

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