ADE-PR: Associação de Divulgadores do Espiritismo do Paraná

Especial

Marca de nascença no menino Ian é evidência a favor da reencarnação. Assista o vídeo clicando aqui.

Jornal Comunica Ação Espírita | 69ª edição | 09 de 2008.

Que é Deus? A visão científica e filosofico-religiosa do Espiritismo (1ª parte)

Por Wilson Czerski

  • Imagem captada pelo telescópio hubble: Nebulosa o Cone cuja parte aqui visível possui 2,5 anos-luz de comprimento, equivalente a 23 milhões de voltas em redor da Lua. Imagem captada pelo telescópio hubble: Nebulosa o Cone cuja parte aqui visível possui 2,5 anos-luz de comprimento, equivalente a 23 milhões de voltas em redor da Lua.
  • A imagem captada pelo telescópio Hubble na Nebulosa da Formiga, nuvem de poeira cósmica e gás, chamada Mz3; recebeu o apelido por assemelhar-se ao pequeno animal e dista entre 3000 e 6000 anos-luz da Terra. A imagem captada pelo telescópio Hubble na Nebulosa da Formiga, nuvem de poeira cósmica e gás, chamada Mz3; recebeu o apelido por assemelhar-se ao pequeno animal e dista entre 3000 e 6000 anos-luz da Terra.
  • Noite estrelada, também do Hubble, assim chamada por lembrar um quadro de Van Gogh com este nome. É na verdade, um halo que envolve uma estrela da Via Láctea. Noite estrelada, também do Hubble, assim chamada por lembrar um quadro de Van Gogh com este nome. É na verdade, um halo que envolve uma estrela da Via Láctea.

Conta-se que um menino cavara um pequeno buraco na areia da praia e, de posse de uma vasilha, ficou muitas horas tentando esgotar a água do mar dentro dele até sentar-se frustrado e exausto. Menino que se tornou homem e continuou tentando o impossível: compreender Deus. Luiz Gonzaga Pinheiro (1) raciocina que o limitado não abrange o ilimitado, a parte não absorve o todo, o relativo não se sobrepõe ao absoluto nem o finito descreve o infinito.

Seria absurdamente pretensioso de nossa parte desejar resumir em tão poucas linhas a grandeza divina. Afinal, a humanidade, ao longo de sua história, à medida que desperta a curiosidade e avança em direção à maturidade intelecto-moral, mais e mais debruça-se sobre esta questão fundamental. Poder descobrir Deus e com isso talvez decifrar os enigmas de sua própria existência fez com que o homem buscasse através de caminhos aparentemente diferentes, possíveis respostas que satisfaçam a sua sede de conhecimento e preencham necessidades afetivas, psicológicas e da essência espiritual, por uma ligação mais estreita com o Ente ou a Força que o gerou. A verdade é que apesar de todas as tentativas, ainda estamos muito distantes de compreender o que Deus seja realmente.

Vários milênios já se escoaram marcados pelos registros humanos que trilharam os caminhos sempre tortuosos do pensamento filosófico, religioso e científico objetivando atingir tal descoberta definitiva. O Espiritismo, justamente por comportar estas três linhas de pesquisa em seu corpo doutrinário, oferece, se não o conhecimento completo porque longe estamos da perfeição, ao menos uma visão equilibrada, onde o místico no sentido da percepção espiritual de Deus, não anula a lógica e ambos podem contar com a chancela do rigor científico.

Se o sentimento nato do homem intui a existência de Deus, conduzindo-o pela fé até o contato com o Ser a quem aprende a venerar como Pai espiritual, a razão demonstra pelo espetáculo da natureza que tal criação não pode ser fruto do acaso, pois que se não existe efeito sem causa, se aquele é uma obra inteligente, a causa, por conseqüência e necessariamente, também o terá que ser.

Atribui-se a Voltaire a seguinte frase: “O universo é um relógio. Quem o relojoeiro?”, naturalmente referindo-se a Deus. A quase totalidade dos filósofos se ocupou Dele. Mesmo os que quiseram aposentá-Lo pelos bons serviços prestados como Augusto Comte e seu Positivismo ou proclamaram-lhe a morte como Nietzche. Sócrates reconheceu que Ele “É a Providência”; Empédocles entendia-o como “A súmula dos elementos criadores”; para Xenófanes “É eterno e imutável”, atributos, aliás, assimilados pelo Espiritismo. Como veremos adiante, estes dois e os demais, teriam também já aparecido no “Discurso sobre o Método”, de Descartes. Leibnitz chamou-o de “A mônada incriada” ; para Spinoza “É a única substância” e Hartman via-o como “O mecânico finalista do universo” (2).

Ernesto Bozzano, formula a teoria do Deus-éter. O universo seria uma exteriorização do seu pensamento criador e sustentado pela vontade divina que atuaria pela propriedade do éter ou energia cósmica, tornando-se, assim, onisciente e onipresente.

Linguagens ou caminhos para se entender Deus

Vários caminhos ou linguagens (no sentido mais amplo de expressão de idéias e sentimentos e comunicação) são utilizados para tentar explicar Deus. Sem seqüência cronológica, se sobrepõem, aparecem e desaparecem nas diversas culturas.

Uma delas é a mítica formada por imagens, personagens simbólicos presentes, por exemplo, nas tragédias gregas e pelo fantástico. É a mais primitiva, porém com intensa influência no inconsciente coletivo das pessoas. É representada por pessoas, objetos, lugares, datas, rituais, idéias, etc.

A segunda é a filosófica, dominante no ocidente e guiada somente pela razão. Aristóteles traduz a existência de Deus como o motor imóvel de tudo que se move e atrai os seres para a perfeição. Mas não deixa de ser reducionista tal como o menino e seu buraco na praia. Deus passa a ser um conceito da razão humana. Como lembra Ludwig Fleubach ao afirmar que há uma inversão de valores. O homem acaba por criar Deus projetando nele tudo o que gostaria de ser: eterno, todo-poderoso. Nitzsche vai mais além: E o homem em seu orgulho, criou Deus à sua imagem e semelhança. É a antropoformia psicológica.

A terceira linguagem para descrever Deus é a profética. Surgem os intermediários especiais, acima do homem comum e, portanto, mais próximos de Deus, por isso, mais capazes de dizer como Ele é. Explicam a criação, as alianças a salvação. São figuras carismáticas e de suposto saber superior. Entre eles estão Elias, Moisés, Cristo, Maomé, os xamãs, pajés e os médiuns.

Uma quarta linha de interpretação é a mística-poética. Pelo contato direto e pessoal, somado à renúncia, à ascese e às experiências extáticas, há como se “ver” Deus. A base do contato reside no sentimento.

Finalmente, há quem pretenda chegar a Deus através da ciência, obviamente totalmente assentada na razão. E assim chegamos à possibilidade de resumir estas cinco visões diferentes em apenas duas: razão e sentimento. No primeiro está a lógica da filosofia e a experimentação científica trabalhando um campo objetivo, não raro, mergulhando no vazio da incredulidade absoluta como Nitzsche que pretendia ter matado Deus, em “Assim falou Zaratustra”. Ou para a frieza mecanicista da maior parte dos cientistas.

No segundo quem se impõe é a religião. Nenhuma em particular, mas todas elas pela simples possibilidade de levar pelo sentimento e experiência íntima, pessoal do ser, a uma descoberta, a uma revelação propiciada pela elevação da criatura ao Criador. É a experiência mística da fé que prevalece e às vezes se opõe à razão, resvalando para a superstição e o fanatismo.

Enquanto os filósofos não dispensam o rigor da lógica e cientistas os números das equações matemáticas, o místico simplesmente vivência; crê porque experimentou – ou pensa ter experimentado. É como se os primeiros tivessem que mensurar o sentimento materno ou o atleta medalhado ao ouvir o hino de seu país.

A Ciência pode provar a existência de Deus

Repassando. Na Religião o homem adquire a intuição de Deus desde os primeiros vagidos da civilização expressando-se em tentativas diversas de submissão a um ente superior. Na Filosofia, os efeitos possuem causas e com elas guardam uma relação de proporcionalidade de natureza e intensidade, isto é, efeitos inteligentes de causas igualmente inteligentes.

Enquanto isto, a ciência, superadas parcialmente as fases de soberba materialista, reação exacerbada ao também extremado pensamento obscurantista religioso que antes detinha exclusividade para explicar Deus, volta-se agora, lentamente, para uma postura de mais humildade para admitir que talvez todas as leis conhecidas que regem o universo nada mais sejam do que a expressão de um Supremo Arquiteto e Governador Geral. Deus seria o substrato, o suporte organizador das formas, uma energia que cria e sustenta o funcionamento do universo.

Esta é mais ou menos a idéia dos físicos Jacques Lapat e Fritjof Capra (3). Para James Jean este universo começa aparecer mais um grande pensamento do que uma grande máquina. Arthur Eddigton afirma que a matéria-prima do universo é o espírito. O Dr. Paul Davies, da Universidade de Adelaide, avança mais: “... A idéia do acaso é um argumento que agride o rigor do pensamento científico”. E completa: Certamente o universo tem uma consciência própria. Ele foi desenhado para permitir o desenvolvimento de nossas próprias consciências. Aliás, alguém já disse que acaso é o pseudônimo que Deus usa quando não assina pessoalmente o que faz.

Lapat e Capra admitem também uma consciência além do espaço-tempo presidindo o universo, capaz de gerar luz. Gravitando em torno de si mesma produziria colapso gravitacional e um anel de luz criando um quantum ou unidade fundamental de matéria originando corpúsculos. No livro “Sonhos de uma Teoria Final”, Steven Weinberg, Nobel de Física cita: “... É natural que Stephen Hawking se refira às leis da natureza como a mente de Deus”.

Com a palavra ainda a ciência. O Dr. Antônio Zichichi, físico nuclear, professor da Universidade de Bolonha, presidente da Federação Mundial de Cientistas, no livro “Por que acredito naquele que fez o mundo”, diz: Não existe nenhuma descoberta científica que possa ser usada para questionar ou negar a existência de Deus. Jean-Marie Guitton, membro da Academia Francesa, no livro “Deus e a Ciência”, em co-autoria com Igor e Gricha Bagdanov, declarou: O Universo que nos cerca não é mais compatível a uma imensa máquina, mas a um vasto pensamento... acabamos de ver que por trás do nascimento do Universo, há uma força organizadora, que deve ter calculado tudo, elaborado tudo, com uma minudência inimaginável... que há no Universo uma causa da harmonia das causas, uma inteligência suprema.

Conclusão na próxima edição.

Referências

(1) Perispírito e suas modelações - Luiz Gonzaga Pinheiro – EME;
(2) Revista Internacional de Espiritismo, junho/2002 – O Clarim;
(3) O Semeador, nº 515, 2ª quinzena nov/85;

Receba em casa a versão impressa do jornal Comunica Ação Espírita

Assine agora mesmo

ADE-PR © 2017 / Desenvolvido por Leandro Corso