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Especial

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Jornal Comunica Ação Espírita | 117ª edição | 09 de 2016.

Perguntas & Respostas

Nossa primeira pergunta desta edição é a seguinte: Na doença cármica, para cumprimento da lei de causa e efeito, o médico não está interferindo na justiça divina? E se obtém a cura antes do tempo, o que acontece?

Antes de mais nada, não custa lembrar que o termo ‘carma’ não corresponde ao conceito espírita contido na expressão “causa e efeito”. “Karma” vem do sânscrito e significa “ação” e pertence às religiões orientais como o budismo, o hinduísmo, o jainismo, o sikhismo, bem como à teosofia. Em geral, é aceito como sendo carma o resultado de uma ação, boa ou má, o que, justifica o fato de tão frequentemente ser usado mesmo pelos espíritas.

Mas respondendo à pergunta, tomemos de início o ensinamento retirado de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, cap. V, item 26: É lícito, àquele que se afoga, cuidar de salvar-se? Aquele em quem um espinho entrou, retirá-lo? Ao que está doente, chamar o médico? As provas têm por fim exercitar a inteligência, tanto quanto a paciência e a resignação. Pode dar-se que um homem nasça em posição penosa e difícil, precisamente para se ver obrigado a procurar meios de vencer as dificuldades. O mérito consiste em sofrer, sem murmurar, as consequências dos males que lhe não seja possível evitar, em perseverar na luta, em se não desesperar, se não é bem-sucedido; nunca, porém, numa negligência que seria mais preguiça do que virtude.

Pouco ou nada se faria necessário acrescentar, não é mesmo? Desde que respeitada a ética e com uso do bom senso, todos os esforços humanos, não só dos profissionais da área da saúde, mas de todas as pessoas, através da solidariedade que deve nos unir como irmãos, é direito de uns e dever de outros prestar o auxílio mútuo, seja na dor física, no desconforto mental, no desequilíbrio emocional, na esfera do espiritual e, mais ainda, em todas as demais necessidades porque passam os seres humanos durante a sua romagem terrena.

A ajuda de Deus ao homem vem pelo homem. Não há cura antes do tempo. Esta só é possível se estiver prevista na ordem divina. Para tanto tem que atender alguns requisitos. Entre eles a permissão de Deus, normalmente associada aos próprios mecanismos da lei de causa e efeito, e o merecimento de quem procura a cura e de quem tenta executá-la.

Se uma intervenção na saúde de um paciente for indevida, se naquele indivíduo os efeitos negativos ou fatores de desequilíbrio ainda não se esgotaram, mesmo que alguns efeitos paliativos ou provisórios forem obtidos, logo, a natureza se encarregará de provocar a recidiva ou a manifestação de outra enfermidade em outro órgão e assim por diante.

Às vezes basta a disposição do paciente em buscar a cura, papel preponderante da fé, aliada à humildade e reconhecimento da justeza da dor como fator de reequilíbrio não só físico, mas primordialmente, espiritual. Deus não quer o sofrimento gratuito das criaturas, mas que elas se ajustem às leis naturais.

A lei de ação e reação equivale ao “olho por olho, dente por dente”, não praticado pelo agredido, mas por Deus, o que é muito pior. Deus é justiça, mas também misericórdia.

A segunda pergunta, de certa forma, está relacionada à primeira, por se referir também ao conceito da lei que acabamos de analisar. Querem saber: A lei de ação e reação é a mesma de talião? Se denominarmos desta forma “ação e reação”, poderíamos até dizer que sim porque esta invoca a terceira lei de Newton. Naturalmente que os espíritas transplantaram da Física para a Moral a elaboração do sábio inglês. E aí está o que nos parece um equívoco.

A lei de ação e reação define-se como sendo aquela em que uma primeira ação determina inexoravelmente uma reação de igual intensidade, mesma direção e sentido oposto. Ora, isso equivale a dizer que, de certa forma, sim, o indivíduo que comete um erro, causa um mal a quem quer que seja, sofrerá um mal, uma dor na exata medida daquela que ele foi causador. E temos, então, um “olho por olho, dente por dente”, não praticado pelo agredido, mas por Deus, o que é muito pior.

Deus é justiça, mas também misericórdia. Arrependimento, expiação e reparação são os passos da retomada do caminho do Bem. Mas não só para a expiação há muitas veredas como a reparação pode ser direcionada para terceiros cujas circunstâncias favoreçam a nova ação retificadora.

Da expiação sabemos que ela pode ser adiada, parcelada, modificada, atenuada, transformada ou compensada pelas ações positivas e até mesmo cancelada. A justiça divina, dizemos, é corretiva e educativa, nunca punitiva. 

Porém, quando admitimos que uma morte provocada pela ação violenta terá que, necessariamente, ser purgada com a do autor em outra reencarnação, da mesma forma, estamos admitindo uma intransigência incompatível com o Deus misericordioso. Um passo adiante e estaremos, pela lógica, aceitando que um genocida terá que morrer assassinado tantas vezes quantas – milhares, milhões - tenham sido suas vítimas em algum momento longínquo da história. Pense-se num Átila ou em Hitler.

Não temos a nos reger a vida apenas causa e efeitos únicos. Para cada evento podemos ter causa única e efeitos múltiplos, principais e secundários; muitas causas para um só efeito; como também – e é o mais comum – muitas causas e muitos efeitos. E das causas há as principais e secundárias e as mediatas e as imediatas. 

Exemplo: um terremoto no Haiti causa muito mais vítimas e destruição do que no Japão ou nos Estados Unidos. Significa que as primeiras são muito mais comprometidas com as leis divinas do que as últimas? Absolutamente não. Questão de desenvolvimento socioeconômico que permite a uns dispor de muito mais recursos em infraestrutura e prevenção e assistência do que os outros. Mesma causa, efeitos diferentes. Aqui um evento físico, geológico, para ser mais exato, mas com implicações e repercussões morais de elevada significância.

Sobre tudo isso discorro longamente em meu livro “Destino: determinismo ou livre-arbítrio?”.

Portanto, insisto, nem “talião” nem “ação e reação”, mas somente “causa e efeito” reflete com mais exatidão os intrincados tecidos da justiça divina e da vida moral dos seres humanos.

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